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Luís Menezes, diretor executivo da Unilabs. Têm existido relatos de que os testes PCR estão a demorar um pouco mais do que seria previsto, mas Dr. Luís Menezes, há aqui um mal-entendido. Os resultados dos testes estão a chegar dentro do previsto.
Obrigado pela pergunta. Nós até dia 20, 21 estávamos a entregar os testes com 24 horas e a partir de 22, 23, inclusive até temos o cuidado de informar na semana anterior que os testes seriam nesses dias entregues até 24 a 48 horas. E é o que desde essa altura temos conseguido entregar, ou seja, estamos com uma média de tempo de entrega a rondar as 36 horas. Estamos a entregar quase todos os resultados abaixo das 24 horas, mas ainda temos alguns resultados que passam isso porque os volumes que na última semana apareceram foram, de facto, muito grandes e temos pessoas a trabalhar 24 horas por dia no laboratório há mais de um mês. Mas neste momento estamos a entregar ainda dentro dos prazos que estamos a prometer às pessoas.
Doutor, tinha-me dito há pouco também que a Unilabs tem feito uma média de 12.500 testes por dia, agora nos últimos dias.
Sim.
Este é um número maior do que o habitual, não é? Quero perguntar qual é que eram os números antes disso, qual é a diferença de que estamos a falar?
Estávamos a fazer na semana antes do Natal, uma média de 5000, 6000 testes por dia. Na semana do Natal, uma média de, porventura, 10.000, 10.500 testes por dia, com um pico no dia 23. E esta semana os volumes estão todos os dias nos 12.500, 13.000. Têm estado muito à volta disto. Nós ainda temos mais alguma capacidade de testagem, mas não queremos prejudicar o tempo de entrega no resultado, podendo fazer mais testes diariamente. Ou seja, estamos a querer balancear bem o número de testes que fazemos para manter o nosso tempo de resposta, porque as pessoas querem a resposta o mais rapidamente possível, mas nesta fase estamos a cumprir com aquilo que prometemos, que é um prazo de entrega entre 24 a 48 horas.
Ou seja, quem fizer o teste ainda durante o dia de hoje, a contar para a passagem de ano, pode não conseguir ter o resultado a tempo.
Quem fizer o teste hoje, a contar para a passagem de ano, no dia 31, devia saber que, pelo menos no nosso laboratório, pode não receber o teste durante o dia de amanhã. Muitas pessoas vão receber, outras não vão receber. E nós informamos as pessoas todas devidamente disso, porque o nosso prazo de entrega é entre 24 a 48 horas. E nós estamos preocupados com toda a gente, com quem precisa do teste por motivos de saúde, com quem precisa do teste por outros motivos. Mas não podemos, nesta fase do campeonato, nem nós nem ninguém, fazer milagres. Por isso, quem está a fazer o teste hoje, sabe e está informado de que o teste pode ser entregue até 48 horas.
Doutor, deixe-me também perguntar: com esta subida da procura pelos testes PCR, tem havido falta de testes ou ainda vai chegando para todos?
Não, falta de testes não há. Ou seja, a nível daquilo que é a cadeia de abastecimento, que foi um problema nalgumas fases da pandemia, neste momento não é um problema. O problema maior está em recursos humanos para as zonas das colheitas e no facto de nós também, e o setor da saúde como um todo e todos os setores, estarmos a ser afetados com os casos de isolamento, com os casos de pessoas com testes positivos, que todos os dias retiram 10 a 15 pessoas às nossas equipas. Por isso, todos os dias, à noite, temos uma luta grande para conseguir perceber como é que no dia seguinte mantemos todas as nossas operações. Não é só o Covid, é as análises clínicas tradicionais, a imagem, a anotação patológica, a genética, tudo, a funcionar sem disrupções, porque não queremos também deixar o diagnóstico tradicional para trás.
E esta situação, esta procura agora dos testes estará claramente ligada com a passagem do ano. Espera que a situação volte ao normal depois do dia um?
Eu a única coisa que já aprendi durante estes quase dois anos que levamos com o SARS-CoV-2, é que prognósticos antes do fim do jogo, não vale a pena fazermos muitos. Nenhum de nós imaginou contar estar neste momento com um pico de casos tão grave. Por isso, eu não sou epidemiologista, nem sou especialista. Não sei exatamente como é que em janeiro as coisas vão acontecer. Os especialistas preveem que haja um aumento de casos. Vamos ver agora qual é o comportamento nas próximas semanas. Temos é que estar preparados e nós estamos a tentar reforçar a capacidade para as primeiras semanas de janeiro, que espero, muito sinceramente, que não tenhamos que usar.