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Vítor Vicente, um português escritor, chegou esta semana a Israel para participar num evento cultural. Está neste momento em Jerusalém, recolhido num abrigo. Está conosco em direto. Boa noite, Vítor. Pergunto-lhe como é que está a situação neste momento, no sítio onde se encontra.
Boa noite. A situação está preocupante, porque o número de mísseis continua a aumentar. Eu penso que o primeiro foi enviado, se não me falha a memória, talvez há cerca de uma hora, e tem sido um atrás do outro. Felizmente, e graças a Deus, Israel tem uma muralha tremenda que é praticamente impossível de furar. Como já foi referido neste noticiário, houve um míssil que conseguiu atingir a população, mas felizmente isso costuma ser uma exceção. Mas claro, o estresse está aqui, as pessoas não sabem exatamente quais são as capacidades militares do Irão, porque eles fazem muitas coisas por trás da cortina. E nós o que fazemos é cumprir os preceitos de segurança e esperar pelo melhor.
Foram ouvidas explosões em Jerusalém?
Até à data, nada, pelo menos aqui onde eu estou. Eu ouvi uma conversa entre duas pessoas que estão no bunker comigo, a dizer que escutaram qualquer coisa. Eu não ouvi, mas até à data, nada. Eu penso que uma parte das explosões terão acontecido mais perto de Tel Aviv, que é uma zona mais interessante para o Irão.
Recebeu alguma mensagem das autoridades para recolher para um abrigo? De que forma é que essas indicações estão a ser dadas?
O governo israelita prepara os cidadãos da melhor maneira possível, mantendo-os informados a par e passo. Claro que é uma situação bastante volátil, nem sempre é fácil de acompanhar, mas nós somos incentivados a fazer o download de algumas apps, e através dessas apps nós podemos perceber quando é que vai ser enviado o próximo míssil. Se tudo correr bem, o aviso é partilhado com cerca de cinco a 10 minutos de antecedência, o que deve ser suficiente para uma pessoa com mobilidade razoável poder chegar ao bunker e estar devidamente protegida. O governo israelita acho que tem sido até à data exemplar, usa estes bunkers para que as pessoas saiam ilesas, e era bom que isso acontecesse dos dois lados da guerra, mas infelizmente, há um lado que está mais interessado em proteger as pessoas e o outro nem tanto.
Como é que pode descrever o ambiente aí em Jerusalém? As pessoas estão todas a refugiar-se em abrigos?
Sim, a grande maioria está em abrigos. Há poucas pessoas na rua, de vez em quando passa uma, duas, três, no máximo. Não há grupos, não é o que seria habitual. Hoje é sexta-feira à noite, embora sexta-feira à noite em Israel não signifique o mesmo que significa para nós em Portugal ou no Ocidente, mas as pessoas estarão nos seus abrigos, que têm nos prédios onde moram, ou nós aqui turistas, vamos para os abrigos que ficam lá embaixo, no basement. Estamos lá tipo lata de sardinha, mas sempre é melhor do que estarmos expostos aos mísseis.
É com algum clima de medo?
Algum, porque nós não sabemos exatamente as capacidades militares do Irão, mas no meu caso, eu já acompanho esta situação aqui em Israel há bastante tempo, portanto tenho alguma familiaridade com aquilo que está a acontecer. Eu tenho muitos amigos a morar aqui, diariamente vejo as suas publicações nas redes sociais e sei que isto é praticamente rotina. E o fato de estar exposto ao dia a dia dos israelitas torna-se menos estressante pra mim, porque sei que eles vivem com isso diariamente e o país está preparado. Agora, claro, o medo existe, porque nós não sabemos exatamente até que ponto é que o Irão pode provocar danos em Israel.
Já recebeu algum contacto da embaixada portuguesa? Vai tentar voltar a Portugal nos próximos dias?
Sim, eu entrei em contacto com eles. Creio que foi hoje de manhã e também parte da tarde. Tem sido impecável, não tenho nada a apontar, a não ser coisas positivas. Já me registei, embora eu seja um residente na Irlanda, estou registrado como português que se encontra em Israel e vamos ver o que eles podem fazer por nós. Até à data, o espaço aéreo está encerrado para voos comerciais, mas talvez hajam alternativas que não sejam com voos comerciais, com voos militares. Mas vamos aguardar e com alguma ansiedade.
Obrigada, Vítor Vicente, por ter aceitado estar em direto nesta edição. É um português que está neste preciso momento abrigado num bunker em Jerusalém, numa altura em que Israel está a ser atacado pelo Irão