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Para analisar este caso, junta-se a nós em direto Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas. Filinto Lima, obrigado por ter aceitado o nosso convite. O governo, Filinto Lima, assegura que há condições para realizar estas provas de teste. Há, no entanto, vozes que demonstram preocupação. É o caso da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas. As escolas e os alunos estão preparadas para este teste que antecede as provas oficiais?
Bom dia e obrigado pelo convite. Nós tudo fizemos, tudo estamos a fazer para que, de fato, não aconteça aquilo que se deu no ano passado e que vocês agora reportam, que é o recuo ao nível das provas finais do nono ano. Portanto, também queremos, todos queremos, com certeza, que as provas digitais do quarto e do sexto e também do nono ano sejam realizadas em formato digital. Agora, é verdade que o Ministério da Educação, como disse o senhor secretário de Estado, disponibilizou verba em finais de outubro para nós adquirirmos mais computadores. Estamos a fazê-lo, com certeza, já o fizemos em muitos casos, mas isto também envolve, em algumas situações, concurso público. Portanto, essas provas de ensaio, que amanhã terão o seu início, também permitirão saber se as escolas, na verdade, estão preparadas para avançar com o formato digital das provas de quarto, sexto e nono anos de escolaridade. Há mais uma situação de constrangimento, que é a greve. Greve, como vocês disseram, decretada pela SEMPRO e também pelo STOP, é uma greve que pode trazer constrangimentos ao desenrolar normal destas provas de aferição, destas provas-moda e das provas finais, as provas de ensaio, que decorrerão até final deste mês de fevereiro.
Mas Filinto Lima, com esse pré-aviso de greve emitido, estas provas podem estar em algum tipo de risco de se realizarem?
Com certeza, depende do grau de adesão dos professores em cada escola, a cada disciplina. Os diretores já destacaram professores, há um calendário onde os professores são destacados para a realização, para as vigilâncias, para a aplicação dessas provas. Agora, nós não sabemos em cada escola como é que vai ser a adesão dos nossos professores, mas é um constrangimento do qual, penso eu, nós não estávamos à espera, embora, com certeza, a greve é um direito legítimo por parte dos sindicatos. Além disso, é preciso também testar a rede, a conectividade, a rede da internet nas escolas. Isso vai acontecer e vamos testar e poderemos ter que fazer alguns ajustes para que na altura do dia D, o dia D é a aplicação, de fato, das provas finais, que será em finais de maio e também em junho, a situação ou as situações estejam regularizadas, se assim for necessário.
Filinto Lima, há pouco falava da questão do investimento. As escolas têm muito falado nesta necessidade. Falam em 45 mil computadores que estarão ainda em falta ou a ser comprados ou a ser reparados. Qual é a realidade neste momento que antecede este teste das provas digitais?
O Ministério da Educação, como eu disse há bocadinho, de fato, está a contemplar as escolas com uma verba para que as escolas possam adquirir os computadores que estão em falta. Ou seja, nesse aspeto, estamos melhor, porque temos recebido computadores nas últimas semanas, de acordo com os concursos públicos que cada escola está a desenvolver. Agora, é preciso perceber, e as provas de ensaio também servirão para isso, para além de testar os conhecimentos dos nossos alunos, é preciso perceber, de fato, se todas as escolas, todos os alunos que vão fazer essas provas, de fato, têm o material digital à sua disposição. E já agora, deixa-me dizer, era necessário, e isto é em jeito de rodapé, que se dê às escolas do nosso país um técnico de informática. As escolas, de fato, têm muitos computadores, têm milhares de computadores distribuídos pelos seus alunos, distribuídos pelos seus professores, mas não temos a figura do técnico de informática, que será uma pessoa que fará reparações, até reparações ligeiras, e sendo necessário que o computador, quando está avariado, vá para uma empresa onde demora muito tempo a ser arranjado e volta à escola. Portanto, um técnico de informática numa escola pública, hoje em dia, é uma figura essencial no nosso panorama educativo.
Filinto Lima, uma última questão. O governo diz que não está em cima da mesa um regresso às provas em papel, como aconteceu no ano passado. Se este teste não correr bem, é uma posição que vai ter que ser revista?
Eu penso que esse teste vai correr bem. Agora, no ano passado, também por esta altura, aliás, em abril, dizia-se que, de fato, as provas finais do nono ano iriam ser feitas por meios digitais. E depois percebemos que o governo teve que recuar. Foi uma decisão, portanto, diferente daquela que estava planeada desde o início. E voltamos às provas em papel e esferográfica. Temos que perceber. Eu penso que não, penso que não é o caminho, penso que a maior parte das escolas estão preparadas para este grande desafio, para dar o salto e, portanto, temos é que aguardar os próximos dias para perceber onde é que poderá haver falhas e fazer os devidos ajustes com o apoio, com certeza, do Ministério da Educação.
Muito obrigado, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas, a analisar as provas de ensaio que arrancam amanhã. São testes que não contam para nota e que têm o objetivo de identificar falhas no sistema antes das provas finais.