Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Estas novas regras surgem depois de Portugal ter sido colocado na lista negra. Só podem entrar no Reino Unido, a partir de Portugal, residentes ou cidadãos também britânicos. E a partir de segunda-feira, este grupo restrito vai ter de cumprir quarentena de 10 dias num hotel, como explica a jornalista do Observador, Francisca Ferreira Marques.
As regras são claras.
"Todos os residentes que regressem destes países têm que ficar em quarentena durante 10 dias desde o momento em que chegam."
Os custos da estadia obrigatória, como explica o Ministro da Saúde, estão a cargo de quem viaja.
"Antes de viajar, têm de fazer a reserva numa plataforma on-line e comprar um pacote de quarentena no valor de £1.750."
São cerca de €2 mil, que incluem estadia, transporte e dois testes à Covid, a serem realizados ao segundo e ao oitavo dia. À chegada, não há margem pra desvios.
"Quando chegarem, são escoltados para o hotel designado, que estará fechado para outros hóspedes durante 10 ou mais dias, caso testem positivo à Covid-19."
Não é permitido que os hóspedes convivam entre si e o ministro britânico da Saúde garante que a fiscalização vai apertar.
"Vamos ter mão pesada com quem dê informação falsa. Qualquer pessoa que minta no formulário de passageiro e não informe que esteve num dos países da lista vermelha nos 10 dias anteriores vai poder enfrentar uma sentença de prisão de até 10 anos."
Mão pesada pra quem minta, é o que promete Matt Hancock. Para quem tente fugir a esta quarentena obrigatória no hotel, as multas podem chegar aos €11 mil.
Para muitos portugueses emigrados no Reino Unido, estas novas regras vêm dificultar as viagens a Portugal. E há portugueses indignados com a falta de ação do governo português. A comunidade portuguesa já esperava as medidas restritivas, mas foi apanhada de surpresa por esse valor que é exigido para cumprir a quarentena num hotel, cerca de €2 mil, mas também por Portugal ser o único país europeu alvo destas mesmas regras. Ao Observador, Gonçalo Cabral, um português a residir no Reino Unido há três anos, afirma não compreender a falta de diplomacia do governo. Para este consultor, o executivo português tem abandonado a grande comunidade portuguesa que reside atualmente no Reino Unido.
No fundo, isto exclui a maioria ou todos os portugueses que vivem cá. Duvido que haja algum português que queira ou esteja disposto a pagar €2 mil do seu bolso para ir alguns dias a Portugal. Não cabe na cabeça de ninguém que se faça isto. Portanto, duvido muito que qualquer português, neste momento, que viva cá, possa planear férias de Páscoa em Portugal e estar com a família, que muitos deles já não veem há muito tempo.
Portugal é o único país da Europa que está sujeito a estas medidas. Como é que a comunidade portuguesa que vive no Reino Unido olha pra esta situação?
Eu acho que há que ver que estas medidas, apesar de o Reino Unido perceber que, no fundo, eles estão a tentar lançar uma rede o mais larga possível, a verdade é que Portugal, tirando obviamente, pôr aqui fora da equação, por da parte que nós estamos com casos muito altos, mas isto não é a razão pela qual nós fomos incluídos nesta medida dos hotéis. Nós fomos incluídos nesta medida dos hotéis por causa da estirpe do Brasil. E simplesmente não faz sentido, faz muito pouco sentido, tendo em conta que há outros países com ligações ao Brasil e além de que já há processos em Portugal, tanto que neste momento os voos pro Brasil são cancelados também. Já há muitas medidas que já foram efetuadas e, portanto, faz muito pouco sentido que Portugal esteja, no fundo, apanhado nesta rede com danos obviamente muito negativos para um país que supostamente, apesar de já não na União Europeia, mas que ainda é bastante próximo de Portugal.
Neste momento, há a hipótese de as restrições se manterem durante algum tempo e incluírem, por exemplo, o período da Páscoa. A comunidade portuguesa já fala de algumas alternativas para tentar contornar esta situação?
Não há nenhuma alternativa. Legalmente, acho que, e aqui mais uma vez o governo do Reino Unido criou aqui algumas estruturas à volta disto, portanto, por agora não há voos. Mesmo quando houver voos, é feito um controle muito apertado, tanto na fronteira como pós-fronteira. Temos tanto chamadas pra nós pra saber se estamos em casa, como visitas presenciais. E não há nenhuma maneira de tentar navegar à volta desta regra. Não há mesmo qualquer solução aqui, até porque se formos pra outro país, imaginando que voamos de ou por Espanha, os nossos passaportes são automaticamente reportados ao sistema central do Reino Unido, que quando passamos na fronteira vão perguntar porque é que vimos de Espanha e se fizemos a quarentena obrigatória de 10 dias em Espanha. Isso seria a única possibilidade, é ir para o Reino Unido via outro país da União Europeia, mas temos que passar 10 dias nesse país. Obviamente, isso não é uma solução pra qualquer pessoa que viva ou trabalhe no Reino Unido. Eu não posso estar 10 dias aleatoriamente noutro país da União Europeia, e acabaria por ter custos igualmente altos pra nós.
A comunidade portuguesa está a viajar muito menos do que anteriormente com tantas restrições.
Sim, sem dúvida alguma. Eu acho que falo por qualquer pessoa que eu conheça que trabalhe neste momento em Londres. Havia uma facilidade muito grande de viajar, por exemplo, para Portugal. Havia muitos voos, falamos de cerca de sete, oito voos diários para Portugal e hoje em dia, agora, neste momento, estão cancelados. E mesmo quando não havia cancelamento de voos, mas uma redução bruta, nós víamos um voo para Portugal por dia com muita sorte. Portanto, isso reduz muito as nossas possibilidades. Há muitos portugueses que não veem a família há quase um ano. E isto obviamente que é algo bastante mau para as pessoas que estão cá, que estão obviamente a explorar os seus desafios profissionais fora, mas que têm muita pega ao seu país e que neste momento não podem estar com a sua família.
Notam uma grande diferença entre o tratamento e a facilidade que outras pessoas têm em deslocar-se para outros países, comparativamente com Portugal?
Eu acho que desde o primeiro dia houve um tratamento um bocadinho diferenciado aos portugueses, porque há que recordar, aliás, que os tratamentos de Inglaterra versus Portugal sempre foi diferenciado, negativamente, entenda-se, porque nós já estivemos fora do corredor aéreo na maior parte do tempo. Ou seja, a partir do momento quando o Reino Unido criou esta ideia dos corredores aéreos, nós quase nunca estivemos incluídos, excetuando duas ou três semanas em setembro, se não estou em erro. E nessa altura com critérios muito poucos explícitos, muito pouco transparentes, e que o governo português, a meu ver, tem estado muito aquém do que deveria estar para proteger o que é uma das maiores comunidades portuguesas fora de Portugal que existem no mundo. E tem, de facto, estado muito atrás, porque nós temos visto cada vez mais sermos impostas mais limitações voar para o nosso país, quando não se isso noutros países da Europa, que obviamente Portugal agora está a sair numa situação muito difícil, mas que, na verdade, não estão assim tão atrás de Portugal em termos de número de infeções, número de casos, número de mortes.