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Deixem-me inverter a lógica habitual destas intervenções, porque vivemos hoje numa economia da atenção, em que partidos como o nosso têm muitas vezes muito pouco tempo para fazer passar a sua mensagem para o resto do país. E eu queria começar por dizer, agradecendo às mais de 200 mil pessoas, bem mais de 200 mil pessoas que votaram no Livre e que elegeram este grupo e que nos deixaram perto de chegar ao sétimo deputado, que nós saberemos representar-vos. Tenham a certeza que com o grupo parlamentar do Livre na Assembleia da República, vocês nunca sentirão senão orgulho de terem elegido este grupo parlamentar e nunca se arrependerão do vosso voto.

Já não é a primeira vez que temos uma mensagem destas. Já há pouco tínhamos Isabel Mendes Lopes a deixar essa mensagem que os eleitores do Livre nunca teriam vergonha de ter votado no Livre.

Por isso eu quero dizer-vos que nesta noite, eu tenho uma missão para vocês, para todos os que estão nessa sala, para aqueles que nos estão a ouvir, para os que votaram no Livre, para os que queriam ter votado no Livre, para aqueles que se reveem no progresso e na ecologia e nos nossos valores de justiça social e ambiental no nosso país. Em primeiro lugar, nós vamos dinamizar um grande movimento democrático e progressista no nosso país, porque este é o início da reviravolta, porque nós vamos a todos os cantos deste país falar com toda a gente. Nós não nos conformamos, nós não baixamos os braços e nós não achamos que seja normal ter um país em que a direita se radicalizou, em que a direita, neste momento, está num crescendo muito grande, em que a extrema-direita tem tantos deputados e que a esquerda esteja a decrescer. Como exceção à esquerda, o que nós vamos fazer é falar e pedir a toda a gente que fale com os seus amigos, vizinhos, família, colegas de trabalho, que os oiça, mas também que lhes diga que Portugal pode ser muito mais do que isto e que tudo o que construímos nestes cinquenta anos do 25 de Abril tem ainda muito para dar a todos os nossos concidadãos. Portanto, em primeiro lugar, o Livre dinamizará esse movimento e o Livre, no quadro desse movimento com os nossos concidadãos, com outros movimentos, com toda a gente que se quiser juntar a nós, apresentará nas próximas eleições autárquicas, um máximo de listas progressistas que disputarão no terreno do nosso país, o terreno à direita radicalizada que temos hoje em dia.

Mais um grande aplauso desta sala que está praticamente cheia no Theatro Italia, em Lisboa.

Não esqueceremos nenhuma povoação do nosso país, mas este movimento tem também uma dimensão europeia e internacional, porque nós sabemos que o fenómeno que estamos a viver não é só português. E esse movimento terá um momento alto no próximo dia 7 de dezembro, quando acolheremos em Portugal o Congresso do Partido Verde Europeu, que será muito mais do que um congresso partidário, será um congresso da sociedade civil europeia, progressista, ecologista e antifascista, a partir de Portugal para a Europa e para o mundo.

É uma das primeiras vezes nos discursos esta noite que temos estas menções além-fronteiras, não só para os interesses do país, mas também para a comunicação com aquilo que se passa no estrangeiro.

O Livre desempenhará também o seu papel e todos como nós desempenharemos o nosso papel numa eleição presidencial que ganhou, a partir de hoje, ainda mais importância, ela é ainda mais crucial do que alguma vez foi. E, portanto, o Livre estará no centro da eleição de um presidente ou uma presidenta da República que esteja comprometido com o Estado de Direito, social e ambiental no nosso país, porque é uma condição essencial para o podermos preservar.

Mais um aplauso para Rui Tavares, que o Livre elegeu seis deputados. É uma noite histórica.

E fica, desde já, aqui a promessa que quando fizermos a nossa habitual Festa da Espiga, daqui a um ano, quando contar um ano destas eleições, nós reuniremos um grande congresso deste movimento democrático.

Fica aqui a promessa de Rui Tavares, no fecho deste discurso do porta-voz do Livre, com dia histórico para o Livre. Seis deputados, é o maior número já eleito pelo Livre na sua história.