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Eu sei que entretanto a FNAM também já lançou um comunicado, até a apontar também críticas nesse sentido. Falava na questão do grito que o ministério não queria ouvir. E é precisamente o que eu gostava de pegar por aí, Noel. Tendo em conta estas declarações que Marta Temido teve à comunicação social após já ter falado conosco, Noel, neste caso, gostava de lhe pedir uma reação a essas palavras e até mesmo este comunicado que a própria FNAM também lança.

Sim, o comunicado é de decepção por não encontrarmos da parte do ministério nenhum tipo de proposta concreta em relação aos problemas que são bastante reais e, portanto, não podemos laborar no desconhecimento. Nós levamos as nossas propostas. Não são propostas recentes, porque os problemas são antigos. O que é certo é que não obtivemos nenhum tipo de proposta concreta sobre a qual nos pudéssemos debruçar. Do que pude ouvir agora das declarações da ministra, que deu agora uma conferência de imprensa, as declarações continuam a ser tão vagas quanto possíveis, porque fala num plano de contingência, que é sempre uma boa expressão para se empregar quando não se tem plano nenhum. E fala de um eventual impacto na remuneração, que também não explica minimamente o que é. Portanto, continuam a ser declarações muito vagas e não é de declarações vagas que o país precisa. Precisa de medidas concretas que tragam, nomeadamente, os médicos para o Serviço Nacional de Saúde. E reconhecendo que há esse problema, reconhecendo que há essa impossibilidade de dar, neste momento, que as condições de trabalho oferecidas aos médicos no SNS não são as adequadas, de forma perfeitamente incompreensível, não há medidas que sejam desenvolvidas nesse sentido. Toma-se isso como algo perfeitamente impossível de resolver. Não se percebe por que não há de ser possível atuar nesse sentido, se é esse o problema. E ficamos com o problema por resolver. Até este momento, não estamos a ver o que é que esteja a ser feito para melhorar esta situação e outras mais que venham, até porque, repetindo, esta não é uma situação pontual, por mais que nos queiram vender que assim é. Quem trabalha no SNS percebe que esta é uma situação estrutural e que só teremos que aguardar. Infelizmente, aconteceu esta situação que foi agora midiatizada. Não foi nada que nos surpreendesse. Nós prevenimos em bom tempo e estamos agora a prevenir, de novo, em bom tempo, que esta não será uma situação única, porque não atuando na raiz do problema, é óbvio que o problema se voltará a repetir. E é normal que se venha a repetir nas circunstâncias em que há mais pressão sobre o SNS, que venham a conhecer-se mais essas situações, que são rotineiras.