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Falamos com Armando Constâncio, vice-presidente da Câmara Municipal da Marinha Grande. Que balanço nos pode fazer neste momento? Estamos, nesse caso, na região Oeste, no distrito de Leiria. Temos também novidades sobre a questão dos acessos à região da Marinha Grande, com a isenção de pagamento de portagens anunciada pelo governo. Vê isso como uma boa solução nessa notícia divulgada hoje?

Boa tarde. Realmente, começando por lhe dizer, em termos do panorama que aqui se passa, é de facto um panorama catastrófico. Permita-me que faça esta introdução, porque o Conselho da Marinha Grande é um conselho sui generis. O Conselho da Marinha Grande, a seguir a Palmela, é aquele que apresenta um volume de exportação per capita maior. A seguir a Palmela, a Marinha Grande está na linha. Portanto, aquilo que se passa não é só ao nível da obstrução de caminhos, retirar árvores, telhas levantadas, é um impacto tremendo na economia do Conselho, no tecido empresarial. E outra vertente que não tem sido falada é o fato de a Marinha ter um movimento associativo muito forte. Temos cerca de 113 associações sem fins lucrativos, 40 e tal das quais são para a prática desportiva e os pavilhões desportivos, quer municipais, quer dos clubes, estão ou destelhados, alguns desapareceram completamente, como o Sporting Clube Marinhense, que é uma associação centenária, pratica hóquei em patins, patinagem, basquetebol, etc., e que desapareceu, ruiu. Não temos capacidade para desenvolver qualquer tipo de atividade desportiva. Relativamente às portagens, é uma solução que é um remendo, é um penso tardio, porque devia ter sido adotada imediatamente a seguir à catástrofe que aconteceu, porque todas as vias de comunicação ficaram obstruídas. Estrada Nacional 242, que atravessa a Marinha Grande, infelizmente, sem alternativas criadas ao longo do tempo pela IP. Não temos variantes. A única alternativa é a autoestrada A8, que é paga. Portanto, a nossa luta tem sido, ao longo do tempo, encontrarmos aqui uma solução de parceria entre a autarquia Marinha Leiria e a própria Autoestrada do Atlântico, para ver se conseguimos arranjar aqui um sistema que nos permitisse, no troço entre Marinha e Leiria, que é um troço terrível de 20 mil veículos diários de atravessamento. Só a Marinha, para os ouvintes terem uma ideia, movimenta cerca de 400 camiões por dia, de entrada e saída da Marinha. Isto, atravessar pelo centro da cidade, na Estrada Nacional 242, sem qualquer alternativa, é um desastre absoluto. As portagens. Este penso devia fazer quimioterapia e arranjar aqui uma solução final que extirpasse o cancro. Que é um cancro que temos aqui. No fundo, não temos nenhuma variante. Esta devia ser considerada a nossa variante para escoar o trânsito e toda a gente se recusa a analisar isso sob este prisma.

Armando, olhando aqui para estes impactos do mau tempo, neste momento, a principal preocupação é ajudar a levantar essa indústria, essa capacidade empresarial, ou há situações mais urgentes a resolver ainda durante estes dias?

Não, nós tivemos que priorizar. As prioridades que assumimos, em primeiro lugar, foi desobstruir as vias. A Marinha estava isolada. As ambulâncias, os carros de bombeiros não podiam transitar, era um horror. Aquilo que o comando operacional assumiu foi primeiro desobstruir as estradas. Desobstruídas as estradas, foi acudir aos lares ou outras instituições que precisavam de apoio absoluto. Depois, foi fazer um esforço enorme para conseguir começar a recuperar os equipamentos de ensino, que estão bastante atingidos, todos eles estão bastante atingidos. E estamos agora numa fase em que pensamos entre o dia de amanhã, quinta, e segunda-feira, progressivamente, ir abrindo alguns, tendo sempre em conta as condições de segurança. O tecido empresarial, evidentemente, que é uma preocupação muito grande, os empresários estão com muitas dificuldades. Já existiam algumas dificuldades em setores industriais de ponta, como a indústria de moldes, que já se vinha a sentir há algum tempo. E agora corremos o risco até de algumas empresas clientes estarem a exigir o pagamento de indenizações por atrasos nos prazos de entrega, com máquinas a céu aberto. Estamos a falar de máquinas de cinco eixos que podem custar qualquer coisa como um milhão. Uma máquina, um milhão, que estão sujeitas à chuva e à intempérie. Mas nós vamos às 18h no centro empresarial, pedimos aos empresários para se juntarem a nós no centro empresarial da Marinha para conversarmos e ver que medidas é que nós podemos tomar para os ajudar, mas aí estamos um bocado limitados.