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Paulo Morais tem se pronunciado sobre este caso de João Rendeiro nos últimos tempos. Chegou a pedir, inclusive, ao Conselho Superior da Magistratura um esclarecimento público urgente e definitivo sobre o ponto de situação do antigo banqueiro. O que dizer agora desta fuga de João Rendeiro?

Esta situação era infelizmente previsível. Depois de todo um conjunto de manobras dilatórias que João Rendeiro e os advogados que o apoiam foram conseguindo, de alguma forma, através das quais foram conseguindo ludibriar o sistema de justiça, conseguiram que, no final, mesmo depois do Tribunal Constitucional se ter pronunciado sobre o assunto e ter transitado em julgado uma pena que o condena, recordo, a cinco anos e oito meses de prisão efetiva, mesmo assim João Rendeiro consegue viajar para Inglaterra, é autorizado para viajar para Inglaterra porque o tribunal não lhe fez aquilo que se exigiria, no mínimo, que era cassar o passaporte. E naturalmente, uma vez Inglaterra fora da União Europeia, João Rendeiro acabou por conseguir viajar para onde entender e vai ficar fora da alçada da justiça portuguesa. João Rendeiro, com esta atitude, humilha de uma forma triste a justiça portuguesa, que se deixou deliberadamente ludibriar por João Rendeiro e os seus advogados. Porque há que frisar aqui um aspecto: os tribunais poderiam, em primeiro lugar, ter sido mais céleres nas decisões que tomaram. Eu recordo que o Tribunal Constitucional toma uma decisão sobre esta matéria antes das férias judiciais e protela todo o trânsito em julgado de forma ou negligente ou deliberada para 17 de setembro. E mesmo nessa altura, permitem que João Rendeiro, depois de ter comunicado ao tribunal que se ia ausentar para Inglaterra, o tenha podido fazer. Portanto, isto não é admissível e muito menos é admissível que depois do trânsito em julgado, ainda não tenha sido até hoje emitido mandado de captura com os meios informáticos que hoje existem. Por que razão não passou o processo do Tribunal Constitucional para o Supremo, enfim, para o Tribunal de Primeira Instância que o condenou, de imediato? Hoje há processos informáticos de conseguir proceder a toda esta tramitação no imediato, em segundos, e no entanto a justiça permite-se estas demoras que beneficiam quem foge claramente à justiça. Por isso, hoje é talvez dos dias mais tristes para a justiça portuguesa, mas enfim, infelizmente muitas destas situações se repetem e aqui João Rendeiro dá uma lição ao sistema de justiça e a todos nós dizendo: os poderosos em Portugal são completamente impunes, são até quase inimputáveis.