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Presidente da Câmara Municipal de Aguiar da Beira para nos fazer um pequeno ponto de situação depois deste alerta para uma situação crítica na localidade de Gradiz. Boa tarde, Virgílio Cunha, obrigado pela disponibilidade. Sei que deve estar atrapalhado. Qual é o ponto de situação a esta hora, depois daquele alerta que fez para a situação crítica que se vivia em Gradiz?

Olhe, neste momento, devo lhe dizer que já não é só Gradiz, já não é só Pinheiro, mas é já Carapito, Barranha, Soito de Aguiar. Portanto, neste momento temos mais um incêndio vindo dos lados de Trancoso que assola o nosso território e por isso dizer que são 13 incêndios que temos neste momento no Conselho de Aguiar da Beira, dois vindos de Trancoso, um vindo do Conselho de Sátão, e na realidade, sentimo-nos impotentes para conseguir debelar os fogos e controlar estes incêndios. Por isso, a situação é muito crítica, é caótica e realmente não tenho mais palavras para descrever o que se passa aqui no nosso território.

Há habitações ameaçadas?

Sim, temos habitações ameaçadas, nomeadamente a Carapito. Estamos muito próximos de ter habitações ameaçadas na Barranha, na Antela. E, portanto, realmente é muito aflitiva a situação.

Virgílio Cunha, foram evacuadas algumas dessas localidades? Retiraram pessoas das localidades?

Neste momento não. Comunicaram agora que vamos evacuar um lar para o centro da vila. E naturalmente, se não tivermos aqui uma força musculada que nos apoie a partir de agora, nós quando for ao fim da tarde, vamos ter que evacuar muita gente.

Portanto, está a pedir um reforço de meios. Os que estão nesta altura não serão suficientes para combater a situação.

Estou a pedir um reforço de meios, porque compreendendo que há mais situações no país, mas realmente aqui é uma situação particular, que são três incêndios que não deflagram, não iniciam no nosso conselho, vêm de fora e levamos com eles, passe a expressão, e somos nós que temos que aqui os extinguir e realmente sentimo-nos impotentes para conseguir fazer este trabalho.

Há bombeiros em todas as localidades a que fez referência?

Não, não há bombeiros em todas as localidades. Devo dizer que neste incêndio que agora deflagra entre Carapito, Barranha, Antela, Souto de Aguiar, não há bombeiros e também ainda não vi outro meio de ataque.

E percebe-se, por isso, a sua preocupação. Agradeço-lhe, Virgílio Cunha, por este ponto de situação que aqui nos traçou nesta edição das 17 da Rádio Observador. É o presidente da Câmara Municipal de Aguiar da Beira, preocupado face à falta de meios para proteger estas localidades a que aqui fez referência. Seguimos então agora no mapa de incêndios com Sátão, no distrito de Viseu. Este fogo começou, Miguel, na madrugada de ontem.

Mais de 500 operacionais combatem as chamas. Na sequência do combate a este incêndio, três bombeiros ficaram feridos com queimaduras, foram assistidos no hospital de Viseu.

Sim, Fafe, outro município atingido pelos incêndios, está a ser combatido este fogo por perto de 160 operacionais.

E terminamos com o incêndio que começou esta tarde, há pouco, na localidade Ribeira de Niza e Carreiras, no Conselho de Portalegre.

Quatro meios aéreos e mais de 250 operacionais tentam travar, nesta altura, o avanço das chamas.

Entretanto, a ministra da Administração Interna agendou para o final da tarde uma declaração ao país. Está marcada para quando faltarem 15 minutos para as 19h.

Vai ser feita na Sede Nacional da Proteção Civil, a anteceder o ponto de situação que é feito pelos bombeiros, sempre às 19h. Vamos acompanhar esta declaração 15 minutos antes, em direto.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera garante que o risco de incêndio não aumenta amanhã, ao contrário do alerta feito ontem pelo Presidente da República. Alertava Marcelo Rebelo de Sousa para o agravamento propício ao risco de incêndio no feriado e para um contexto de fenômenos sem precedentes.

Ao Expresso, o IPMA indicou que o nível de risco não vai subir. Está agora conosco em direto na Rádio Observador, a meteorologista Alexandra Fonseca, precisamente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Muito obrigada pela disponibilidade. Portugal está, como sabemos, em situação de alerta, pelo menos até amanhã à noite, por causa do risco máximo de incêndio, mas em termos meteorológicos, não é previsível que sexta-feira esse nível de risco aumente, é isso?

Boa tarde. O risco e as condições meteorológicas, na realidade, vão continuar gravosas, como têm vindo até hoje. É uma situação que se vai manter até domingo. Teremos só alguma alteração junto à faixa costeira, nesse litoral oeste, nos conselhos mais próximos do mar, poderá a temperatura máxima descer para amanhã, havendo lugar a um desagravamento no nível do aviso para estes distritos. No entanto, o interior vai continuar bastante quente, com o aviso laranja para todos os distritos do interior, e portanto, é uma situação que se vai manter. Obviamente que isto são os dados mais atuais e são situações que vão também sendo atualizadas e havendo algumas atualizações dia a dia. Não quer dizer que há dois ou três dias, o dia de amanhã não fosse um dia que saltasse à vista. Neste momento, e desde o run anterior, portanto do dia de ontem à noite, o que se mostra é que realmente o dia de amanhã irá ser muito parecido ao dia de hoje.

Significa que o senhor presidente da República pode ter feito este alerta com base em dados que não os dados atuais.

Sim, pode ter sido a informação que o senhor presidente tinha na altura. Nós trabalhamos com os dados mais atuais, mas como deve calcular, isto atualiza duas vezes por dia e realmente pode haver alguma informação adicional que o senhor presidente tenha tido e que o levou a preferir as declarações que ele fez. Não vemos que seja muito além do que está a acontecer na realidade. São situações bastante críticas, porque o calor vai continuar, a umidade relativa está muito baixa e não ajuda nada à situação atual dos incêndios.

E já são muitos dias seguidos de altas temperaturas. Há mais conselhos amanhã em risco máximo de incêndio do que hoje, nesta última atualização?

Pode haver meia dúzia de conselhos, se calhar, que mudam para o risco máximo, porque estamos a falar ali, às vezes, no limite, são conselhos vizinhos e o conselho ao lado aumenta o risco de incêndio. Mas serão variações muito pouco significativas a nível de número. A área que nos preocupa são as regiões do interior, norte e centro, e o Baixo Alentejo e o Algarve. Continuam a ser essas as regiões mais gravosas.

Pelo menos até domingo, assim vai ser.

Exatamente.