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Temos três valores muito relevantes no anuário. O primeiro deles, a contribuição do futebol português para o PIB, que aumentou novamente para 550 milhões de euros, cerca de 0,25% do PIB em Portugal, o que continua a demonstrar a capacidade económica e o contributo que os clubes portugueses atribuem para a economia portuguesa. Depois, em termos de emprego gerado, temos cerca de 3800 postos de trabalho gerados pelo futebol em Portugal, que tem aumentado consecutivamente em todos os anos, muito por via da maior profissionalização dos clubes. Como imagina, o número de atletas são relativamente os mesmos e a UI faz este estudo com a Liga Portugal desde os últimos cinco anos e continuamente tem aumentado o número de trabalhadores associados aos clubes em Portugal. Depois, o contributo em termos de impostos em Portugal, que os clubes contribuem todos os anos e este ano com cerca de 192 milhões de euros de contributo de impostos. E por último, o total de receitas dos clubes em Portugal, e os clubes em Portugal neste momento totalizaram um aumento cerca de 4% face à época anterior. E se pensarmos que isso tudo acontece numa época em que não há adeptos nos estádios, em que não há lugares corporate vendidos, em que o merchandising cai muito por essa via também, da compra esporádica no estádio, é impressionante como é que mesmo assim a indústria continua a gerar mais valor e a conseguir contribuir cada vez mais para a economia portuguesa.

E tem alguma explicação?

Tem. As principais explicações em termos do PIB e obviamente o número das receitas totais, tem muito a ver com dois fatores. Por um lado, o crescimento nas competições internacionais e no ano passado tivemos, infelizmente, só um clube na Liga dos Campeões, tal como tínhamos tido há dois anos. Tinha sido só o Benfica há dois anos, no ano passado só o Futebol Clube do Porto, mas que chegou mais longe na prova. O Futebol Porto chegou aos quartos-final da Liga dos Campeões e só por isso deu um contributo muito significativo para aqui, mais o contributo que todos os outros clubes que tiveram na Liga Europa acabaram por também dar. Só nas competições, tivemos cerca de 100 milhões de euros provenientes das competições europeias, que é um crescimento de cerca de 12% face ao ano anterior. E nos direitos televisivos, também temos um aumento muito significativo, cerca de 27% para 200 milhões de euros, mais ou menos. E isso tem muito a ver com dois fatores. Por um lado, neste momento todos os clubes, os novos acordos de vendas de direitos televisivos já estão em vigor neste momento para todos os clubes, mas principalmente por um fator um pouco exógeno, que não vai voltar a acontecer, em princípio, tem a ver com a época passada. Quando nós olhamos para o filme das épocas, olhamos sempre para as contas dos clubes, que são de 1 de julho a 30 de junho. E este período, no ano passado, teve mais jogos do que o normal, porque na época anterior houve alguns jogos que passaram para este período. Ou seja, como tivemos aquela paragem do campeonato de março até para aí a maio, depois o campeonato retoma em finais de maio e há alguns jogos já feitos em julho e como tal, há alguma receita televisiva que é passada para essa altura, este é um fenómeno que não se vai repetir no próximo ano e aqui teremos seguramente um ligeiro decréscimo neste montante.

Ainda sobre os direitos televisivos, há um dado no anuário que fala que aumentaram os espetadores, também já falou sobre isso, por causa da questão de os jogos terem sido à porta fechada, e que aquilo gerou à volta de 1900 milhões de euros no total. Eu pergunto-lhe se este valor é significativo e se uma eventual, que é uma discussão que está em cima da mesa, centralização dos direitos televisivos podia aumentar ou diminuir este valor.

Sim, acho que esse valor que te referes é um dado muito usado pelas empresas de meios e de comunicação, que tem a ver com o AV, ou seja, o valor das horas de televisão que foram usadas pelo futebol nesse período de tempo. Não é o valor da venda dos direitos televisivos. Os direitos televisivos em Portugal, nesta última época foram avaliados, foram consumidos pelos clubes cerca de 200 milhões de euros, o valor total na casa dos 180 milhões de euros, normalmente. Isto por causa daquele desfasamento que eu lhe dizia de uma época para a outra. O que acreditamos, e a Liga acredita nesse facto e a maior parte dos clubes, é que um processo de centralização vai fazer aumentar claramente este valor. Essa é a expectativa que está por trás de todo o processo de centralização, que este ano teve um passo definitivo. Primeiro, com a aprovação do governo, do decreto de lei que regula como é que vai proceder esse processo de centralização e, por outro lado, com a constituição que a Liga fez já da empresa que vai gerir todos os direitos do futebol em Portugal. E acreditamos que esse processo, sim, irá trazer um aumento dessas receitas, que poderão passar dos tais 200 milhões que tivemos este ano e que alguns dos estudos que apontam para valor na casa dos 300 milhões de euros.

Uma última pergunta, se imaginarmos o futebol português como um produto, falando agora dos acontecimentos recentes, por exemplo, no Estádio do Dragão, no fim do jogo entre o Porto e o Sporting, acredita que o produto sai valorizado ou desvalorizado?

Se estivermos a falar especificamente de factos como o que aconteceu no Estádio do Dragão, é uma clara desvalorização do produto e é um fator de alerta que todos os intervenientes no futebol em Portugal deveriam ter em consideração, que é absolutamente inaceitável as imagens de todos nós vimos no Dragão, que não podem voltar a acontecer, porque estamos claramente a destruir o valor de um produto que é muito valioso, que é muito valorizado e que ao termos imagens daquelas, ao termos situações e comportamentos daquele género, são absolutamente destruidores de valor e que não podem voltar a acontecer.