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Luís Miguel Ribeiro, presidente da Associação Empresarial de Portugal. Hoje vamos falar das insolvências que já foram declaradas desde o início de 2021. Já são mais de mil empresas que declaram insolvência em Portugal apenas nestes primeiros dois meses do ano, o que é também um aumento de 22,4% em relação aos dois primeiros meses do ano passado. Como é que atingimos este valor agora?

Boa tarde às pessoas que me estão a ouvir. Obrigado pelo convite para participar e estar presente, para refletirmos sobre este problema que nós temos vindo a alertar já há algum tempo, que é uma consequência da situação que o país está a atravessar. Estamos, de facto, com uma dinâmica, por um lado, maior em termos de insolvências, menor em termos de criação de novas empresas, o que significa que estamos a ficar com o tecido empresarial mais frágil e com o tecido empresarial mais debilitado. E quando chegarmos ao período da retoma, vamos ter, naturalmente, dificuldades acrescidas para enfrentarmos esse período da retoma de uma forma mais célere, mais sólida, mais consistente e que rapidamente possa também trazer alguma recuperação mais rápida à nossa economia. Estes números não nos surpreendem e eu acho que as coisas ainda vão piorar nos próximos tempos. É uma situação que tem trazido dificuldades acrescidas às empresas. Continuamos com situações muito complicadas porque o volume de negócios continua a cair. As empresas foram fazendo tudo o que era possível, eu diria quase o impossível, para se manterem em funcionamento.

Que medidas em concreto é que pensa que poderiam ter sido tomadas ou que foram retiradas, por exemplo, para que este apoio se concretizasse?

Nós reconhecemos a importância que foi o layoff. Reconhecemos que, de facto, foi importante para que o desemprego não tivesse atingido outros números, o que não quer dizer que não possa vir a atingir. Eu diria que neste momento um dos grandes problemas, a par da falta de mercado ou da dificuldade de colocar os produtos no mercado, é este problema do financiamento, de capitalização, da falta de instrumentos diversificados de apoio ao financiamento e capitalização das empresas. E incluiria aqui, complementarmente, que é preciso termos noção que não podemos terminar de um momento para o outro com as moratórias. Isso será dramático e vai ser dramático para as empresas, mas penso que para o país e para os nossos bancos poderá trazer consequências que acho que ninguém deseja e poderá ser o caminho para aquilo que eu dizia anteriormente, de a seguir a uma crise social e económica, termos uma crise financeira. Não há condições, por um lado, para terminar as moratórias e, por outro lado, há uma necessidade urgente de criar instrumentos de apoio ao financiamento e à capitalização das empresas para que as empresas possam chegar ao período de retoma, que nós ambicionamos que seja o mais breve possível, o menos fragilizadas possível. É importante também, e porque é um importante instrumento de apoio ao financiamento e à capitalização, que se usem rapidamente e bem os programas comunitários, nomeadamente o que falta executar do Portugal 2020, aquilo que chamam bazuca, que já vimos que grande parte dessa fatia vai ser para o Estado, mas que o Estado diz que depois está para as empresas executar, e eu espero que haja a coragem para se criarem mecanismos, salvaguardando e respeitando as regras da concorrência, mas de priorizar as empresas nacionais. Porque uma empresa precisa de um apoio ou de um financiamento para um investimento, ou para aumentar a sua área de produção, ou para comprar um equipamento, seja se for, no momento em que surge a oportunidade e em que surge a necessidade. E por isso que esses programas para as empresas devem estar abertos em contínuo, para que as empresas, quando surge essa oportunidade de aumentarem o volume de negócios e a necessidade de fazer investimento para corresponder a isso, tenham os programas de apoio, de facto, para apoiar. Porque caso contrário, nós estamos aqui a perder oportunidades e os programas comunitários podem também ser um apoio ao financiamento das empresas se funcionarem, naturalmente. E com isto terminava aqui esta nota, ambicionamos e esperamos que o Banco de Fomento venha também a ser uma realidade o mais breve possível, com instrumentos de apoio ao financiamento e capitalização das empresas que cheguem às empresas o quanto antes.