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Junta-se agora a esta emissão especial João Vieira Lopes, presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal. Agradeço-lhe também por poder estar conosco. Estas medidas foram anunciadas para as famílias. No que toca às empresas, só depois do Conselho de Energia a nível europeu que vai apresentar essas medidas. Portanto, a pergunta que lhe faço é: por omissão, estava à espera que o governo anunciasse mais alguma coisa de relevo para as empresas? Ainda hoje.

O governo tinha indicado que, neste momento, não iria indicar nada especificamente para as empresas. Naturalmente, aquilo que o governo, neste momento, está a apresentar aos consumidores, no caso particular do comércio e do serviço ao consumidor, é importante, porque nós não temos qualquer dúvida, como aliás temos vindo a dizer, que dificilmente os aumentos salariais poderão acompanhar a inflação. Estas medidas têm um aspecto positivo, permitem que alguns segmentos da sociedade de rendimentos baixos e alguns médios poderem ter algumas medidas de apoio. Isso é positivo, era uma das nossas preocupações. No entanto, é claramente insuficiente. Ou seja, neste momento, além deste conjunto de medidas pontuais, nós pensamos que vai ter que ser feita uma atuação mais profunda na área fiscal, quer para os cidadãos, quer para as empresas. Para os cidadãos, em termos de IRS, não vemos que sem algum alívio em termos de IRS, haja capacidade para limitar a perda do poder de compra, e a perda do poder de compra vai ter influência na atividade das empresas e, naturalmente, até no desemprego.

Mas indiretamente, há aqui medidas que, pelo que me está a dizer, acabam por ser positivas.

Sim. Aliás, nós nunca nos opusemos a que o governo atuasse em termos de consumidor. Agora, em termos de empresas, pensamos que vai ter que haver algum alívio também fiscal, para que as empresas consigam, por um lado, melhorar os patamares salariais, que dificilmente acompanharão a inflação, mas podem se aproximar, e por outro lado, depois da pandemia, de toda a problemática da energia e dos aumentos das matérias-primas, e toda a problemática do que tem sucedido a partir do momento em que se iniciou a guerra na Ucrânia. A ameaça de subida das taxas de juro vai transformar o financiamento num elemento mais caro. Nós esperamos que agora o governo complemente estas medidas com medidas significativas para as empresas, e muitas têm que ser imediatas, porque o governo tem alguma tendência para colocar também bastantes medidas no orçamento do ano que vem. Ora, o principal choque vai-se dar agora nos próximos meses e pensamos que muitas dessas medidas poderão ter necessidade de ir à Assembleia da República, porque são medidas que têm impacto fiscal, mas a isso, se necessário, da nossa parte, não vemos por que não possa haver um orçamento retificativo.