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Junta-se em direto este jornal das 11 precisamente, Rute Agulhas, a coordenadora do grupo Vita, que acompanha as vítimas de abusos sexuais na Igreja. Boa noite, Rute. Obrigado por estar em direto conosco. Como é que nos pode descrever o encontro que decorreu ao fim da tarde?
Boa noite. Este encontro foi um encontro com grande impacto emocional em todas as vítimas que puderam estar presentes. Foi um encontro em que puderam ter o seu espaço e puderam partilhar aquilo que entenderam e em que o Papa efetivamente manteve uma postura de clara escuta, empática, em que estava claramente disponível do ponto de vista emocional para ouvir cada uma destas pessoas. E que no final, quando todas elas tinham dito aquilo que entenderam, pôde falar então algumas palavras, expressou a sua vergonha por este tipo de situações no seio da Igreja, pediu perdão em seu nome pessoal e em nome da Igreja. Encorajou-nos a nós, enquanto grupo Vita, no sentido de continuarmos este caminho de escuta, mas acima de tudo também depois do acompanhamento que estas vítimas precisam. E foi, portanto, um momento que acreditamos tenha sido efetivamente muito reparador para todas estas pessoas.
E no seu entender, Rute Agulhas, de que forma é que o Papa se mostrou disponível para receber esses testemunhos que foram dados nesse encontro?
Mostrou-se disponível, talvez da forma mais aberta que possa existir, que é dando espaço e dando a palavra a quem quisesse, pela ordem que quisesse, o tempo que quisesse. Portanto, não sentimos qualquer pressão, tendo em conta o adiantado da hora, não sentimos qualquer pressa neste processo de escuta e todas as pessoas saíram de lá, e depois eu e mais dois elementos do grupo Vita que estivemos com as vítimas dentro da sala, tivemos algum tempo ainda a falar com estas pessoas, já fora da Nunciatura, num outro contexto, e percebemos que para todas elas, sem exceção, foi de facto um momento muito reparador, que fez a diferença. Fez a diferença no caminho, enfim, de reparação e de reconstrução das suas vidas, que é um caminho que continua a ser percorrido, naturalmente, mas sentimos que foi de facto muito positivo para todas as vítimas, sem exceção.
Ou seja, mesmo para aquelas que não estiveram nesse encontro, pensa que este encontro e também as palavras que o Papa Francisco foi deixando durante o dia de hoje, foram também importantes para todas estas pessoas?
Sim, até porque não só nós, enquanto grupo Vita, mas também algumas vítimas individualmente tomaram essa iniciativa de levar por escrito e entregámos alguns testemunhos, algumas cartas, para que o Santo Padre possa ler num outro momento. Portanto, estas pessoas de alguma forma estiveram presentes, dessa forma simbólica, através da sua carta e do seu testemunho escrito, mas também todas as outras pessoas, não só que nós conhecemos, que as comissões diocesanas conhecem, as próprias vítimas conhecem também outras pessoas neste contexto e portanto acabam por levar aqui um pouco esta palavra, que vai para além daquilo que foi dito ali naquela sala, e que acreditamos que cada uma destas pessoas depois consiga fazer esta partilha para outras pessoas que lhes são mais próximas. E nós, enquanto grupo Vita, temos também esta função neste momento de fazer chegar estas palavras a todas as outras vítimas que já nos pediram ajuda, mas que naturalmente não puderam estar presentes, tendo em conta que o grupo também não podia ter uma dimensão muito grande.
Rute Agulhas, muito obrigado por ter estado em direto conosco a partilhar aqui um pouco do que foi esse encontro com o Papa Francisco. Rute Agulhas, que é coordenadora deste grupo criado pela Igreja Católica em Portugal para acompanhar vítimas de abusos sexuais de menores no contexto da Igreja e que nos ajudou aqui a perceber também um pouco do que se passou esta tarde na Nunciatura Apostólica em Lisboa