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Antes de mais, muito boa noite. Neste momento, eu julgo que isto é mais um impasse. A notícia que saiu há pouco foi exactamente que o Hamas teria aprovado uma lista de 34 reféns, porque as negociações estão a decorrer também no Catar, onde estão representantes, e terá sido esta a indicação. O que o governo israelita diz é que não conhece ainda quem são as pessoas que estão nessa lista, e sequer se estão vivas ou se estão mortas. Agora, efectivamente, isto não representa muito ou nada. Ao final de mais de uma dezena de viagens da administração americana, em particular do secretário de Estado americano Antony Blinken ao Médio Oriente, e com tantas tentativas de chegar a um cessar-fogo, acho muito difícil que se consiga. É evidente que não podemos desvalorizar estes passos, mas ainda não representam nada, porque numa negociação tem que haver um acordo de vontades e uma comunhão de opiniões. E o que me parece é que elas não estão encontradas, até porque a situação securitária no terreno é muito complicada, é muito complexa, e portanto, isto é só um pequeno passo, porque ainda fica uma lista significativa de reféns por resolver. A questão do pós-cessar fogo, o que é que vai acontecer e quem vai gerir esta zona de Gaza também é uma questão. Eu julgo que, pelo menos até à tomada de posse de Donald Trump, acho que não vão existir grandes novidades, sendo certo que, mesmo depois da sua tomada de posse, é um pouco complexo, porque a situação securitária no terreno, como disse, é muito complexa. E depois de o governo de Israel já ter alcançado tantos dos objectivos a que se propôs, designadamente na eliminação destas ameaças, de eliminar estes grupos terroristas, efectivamente, acho muito difícil que venha aqui ou que existam agora num curto espaço de tempo boas notícias, infelizmente. Mas tenho pena que não se coloque, e que essa deve ser também a tónica da comunidade internacional, de tentar pressionar o Hamas também para entregar os reféns e tentar, no fundo, levantar a bandeira branca e dizer que já não consegue mais sustentar esta situação, porque está claramente a usar as pessoas como escudos.
Ou seja, esta palavra recente do Hamas não é para levar a sério em relação à lista?
Não. Eu acho que vai ter pouco efeito útil, porque mesmo que esta lista mereça a aprovação por parte de Israel, depois a grande pergunta é o que é que acontece com os outros reféns. Isto é uma situação muito complexa e as partes estão muito afastadas umas das outras, ainda por cima não tendo um mediador, no caso as Nações Unidas, que perderam essa função, essa imagem e essa missão que seria às Nações Unidas a ter que ter este papel de mediação. Ao estar completamente afastado, nós temos duas partes muito afastadas e não temos um mediador suficientemente imparcial que mereça a confiança de ambas as partes. É muito complicado estarmos aqui a alimentar essa esperança, até porque a situação securitária no Médio Oriente é muito difícil, tem raízes históricas muito significativas e os ódios são grandes. Basta nós pensarmos que o Hamas existe exatamente para acabar com o Estado de Israel e quando um quer o fim do outro, mesmo que se consiga, e o que eu quero dizer concretamente é, mesmo que se consiga aqui um cessar-fogo, ele vai sempre ser muito débil, porque tem que haver aqui alguma cedência para haver uma negociação e essa cedência ainda não existiu e o Hamas está de tal maneira desmilitarizado que também era chegada a hora de se render e de não transformar as pessoas, os cidadãos, os civis em escudos, porque é isso que está a ser feito.
Ou seja, mesmo com estas negociações agora no Catar, como me estava a dizer, não se pode esperar aqui um cessar-fogo.
Não vejo, não. Eu acho muito difícil, pelo menos nos próximos tempos, acho que vai ser muito difícil. E mesmo que ele exista, vai ser muito débil. Não é uma solução, porque as partes, e no caso o Hamas, mesmo estando na situação de evidente fragilidade que está, do ponto de vista operacional e tática e militar, não se está a render e já está a usar os civis como escudos, continua a usar. Eu sei que isto pode parecer paradoxal, mas é isto que verdadeiramente está a acontecer. E quando isto se passa é muito difícil nós termos uma situação de acordo.
Ana Miguel Santos, muito obrigada pela disponibilidade e pela sua opinião também.