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Os trabalhadores da função pública estão em greve desde a meia-noite, num protesto que vai durar 24 horas. A greve é convocada pela Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública e também das entidades com fins públicos, e a expectativa era de uma forte adesão. Está conosco Mário Rui, o presidente da FESINAP. Mário, aquilo que esperava foi realmente o que aconteceu, uma forte adesão?
Verdade. Estamos orgulhosos do resultado, estamos orgulhosos dos trabalhadores da administração pública. Foi um sinal de descontentamento dado com enorme força. Esperemos que o Estado português tire algumas ilações daquilo que foi o dia de hoje, do alcance da greve da FESINAP. Amanhã teremos reunião do Conselho Nacional, iremos decidir novas formas de luta, mais greves aí virão. Amanhã tentaremos também, novamente, mais uma aproximação ao governo para nos receber, para podermos negociar e apresentar aquelas que são as nossas propostas. Portanto, os trabalhadores estão a exigir respostas e o governo terá que as dar.
Claro que sim. E tem algum número sobre a adesão à greve?
A greve, pelo levantamento que fizemos, por todos os indicadores que tivemos, ultrapassou largamente os 80%. Para não atirar um número de 90%, ficaremos mesmo por aqui, até porque fomos todos testemunhas, vocês, principalmente jornalistas, por toda a informação que passaram, a greve teve um alcance enorme no nosso país hoje.
E espera chegar a reuniões com o governo depois desta greve?
Sim, a nossa intenção é precisamente essa. Os trabalhadores estão cansados da negociação que tem sido feita até agora com os sindicatos do costume, que vão para negociar, negoceia ou não negoceia, o único que sai a perder é o trabalhador. Nós, neste momento, representamos nove mil trabalhadores da administração pública, ultrapassamos o número do largo, mas esses trabalhadores querem respostas. E neste momento confiam na FESINAP para que se consiga chegar realmente à conversa com o governo.
Então a FESINAP sente que as suas reivindicações não estão a ser bem defendidas pelos sindicados que estão a negociar com o governo?
Não, de todo. Nunca, em momento algum, nem os trabalhadores, nem nós concordaríamos com 15 centimos de aumento de subsídio de alimentação, muito menos com estas negociações que estão a ser feitas à parte daquilo que é a concertação social com o GT. Portanto, não estamos disponíveis para esse tipo de negociação. Queremos mais transparência, queremos mais credibilidade na negociação. Portanto, os trabalhadores apostaram na FESINAP para que isso possa acontecer.