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É nesse palácio, no centro da capital britânica, que está a jornalista Francisca Ferreira Marques. Bom dia, Francisca. Na última hora estavas a contar-nos que já eram algumas as pessoas junto ao palácio. O número de pessoas está a aumentar?
Bom dia, Diogo. Sim, são cada vez mais as pessoas que chegam aqui ao Palácio de Buckingham. A esta hora já são várias centenas de pessoas que por aqui passam. Isto apesar da chuva intermitente que se tem feito sentir, as pessoas continuam a vir e neste momento a zona aqui em frente ao palácio está fechada aos carros. Há baias a delimitar as zonas e por isso aqui perto do palácio só há bicicletas e pessoas. E pessoas de luto, o que significa que há hoje também aqui um grande silêncio. As pessoas chegam aqui, a maioria sozinhas, em pequenos grupos, uma, duas, máximo três pessoas. E é um ambiente muito diferente do que por norma se vive nestes dias, com grandes aglomerados de turistas que vêm ver, por exemplo, o render da guarda. Hoje não há nada disso. Hoje não há render da guarda, há apenas pessoas que se deslocam aqui para prestar homenagem. E, por isso, apesar de serem, sobretudo, os britânicos quem talvez demonstre mais comoção, nós conseguimos ver que há muitas pessoas que chegam aqui sozinhas, aproximam-se do palácio e têm um momento quase a sós. Parece que estão isolados do mundo. Há comoção, há pessoas que choram. Neste momento, como há várias flores a adornar os portões, é preciso pedir a um segurança que abra a baia para cada pessoa poder, de forma mais solitária, aproximar-se do portão e depositar as suas flores. Portanto, o ambiente a esta hora, apesar de cada vez mais pessoas, é também cada vez mais comovente. Nós aqui de frente para o palácio vemos, como não podia deixar de ser, a bandeira do Reino Unido a meia haste. Depois, como explicava mais à frente, os portões, que por norma são pretos com uns apontamentos dourados, hoje os portões e essas grades são de todas as cores. Há flores de todos os tamanhos, de todos os feitios, ao longo de toda esta fachada do palácio. E é também impressionante ver que não é só um grupo de pessoas que aqui vem prestar homenagem, como não podia deixar de ser numa rainha que reinou durante 70 anos. Há aqui várias gerações que se unem. Há pouco entrevistava duas raparigas canadianas que estão no Reino Unido a estudar veterinária e que diziam que acordaram e vieram logo cá porque sabem que os pais, que estão no Canadá, têm um grande respeito pela rainha, também pelas ligações da Commonwealth e por isso dirigiram-se aqui também elas comovidas, apesar de não serem britânicas. Pouco depois falava com uma senhora de 72 anos, de Zanzibar, mas que já vive no Reino Unido desde 1964 e que me dizia que para ela a rainha Isabel II era uma instituição dentro da própria instituição, que sempre olhou para ela como alguém que queria acolher quem escolhia o Reino Unido como sua morada. E portanto, a esta hora o ambiente é de grande comoção. Há pessoas de várias idades aqui reunidas, várias nacionalidades e é possível que ao longo do dia sejam cada vez mais pessoas. Também que ao longo dos próximos dias. Isto porque, como sabemos, este é apenas o primeiro do que serão 10 dias de luto nacional e por isso ao longo dos dias e possivelmente quando o corpo da rainha vier para o Palácio de Buckingham, algo que só deve acontecer na próxima terça-feira, mais pessoas também poderão reunir-se aqui. Neste momento o sol parece espreitar, o que também vai mudando o ambiente que se faz sentir aqui junto ao palácio. É um local que certamente será de passagem ao longo dos próximos dias.
Estava a tentar perguntar-te, Francisca, uma coisa que estavas, de certa forma, a dar indicação relacionada com as pessoas. Esta é uma notícia global, naturalmente, e portanto, serão poucas as pessoas que não conhecem a rainha Isabel II. Quem são essas pessoas? São mais britânicos ou há também muitos turistas por aí?
Há muitos turistas, como te dizia agora com o exemplo destas jovens canadianas e também desta senhora, que apesar de já viver no Reino Unido, não é britânica de nascença. Há várias pessoas e vemos também pela cobertura mediática. Eu diria que a maior parte dos países do mundo estão aqui representados na imprensa, constantemente em direto para todo o mundo, porque a rainha tinha este peso global, como dizias, não era apenas uma personagem querida e admirada pelos britânicos. Ouvi há pouco também pessoas dizer que se calhar os mais novos já não têm tanto interesse pela monarquia ou também há muitas pessoas que reconhecem que nem tudo foram coisas positivas nos últimos 70 anos, mas que as pessoas têm um grande respeito à rainha Isabel II e, por isso, sem dúvida que não são apenas os britânicos, não são apenas os ingleses que hoje estão aqui a prestar homenagem e de luto.
E a segurança, Francisca? Há muita segurança aí à volta, porque está muita gente aí. Isso nota-se também?
Para já, a segurança ainda é muito discreta. Isso era também algo que é muito característico da monarquia. Portanto, há uma sobriedade quase comovente. Nós aqui junto ao palácio temos apenas uma moldura A4 castanha com um papel branco lá dentro, com aquelas três linhas do comunicado que o palácio emitiu ontem a anunciar a morte da rainha e mais nada. Não há mais nada que indique que hoje morreu uma rainha que aqui reinou durante 70 anos. E, portanto, a segurança também é muito discreta. Há alguns seguranças do palácio que estão a ajudar as pessoas a aproximarem-se para depositarem as flores junto ao palácio, porque há agora umas baias a cerca de um metro dos portões para também deixar alguma distância para as flores, mas de resto é certamente uma segurança muito discreta. Não vemos qualquer polícia mais armada ou mais corpos de intervenção. Nada disso, por enquanto o ambiente é quase comunitário, quase como se de um enterro familiar se tratasse. Certamente que há muita segurança envolvida, como não podia deixar de ser, sobretudo aqui no palácio, mas é uma segurança discreta que não se quer impor de todo neste dia.