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Até 9 de janeiro é possível entrar no cinema com a apresentação de um autoteste negativo. É uma atualização de uma norma da Direção Geral da Saúde, que foi publicada hoje. O setor já tem pormenores de como é que isto será feito, como é que isto vai acontecer?

Nós não temos pormenores, mas imaginamos que será da mesma forma que noutros sítios, por exemplo, na restauração. Eu compreendo os esforços da DGS em tentar manter uma certa normalidade, mas é fundamental que o governo compreenda os esforços das estruturas, das companhias, das empresas, que estão também a fazer um esforço para tentar ter alguma normalidade no meio desta situação que vivemos, que não está nada longe dos momentos mais difíceis que foram passados pelo setor, tirando a suspensão efetiva da atividade. Não está nada longe dos outros momentos mais difíceis, em que a atividade extremamente condicionada, fica muito cara de exercer. As dificuldades são imensas, o número de pessoas nas salas também está limitadíssimo. Era muito importante que o governo tivesse noção que os apoios extraordinários, que nunca chegaram da forma mais correta, nunca chegaram na dimensão certa, que nunca foram colocados cá fora até após a aprovação de meios no Orçamento de Estado para 2021, ou seja, que não foram executados. É fundamental o governo perceber que quando nós andamos a repetir há muito tempo que as medidas de emergência continuam a ser fundamentais, tem aqui um exemplo, porque vivemos com muitas dificuldades e vemos muitas dificuldades para todo o setor. E ao mesmo tempo preocupa-nos muito se os trabalhadores vão fazer esses testes, como é que vão fazer, se vão fazer de forma a estarem protegidos. Há aqui muitas questões, para nós têm sempre uma resposta a montante, que é apoios, olhar para esta situação excecional e ter em conta que nós temos que existir para lá do Covid e é através de um esforço coletivo que isso se consegue. A começar pelo próprio governo.

E para além disto, a Direção Geral da Saúde definiu que é proibida a gestão de alimentos ou bebidas no interior das salas. Como é que isso vai afetar o setor? Isto é parte significativa da receita, certo?

Sim, afetará de certeza os empresários, eles dirão. Nós sabemos que muitas dessas casas e muitas destas estruturas dependem também dessa receita e eles têm também exigido esses apoios extraordinários para que as salas de cinema não acabem por fechar. Portanto, é óbvio que esses apoios se refletem nos trabalhadores e na situação que eles vivem, na garantia do seu emprego e do pleno emprego. É para aí que temos que caminhar e perceber o que o governo tem em mãos. Se somado a estas exigências todas e a estas regras todas, vem depois o outro lado da moeda, que é o lado dos apoios, até porque o governo tem disponibilidade para o fazer e existe um Orçamento de Estado que o permite. Portanto, não há nenhuma razão, e estamos a falar do orçamento de 2021 ainda, não há nenhuma razão para não o fazer. Aliás, 2022 afastou-se disso e depois as consequências estavam à vista. O governo afastou-se da sua própria responsabilidade. Tem hoje um cenário de eleições em que procurou afastar-se dessas responsabilidades. E nós temos um problema objetivo com o Orçamento de Estado, que precisa de garantir apoios e garantir que a sociedade sobrevive a um tempo que, afinal, ainda não acabou.

Há trabalhadores que estão alocados exclusivamente aos bares e à venda de alimentação nos cinemas. Considera que isto pode pôr em causa esses postos de trabalho?

Se os proprietários puderem recorrer ao layoff simplificado, tendo em conta que não haverá trabalho, penso que é uma garantia de que estes trabalhadores sobrevivem a esta situação. O problema é a manutenção das estruturas e os custos das estruturas que são permanentes. Ou seja, eu acho que há solução para estes trabalhadores, mas haverá solução para um setor sem público, quando se depende completamente do público? Esta é que é a grande questão. E é isto que é preciso também avaliar. Portanto, reclamam-se apoios, sempre se reclamaram, eles nunca foram efetivados da forma correta e na dimensão certa. Esperemos que o layoff sirva alguns destes trabalhadores, caso isso seja necessário, porque é um período curto, mas esperemos também que o governo olhe para este setor da forma que nunca olhou, nem após estes dois anos