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Precisamente com o objetivo de aferir se as eleições decorrem de forma livre e justa, está em Angola, na qualidade do observador, o antigo ministro adjunto José Luís Arnaut, a quem agradeço a disponibilidade para estar conosco nesta edição da "Uma da Tarde", a partir de Luanda. Boa tarde, bem-vindo. Está tudo a correr dentro dos limites da legalidade?

Boa tarde. Do que tanto hoje de manhã, mais de uma dúzia de assembleias de voto na região de Luanda, que tive ocasião de observar, e os dados que tenho de outros observadores internacionais é que o processo eleitoral está a correr com toda a normalidade, como era esperável e era desejável em termos de organização, em termos de inclusivamente de adesão ao voto. Não foram diagnosticadas quaisquer irregularidades e o que pude constatar é a normalidade absoluta naquelas, pelo menos, mais de uma dúzia de mesas de votos, onde tive ocasião de estar e falar com os delegados e falar com alguns responsáveis e, obviamente, até falar com os representantes dos partidos mais significativos.

Adalberto Costa Júnior, o líder da UNITA, veio já expressar esta manhã alguma preocupação relativamente à transparência do ato eleitoral. Põe em causa a recusa manifestada alguns eleitores de poderem exercer esse direito de voto. Têm razão de ser estas preocupações?

Eu estive ontem com o presidente Chissano e com o antigo presidente de Cabo Verde, Fonseca, numa reunião de três horas com o líder da UNITA. E portanto, ouvimos aquelas que são as suas observações, ouvimos os seus comentários e obviamente é legítimo, do ponto de vista da luta democrática, haver este conjunto de tentativa de aperfeiçoamento. O processo democrático é um processo evolutivo. Estas eleições em Angola são sem dúvida, e têm que ser vistas como um processo evolutivo em termos do aprofundamento da democracia neste país. E nós em Portugal também temos nas urnas eleitorais sempre um conjunto de mortos enormes que não conseguem ser limpos dos cadernos eleitorais de ano para ano, de eleições para eleições. Todos os países têm as suas situações que devem ser corrigidas, aprofundadas e melhoradas do ato eleitoral. Eu penso que seguramente deste ato eleitoral sairão ilações que vão permitir que não se repitam no próximo ato eleitoral, o mesmo que também acontece e aconteceu em Portugal em muitas e outras anteriores eleições.

O trabalho dos observadores termina no momento em que encerrarem as urnas ou há trabalho para além desse momento?

Nós estamos aqui para observar o processo eleitoral. O processo de contagem eleitoral não é automático e não vai terminar hoje. Angola é um país muito grande, tem problemas de comunicação e de distâncias enormes. O apuramento final das atas eleitorais ocorrerá no dia de hoje, mas a sua unificação e a sua chegada à Comissão Nacional de Eleições demorará ainda alguns dias. Vamos aguardar com toda a serenidade esse apuramento dos resultados que estão a ocorrer. A campanha eleitoral, é preciso dizê-lo, correu com toda a normalidade. É um sinal de grande vitalidade de uma democracia neste país. Não houve um incidente em termos de campanha eleitoral, o que é uma coisa muito relevante. Vamos ver como é que vai decorrer o apuramento dos resultados. Estou confiante. Da reunião que tive ontem com o presidente da UNITA e com o presidente empenhado, o atual presidente João Lourenço, certifico-me com a certeza de que ambos estão empenhados em que este ato eleitoral corra e seja um bom exemplo para a Angola e para a África. Estou seguro de que todos se lutarão. Haverá aqui e ali, eventualmente, algumas perturbações e algumas críticas, mas isso faz parte daquela que é a dialética democrática no processo eleitoral.

A ideia que transparece, a imagem que transparece deste dia de eleições é de um enorme entusiasmo, particularmente entre as gerações mais novas. É também esta a realidade que teve a oportunidade de testemunhar?

Eu testemunhei hoje, só estive em Luanda. E Luanda é uma cidade de juventude, uma cidade onde os jovens têm uma presença muito significativa e muito grande. E há, de facto, uma grande adesão. Eu estive em mesas de voto nos arredores de Luanda, onde já estava praticamente 60%, e outros 30% e outros 40%. Varia muito. Mas a presença da juventude é muito significativa e isso é um sinal de vitalidade também deste país