Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

França teve ontem o dia mais quente de sempre desde que há registro. Foram batidos vários recordes absolutos de temperatura. Os termômetros ultrapassaram os 40 graus, sobretudo na região ocidental de França. É o que indica o Serviço Meteorológico Francês, quase todas as regiões do país estiveram sob aviso vermelho. Pelo menos 40 pessoas morreram afogadas em zonas não vigiadas. O número foi avançado ontem pelo Primeiro-Ministro, que fala num triste flagelo. Está conosco em direto neste jornal Carlos Pereira, o diretor do LusoJornal em França. Carlos, bom dia, obrigada por estares aqui conosco. Antes de tudo, como é que foi a noite? As temperaturas também estão muito altas durante a noite, foi assim também agora?

Sim, ainda continua a ser. Muito bom dia. E esse é também o problema, é que aquece muito durante o dia. As temperaturas chegam a 40, 45 graus em certas cidades, mas não descem à noite. Não descem abaixo dos 25 e isso não ajuda a refrescar as casas de noite. E, portanto, as pessoas não conseguem ficar em casa, esse é também um problema, ou fecham-se, é preciso fechar completamente, e vão recorrer durante o dia, às vezes, em bibliotecas.

Zonas climatizadas.

Alargaram os espaços onde é possível ficar durante o dia ou vão pro cinema, de forma a ter algum espaço mais fresco.

E ontem houve este número assustador, 40 mortes associadas indiretamente ao calor por afogamento. Que explicação é que as autoridades dão para um número tão elevado de vítimas?

As pessoas vão se refrescar em rios, muitas vezes, em barragens, e são zonas que não são vigiadas, e depois acontece isso. E, portanto, esta é muitas vezes a solução a ter, se se vive em zonas onde o calor é muito grande. Já não é a primeira vez que a França aquece assim. Houve já outros anos onde houve mortes e nomeadamente de pessoas idosas, ainda vão ter de ser contabilizadas aqui este ano, mas acontece que já aconteceu pelo passado, que períodos como este mataram pessoas que estavam em situação isolada. E daí também as câmaras municipais reagirem e terem equipas a visitarem pessoas que vivem isoladas, levando-lhes água, obrigando, levando as pessoas a beber, levando-lhes água, e motivando as pessoas a beber. E isso está um pouco por todo o país assim, porque de facto metade da França está no alerta vermelho e nunca houve uma situação assim tão grande em que um território assim tão grande estivesse em situação de alerta vermelho. E o resto da França está no alerta laranja, portanto, também não está muito melhor.

Claro!

E é esta dimensão que faz com que, de facto, a situação seja inédita.

E ontem o governo francês reuniu-se até de emergência. Que medidas concretas são essas? Há uma preocupação com os mais desprotegidos, como os idosos. A gestão política está a corresponder às expectativas perante uma situação que é tão estranha, tão nova?

Sim, bem, isto implica domínios como a cultura. Existem festivais que estão a ser anulados ou então levados a horários mais noturnos, onde não esteja assim tão quente. Na economia, onde as empresas são motivadas a mandar os empregados em teletrabalho ou os que não podem, a começar muito mais cedo e a acabarem muito mais tarde. E já se fala em cerca de 200 mil milhões de percas em empresas, no mundo empresarial, devido à falta da produtividade, absenteísmo, etc. E também há danos provocados. Os transportes, aqui há muitos atrasos atualmente em comboios, os carris deformam-se devido ao calor e isso leva a que haja estas implicações. E também as escolas. Durante muitos anos, o mês de junho não era assim tão quente. E agora, as escolas não estão adaptadas a este calor. Os miúdos são mandados pra casa ou então juntam-se em sítios mais frescos e decorrem atualmente os exames do BAC, o 12º ano. Aqui tem uma importância muito grande estes exames e estão a decorrer nestas situações. São horários que são adaptados, etc. Isto leva a vários ministérios implicados aqui nesta reflexão. Uma coisa é resolver o assunto agora, a outra coisa é o resolver depois e mudar as instalações escolares, ficará num custo financeiro muito grande, mas é necessário fazê-lo, já que os meses de junho não eram muito quentes e agora estão a começar a ser cada vez mais quentes.

São desafios pro futuro. Agora é lidar, de facto, com estas altas temperaturas durante tantos dias. Será pelo menos assim até ao final desta semana. Carlos Pereira, muito obrigada pela descrição trazida aqui do que se vive em França. O Carlos Pereira é jornalista, é diretor do LusoJornal em França. Ora, outros exemplos do que está a acontecer no país. A Torre Eiffel e o Museu do Louvre, por exemplo, encurtaram as horas das visitas. Milhares de escolas fecharam. Há o conselho para o teletrabalho. Por cá, as temperaturas descem ligeiramente. A situação é incomparavelmente diferente. Vila Real, Bragança, Guarda estão sob aviso amarelo por causa do calor. Alguns distritos do Norte, Centro e Alentejo, espera-se chuva e trovoada