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Francisco Gomes, o PSD é o vencedor destas eleições. André Ventura disse que não há nenhuma possibilidade de acordo de governação com Miguel Albuquerque, pediu para que o PSD proponha outro nome e fez esse apelo a Luís Montenegro. Ora, Luís Montenegro reagiu poucos minutos depois a estes resultados eleitorais e disse, de forma clara, que a vitória não deixa dúvidas e que o PSD deve formar governo e deve ser chefiado por Miguel Albuquerque. Diz até Luís Montenegro que pedir a alguém que ganhou eleições para se demitir não faz qualquer sentido. Perante isto, o Chega vai manter essa ideia de que seria uma traição aliar-se ao PSD e ajudar o PSD a governar?

O compromisso do Chega é com os madeirenses e a nível nacional é um compromisso ainda maior com a reforma do sistema político, na qual está subjacente o combate à corrupção. Um país com esta matriz e com esta vocação nunca poderá dar a mão ou ser boia de salvação a um partido como o PSD Madeira, que é um partido que está profundamente implicado em casos, em suspeitas de corrupção, de favorecimento, de compadrio, de amiguismo, um partido que está profundamente associado às más práticas que têm dominado a política madeirense dos últimos anos. O Chega Madeira não pode, e foi isso que tem sido reafirmado pelo nosso presidente nacional e pelo presidente do Chega Madeira, Miguel Castro, trair o seu eleitorado e os seus princípios em prol de uma falsa estabilidade, ainda mais uma estabilidade que vem por via de uma associação a um partido como o PSD Madeira, que é, em toda a linha, sinónimo de tudo aquilo contra o qual nós combatemos: a corrupção, o amiguismo, o compadrio e o nepotismo.

Deixe-me olhar aqui para os resultados eleitorais. O Chega tem mais votos do que em setembro. Foram 12 mil votos em setembro, 8,9%. Agora cresceu para os 9,2%, mas conseguiu apenas mais 400 votos, mais ou menos 500 votos.

A situação acaba por ser irrelevante, porque o peso político dos quatro deputados que o Chega conquistou agora, que é exatamente o mesmo número que conquistou em setembro de 2023, desses quatro deputados de hoje cresceu exponencialmente, porque sem estes quatro deputados, não há governo à direita na Madeira. Pode haver governo minoritário, se o PSD quiser entrar por essa via, mas não há governo maioritário de direita sem o Chega. Por isso, a relevância que o Chega conquistou com o seu trabalho, com a sua campanha, com o seu compromisso e com a solidez para com os seus princípios, denota de facto que este partido é a aposta dos madeirenses para o combate acérrimo que tem de ser feito à corrupção na Madeira.

Mas essa solidez de que fala não nos ilude, tendo em conta os resultados das legislativas, que aí sim, houve um crescimento exponencial do Chega em número de deputados na Assembleia da República. Não se esperava mais para estas eleições na Madeira? Não há aí alguns elementos de ilusão? Pergunto-lhe diretamente.

São duas eleições incomparáveis. Não podemos comparar unas legislativas regionais com unas legislativas nacionais. A dimensão, os assuntos que estão em cima da mesa, a própria projeção partidária, o próprio discurso de campanha, apesar de haver muitos pontos comuns, têm dimensões diferentes, até porque o envolvimento dos próprios canais de comunicação social na própria campanha e na própria eleição são completamente diferentes. Por isso é uma comparação injusta, e nós sabemos isso. O que os resultados destas eleições denotam relativamente a 2023 é muito simples: à direita, o único partido que cresce é o Chega.

E não havendo nenhum acordo com o PSD, e já percebemos que, pelo menos pelo que diz André Ventura, que não haverá. Há depois negociações e há o orçamento do Estado, há o papel que o partido tem na Assembleia da República. Abster-se-á o Chega no orçamento do PSD?

É muito difícil antever qual será o sentido de voto num orçamento, num programa de governo que é votado até antes de um orçamento. É muito difícil adivinhar qual será o sentido de voto relativamente a documentos e propostas das quais nós não temos conhecimentos. Eu não serei parte ativa nesta negociação.

Mas diz que não rejeita desde já uma abstenção. O Chega rejeita um acordo de governo, mas não rejeita apoio parlamentar neste sentido.

O que é muito claro, e a navegação já está toda avisada, é que o Chega não trai os seus princípios em troca de falsa estabilidade. Isto quer dizer o quê? Quer dizer que o nosso compromisso maior é com a mudança política na Madeira. Às vezes as mudanças são complicadas, às vezes as mudanças são difíceis, às vezes as mudanças nem sequer são bonitas ou confortáveis, mas têm de acontecer. Às vezes têm de acontecer nas nossas vidas, às vezes têm de acontecer na política. E a mudança política tem de acontecer na Madeira. Seja por que via for.