O ministro da Presidência afirmou esta quarta-feira que “invadir, fazer intrusões em espaços de comunicação social é grave numa democracia”, quando questionado sobre os incidentes na Rádio Universidade de Coimbra (RUC).

António Leitão Amaro respondia a questões dos deputados na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito de uma audição regimental.

Sobre a “entrada na Rádio Universidade de Coimbra, deixe-me dizer-lhe, há três situações, duas e uma à parte que aconteceram neste período”, mas “eu não as quero equivaler, mas já agora que me pedem declarações eu queria fazer a avaliação sobre todas”, começou por dizer o governante.

Primeiro, “parece-me que todos os órgãos de comunicação social devem promover o pluralismo e não devem fazer escolhas preferenciais por orientação face ou em contradição com a representação que os parlamentos ou as autarquias deram”, salientou.

Na sua opinião, “não deve haver autarquias que são banidas de cobertura porque são eleitas pelo Partido Comunista ou pelo Partido Chega ou pelo Partido Socialista ou pelo PSD ou pelo CDS ou independentes”.

O mesmo deve ser aplicado a todos: “Pluralidade e neutralidade nesse plano”, sublinhou.

Provavelmente, “este debate poderá não ter ocorrido com todas essas condições, há uma investigação a correr”, referiu.

Independentemente disso, “a intrusão num órgão de comunicação social é um facto grave, indesejável e condenável, não há dúvida nenhuma”, considerou.

“Devemos, em liberdade, usar as palavras para expressar as nossas visões e as nossas discordâncias, devemos utilizar os mecanismos da lei para fazer valer os nossos direitos”, prosseguiu o ministro.

Agora, “não devemos usar a força, não devemos violar a propriedade. Não devemos violar o espaço de liberdade dos outros para expor as nossas posições. Por isso também não gostei de ter recebido uma imagem de uns manifestantes a empurrarem a repórter e o repórter de imagem de um órgão de comunicação social no meio de uma manifestação”, destacou.

“Eu já nem vou entrar na deliberação de uma assembleia popular de excluir os jornalistas porque eu aí admito que possa ser uma questão de organização do espaço.”

Mas “acho que o empurrar, o intimidar, o invadir, tudo isso é indesejável. É a vandalização […] da propriedade pública [é] altamente condenável. Não precisamos de ultrapassar os limites da discordância discursiva, não devemos ultrapassar os limites da liberdade”, rematou.