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A Iniciativa Liberal também quer a presença da ministra no Parlamento. Junta-se a nós em direto neste jornal a líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão. Muito bom dia. Que explicações quer ouvir no caso das exonerações na Santa Casa?

Muito bom dia, antes de mais. Há duas questões que precisam de ser, desde já, clarificadas. Esta questão das exonerações, é preciso perceber quais as razões que motivaram esta decisão. Parece-nos que a questão de um plano de reestruturação e do prazo que foi dado é uma motivação algo insuficiente. Portanto, queremos perceber o que efetivamente motivou esta decisão, o que o governo já sabe sobre aquilo que se passa na Santa Casa, nomeadamente ao nível das questões financeiras, da situação financeira da Santa Casa, todo o processo de internacionalização, que foi algo que nós, na Iniciativa Liberal, já apresentámos um requerimento para ouvir um conjunto de personalidades que achávamos, e achamos, relevante serem ouvidas no âmbito desse processo de internacionalização. E, portanto, precisávamos de perceber agora, depois desta decisão de exoneração da administração, o que motivou esta decisão. Porque estamos a falar de um processo de internacionalização que já se pautou por pelo menos 50 milhões de euros de prejuízos. É preciso perceber o que correu mal aqui, que investimentos foram estes, o que esteve por trás da decisão de os fazer e por que correram tão mal. E se efetivamente os prejuízos são 50 milhões de euros ou mais, porque há a possibilidade até de serem mais, nós não temos essa informação clarificada. Também é verdade que não sabemos ainda o resultado das contas de 2023, que era importantíssimo para percebermos a situação financeira em que se encontra a Santa Casa. Também não se têm grandes conclusões sobre o resultado da auditoria, portanto, era algo que também era importante que viesse a ser clarificado. E aquilo que se sabe relativamente ao primeiro trimestre deste ano é que, pelo menos em termos de receitas, elas ficaram 20 milhões aquém daquilo que estava orçamentado. O que significa que também é preciso perceber por que há esta disparidade entre aquilo que foi orçamentado e aquilo que efetivamente ocorreu de receitas. Portanto, há aqui um conjunto de explicações, não só da agora administração demissionária, mas também da anterior ministra, e agora da atual ministra, por conta desta decisão, que é preciso que estas pessoas venham ao Parlamento e o possam explicar, e possam entrar nos detalhes do que motivou algumas das decisões e qual é efetivamente a situação financeira da Santa Casa.

Mariana Leitão, a Iniciativa Liberal já pediu, noutras alturas, esclarecimentos e escrutínios sobre a gestão da Santa Casa e não conseguiram a luz verde dos restantes partidos para que tivessem sido ouvidos. Parece que neste momento as circunstâncias serão diferentes e teremos mesmo a oportunidade de ouvir estes responsáveis no Parlamento.

Este último requerimento que apresentámos, que incide concretamente sobre esta questão do processo de internacionalização, não chegou a ser votado. O Partido Socialista pediu o adiamento potestativo, é um direito que lhe assiste, que está previsto no regimento da Assembleia da República, o que significa que ele, à partida, será votado esta semana. Nós, entretanto, face às notícias que vieram a público e desta decisão de exoneração da administração, acrescentámos ao requerimento a necessidade de se ouvir também a atual ministra. E, portanto, contamos que agora ele possa ser votado e que haja efetivamente a concordância dos vários partidos, porque estamos numa situação em que há um conjunto alargado de explicações que é preciso serem dadas, e o local mais correto será sem dúvida a Assembleia da República, não só pela administração cessante, mas também agora pela atual ministra. Porque também há outra coisa que é importante. Além da explicação toda sobre o processo de internacionalização, sobre esta decisão de exoneração, é preciso também percebermos qual é o plano do atual governo para a Santa Casa, qual é a estratégia, que reestruturação é esta que se está a pensar, em que ela vai consistir. E, portanto, é preciso percebermos o que o governo também agora quer fazer com a Santa Casa. E, obviamente, depois percebermos estas questões todas passadas.