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Pedro Alves, amanhã é inaugurada a nova edição da Feira de São Mateus. Eu tenho aqui a informação que é a edição número 632. Eu quero perguntar-lhe, Pedro, quais são as novidades que são esperadas para esta edição? O que vai fazer a edição número 632 diferente da edição 631?

Efetivamente, é a maior festividade ibérica desta natureza, é uma tradição com 632 anos e temos conseguido, ao longo deste tempo todo, ter a capacidade de inovar, de nos renovarmos a cada momento. E este ano vamos procurar, por um lado, fazer com que o calendário se ajuste também àquilo que é a nossa procura. Temos uma grande força junto das nossas comunidades da diáspora e, nesse sentido, a feira vai começar de 1 de agosto a 8 de setembro, estava a ser mais tarde, e procurámos também, ao nível do espaço, introduzir um conjunto de novidades ao nível do palco, ao nível do som, ao nível da imagem, procurando dar mais conforto e mais capacidade ao recinto para receber espetáculos. Temos muita procura. Passam pela Feira de São Mateus mais de 1.200.000 visitantes durante um mês e uma semana e temos tido espetáculos que superam muitas das vezes as 30, 40 mil pessoas e, nesse sentido, temos procurado oferecer melhores condições de conforto para assistir aos espetáculos. Vamos ter este ano também a primeira edição do Mateus Fest, que é uma espécie de um dia de festival na feira. Vamos procurar também ir ao encontro daquilo que são as novas procuras para as novas gerações em termos de conceito de espetáculo. Queremos que haja aqui um festival na feira e vamos ter para isso uma programação diferente. Por norma, tínhamos apenas um artista por dia e neste momento vamos ter quatro. Aqui para cabeça de cartaz, para o Mateus Fest, temos os Da Weed, temos o Gavin James, o Fernando Daniel, que é um artista que acaba por ser muito procurado na Feira de São Mateus, e os Hybrid Theory. Ou seja, vamos procurar aproximar-nos dos novos públicos e fazer com que a Feira de São Mateus também se ajuste àquilo que são as novas realidades. Não vamos perder a tradição, vamos manter a lógica sempre do artesanato, da gastronomia, das diversões, mantendo a tradição que é singular da Feira de São Mateus, mas está também este tempo de mudar um bocadinho o conceito e procurar estar mais próximos dos novos públicos.

Pedro, deixe-me perguntar-lhe, esta realização do Mateus Fest é para tentar diversificar de alguma forma o tipo de pessoas que procuram a Feira de São Mateus? Estão a tentar competir com os festivais de verão?

Não, não há nenhuma competição com os festivais de verão. Percebemos é que faltava um evento deste tipo no interior do país. A cidade de Viseu é a cidade do país com mais qualidade de vida e a maior cidade do interior do país. E nesse sentido, achámos que fazia falta, temos capacidade para organizar um evento com esta dimensão e oferecer a quem vive no interior, aos jovens que vivem no interior, não terem necessidade de se deslocar para os grandes centros a um custo maior, mas sim procurar oferecer aquilo que há em Lisboa ou no Porto e ter aqui também próximo uma experiência diferente. É só esse o objetivo, não é competir, há espaço para todos e sobretudo ir ao encontro daquilo que é a procura também dos jovens do interior do país.

E qual é que é a expectativa para este ano em termos de visitas, de rendimento, qual é a vossa expectativa?

A expectativa é sempre muito similar. Embora tenhamos ultrapassado sempre a barreira de 1 milhão de visitantes, que é esse o nosso principal objetivo. O ano passado superámos 1.200.000 visitantes, vendemos mais de 200 mil bilhetes. É superar sempre o ano anterior e eu penso que vamos conseguir elevar e superar esses números, por isso cada ano é superar o ano anterior e é esse o nosso objetivo.

O Pedro começou logo por nos dar um cheirinho do que se vai poder experienciar na Feira de São Mateus. Há alguma novidade além do Mateus Fest, por Viseu ser este ano Cidade Europeia do Desporto?

É isso, Pedro. Nós também procuramos sempre acompanhar aquilo que é a marca distintiva do Conselho para cada ano. Este ano Viseu é Cidade Europeia do Desporto. Nós temos um programa desportivo muito forte também na Feira de São Mateus. A 41ª edição da Meia Maratona de Viseu, que este ano está-se também a chamar Meia Maratona Carlos Lopes, é uma meia maratona noturna. Também temos conseguido crescer a nível de participação. Temos o Rally Histórico Constálica Viseu. Temos também a 26ª edição do Torneio Internacional da Feira de São Mateus de Andebol, que é dos torneios de verão com maior capacidade, com os três maiores clubes nacionais e com clubes internacionais também presentes, um concurso de saltos. Depois, um conjunto de atividades sobre outras modalidades e de competição, paddle, cycling, a primeira edição também de uma prova de passeio de BTT. Vamos procurar um pouco sempre ir ao encontro daquilo que é a procura. E neste caso em particular, enquadrar tudo isto também no âmbito da programação da Cidade Europeia do Desporto.

E se calhar também um bocadinho a reboque dos Jogos Olímpicos ou não?

Não, os Jogos Olímpicos que acontecem aqui também acho que é mais inspirador para quem pratica desporto. Ajuda também à promoção do nosso programa desportivo, mas já temos uma grande capacidade de envolvimento de praticantes de desporto, que já ultrapassa mais de 50 mil pessoas a praticar desporto durante o período da Feira de São Mateus, com as nossas manhãs desportivas de domingo e com todas as atividades que acabei por referir. Somos já referência também nessa parte. A feira não tem apenas uma componente cultural, social, mas também tem esta componente pedagógica de qualidade de vida e procuramos convocar também, sempre que pudermos, estas variáveis.

As pessoas que vão à Feira de São Mateus, e eu pergunto isto porque não fazia ideia, sabem que a Feira de São Mateus vai para a sua edição número 632, que eu não arrisco dizer de outra forma, e que é a feira mais antiga da Península Ibérica. As pessoas têm noção disso?

Sabem, têm noção disso e nós temos noção também que as pessoas nos acompanham neste propósito. Nós ainda recentemente fomos eleitos como a maior festividade ibérica e isso foi uma eleição feita diretamente pelo público através das redes sociais. O público que nos visita, Paulo, ao longo de muitos anos, começamos a ir à feira com os pais enquanto crianças, depois vamos mais tarde numa outra ocasião com os nossos amigos, com as namoradas, e estamos mais tarde também já com os nossos filhos. A feira tem esta capacidade de juntar gerações, de construir memórias e a cada ano que vem, quem nos visita procura também construir essas novas memórias, um momento de felicidade. E por isso é que convido as pessoas a virem à Feira de São Mateus, porque certamente que será o momento para construir uma memória feliz e para que nos anos seguintes se voltem a reencontrar na feira e construir mais uma memória.