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Diogo Teles está em Londres há nove anos. Com as novas restrições, garante que as empresas portuguesas ficam de pernas atadas e que a situação vai se tornar insustentável.

Quem é a pessoa, neste momento, e eu digo isto, principalmente no setor da construção, que há muita gente a vir todas as semanas a Portugal, e não só, quem é que vem a Portugal e agora vai ficar 10 dias fechado num hotel a pagar quase 2.000 € para estar fechado num quarto de hotel? Isto é completamente impossível.

Portugal é o único país europeu incluído nesta lista vermelha, o que para Diogo Teles é incompreensível.

Madrid continua a receber milhares de pessoas todos os dias, de países que neste momento fazem parte da lista vermelha, principalmente da América do Sul, e não tem estas restrições como nós temos. E estamos nós numa situação que não é justa e a sofrer consequências.

O empresário garante que estas novas medidas já estão a ter impacto nos negócios.

Nós estamos neste momento a fechar um hotel no Mónaco com um cliente inglês. Tínhamos reuniões previstas agora que a Inglaterra obrigava, de alguma forma, a ir fazer o fecho dos contratos lá. Uma pessoa se quiser, neste momento, ir para Londres, a partir de segunda-feira, tem que ir 10 dias antes da reunião para conseguir estar no dia da reunião presente. Isto é impensável.

Para Diogo Teles, o governo português tem demonstrado falta de interesse neste setor.

Qual é o plano? O que é que vão tentar fazer? Como é que vai ser? Isto é daqui quanto tempo? É daqui uma semana, daqui 15 dias, daqui um mês? É até ao Carnaval, é até à Páscoa? Isto é navegar à vista completamente. E para quem faz negócios e empresas que são exportadoras, que talvez seja uma parte da economia que é muito importante e que não se pode descurar numa altura dessas, acho que devia haver aqui algum apoio e alguma explicação. E qual é a estratégia? Neste momento, não há estratégia nenhuma para isso.

Também João Coelho partilha desta visão e vai mais longe. O empresário do setor da construção afirma que o governo português ainda não fez rigorosamente nada por estes empresários.

Eu acho que o governo português tem olhado para as coisas de um ponto de vista macro, mas depois do ponto de vista das empresas que têm negócios internacionais, eu tenho a certeza que o governo não fez rigorosamente nada para nos defender ou que crie um patamar de isenção.

João Coelho garante que, por agora, não há nenhuma maneira de contornar estes obstáculos.

Neste momento, não há nenhum mecanismo que nos salvaguarda a nós. E a única solução que aqui se encontrou foi comunicar a todos os trabalhadores que estão neste momento na operação a dizer: "Olhe, nós neste momento vamos ter que ficar em Inglaterra por um período indeterminado de tempo. Façam o favor de avisar as vossas famílias, porque não vai haver outra solução, ou pelo menos não se vislumbra".

O horizonte não está animador para quem vive e trabalha no Reino Unido. Os empresários portugueses pedem mais intervenção do governo português