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Comigo em linha, Maria das Dores Meira, a autarca do Conselho de Setúbal, a quem também aproveito para agradecer ter aceitado este nosso convite. Olá, boa noite, Maria.
Boa noite, Diogo. Muito obrigada pelo telefonema, pela preocupação.
Sim, nós é que agradecemos. Tivemos hoje esse conhecimento de que o Conselho de Setúbal atingiu os 240 casos por 100 mil habitantes. Falamos, obviamente, da pandemia de Covid-19, e pode então existir essa possibilidade de regressão, em termos de desconfinamento para o Conselho de Setúbal. A primeira questão que eu tenho aqui para si, era pedir uma reação da sua parte enquanto autarca deste conselho, perante estes números e essa possibilidade.
Sim, como pode imaginar, a reação é de grande preocupação. A saúde é um bem fundamental para a vida, para todos nós, para os seres humanos. A primeira é de grande preocupação. A outra é de alguma indignação, porque isto é uma gestão que tem que ser feita por cada um de nós, é óbvio, mas também tem que ser feita no sentido preventivo da saúde pública. E a saúde pública não tem uma ação preventiva, não tem uma ação de monitorização. A saúde pública tem uma ação de reação. E portanto, se tivesse uma atitude preventiva, já estava, por exemplo, a mandar fechar as escolas, porque o que está a acontecer é que, por esta ordem que eu vou dizer, em primeiro lugar, estamos a assistir ao maior foco de infecção nas famílias, nas reuniões familiares, nas festas de família. Portanto, não há fiscalização suficiente em relação a essas festas. Eu compreendo que as pessoas estão cansadas desse tempo todo, de estarem ao vento, da proximidade uns dos outros, mas têm que aguentar um pouco mais. O que tem que haver é administração, se não há consciência por parte das pessoas, se não estão a proceder direito, se não estão a ter o cuidado disso. Em segundo lugar, os maiores focos de infecção são as escolas. Ora bem, o primeiro e segundo ciclo está a fazer o quê nas escolas? Está a fazer o quê quando começou a perceber-se que a pandemia estava a aumentar novamente, que estavam a subir os números? Por que a saúde pública não manda imediatamente as crianças para casa, já de férias? Para deixar de haver este ajuntamento de crianças. É o maior foco onde está a acontecer esta elevação dos números. E depois é a restauração. E na restauração, Setúbal já está a tomar medidas, já anda com a PSP e com os nossos fiscais municipais no sentido de ver se os restaurantes estão a cumprir ou não as orientações da Direção-Geral de Saúde relativamente ao distanciamento social. Estão a ver, alguns restaurantes não estão a cumprir. Está aí o bom tempo, o verão já chegou e nas esplanadas já há muita gente. Setúbal, felizmente, está com uma grande dinâmica e, portanto, tem muitos restaurantes com esplanadas e estamos a assistir muita gente nas esplanadas e muito próxima. Portanto, estamos a fazer também esta fiscalização, mas tem que haver mais fiscalização por parte da saúde pública. Quando há um foco de um destes, tem que haver uma atitude mais preventiva e não tão reativa. É o que nós temos a dizer. Agora temos que esperar estas duas semanas. A partir de hoje, a partir destes 240, que é o número de hoje, se se verificar que este número se mantém durante duas semanas seguidas, são estes os termos relativamente ao retrocesso ao confinamento, tem que haver duas semanas seguidas a manter-se o número de 240 ou mais de 240.
Certo.
Portanto, vamos ver a partir de hoje, nas duas próximas semanas, se este número se mantém ou se desce. Nós estamos aqui a rezar.
Até aproveitando esse balanço das duas semanas e há pouco a Maria das Dores Meira falou aqui nessa situação de que, relativamente à restauração, Setúbal já está a tomar medidas. Eu creio que foi o Conselho de Sesimbra, não tenho agora a certeza, mas houve um conselho que, na altura, também tinha atingido estes 240 casos por 100 mil habitantes e pediu inclusive ao governo para se antecipar nas medidas, precisamente para, nesse espaço das duas semanas, evitar que regredisse através das medidas do governo. Aquilo que lhe pergunto é se a Maria das Dores Meira está a ponderar também fazer esse pedido de antecipação e começar já a tomar outras medidas.
Não, nós não fazemos esse pedido. Nós estamos a fazer a fiscalização e solicitamos à saúde pública que tome medidas. É o que nós fazemos. A saúde pública é responsável pelo confinamento ou pelo desconfinamento e também tem que assumir essa responsabilidade perante o tecido económico de Setúbal. E portanto, nós não nos antecipamos. Vamos esperar que as duas semanas ocorram ou que a Direção-Geral de Saúde, se decidir antecipar, nós estamos cá para cumprir. Se não antecipar, vamos esperar pelas duas semanas e, portanto, depois aguardamos o passado das duas semanas. Caso verifique a manutenção destes números, que o governo ou que a Direção-Geral de Saúde tome as medidas que tiver a tomar.
E enquanto autarca do Conselho de Setúbal, neste espaço temporal que vamos ter de agora aguardar as duas semanas, a Maria das Dores Meira está esperançosa que os números possam regredir ou não tem tanta fé quanto isso?
Preocupada. Não tenho tanta fé assim. Estou preocupada, muito preocupada. Acho que para ajudar a que não haja essa gestão, eu acho que o governo, a saúde pública, tinha que imediatamente mandar os nossos meninos para casa. São duas semanas que não acendem nem repetem ao ensino. São duas semanas. Não sei se já serão duas, mais ou menos. Eu acho que em princípio os miúdos, primeiro e segundo ciclo, porque os outros já estão de férias. Os outros já estão de férias, repare. Os que têm exame já estão de férias. O que é que os miúdos do primeiro ciclo estão a fazer ainda na escola, se começam férias dia 8 de julho? Ora, hoje é dia 28. O que é, 10 dias, não é muito, lá está, as duas semanas. Os miúdos estão de férias, portanto por que não podem antecipar já, numa atitude preventiva, era o que eu estava a dizer, e não reativa. Por que não antecipam já as férias das crianças? São milhares de meninos na escola ainda, de norte a sul do país. Por que no Algarve os miúdos já foram para casa? No Algarve já foram para casa. Por que no resto do país os miúdos não estão indo para casa? Se é o segundo maior foco de contágio em escolas.
Aqui as escolas e as famílias, também estão previstas algumas medidas?
Não, as famílias, quer dizer, só quando há o indício de que está a acontecer uma festa aqui ou ali, nós mandamos lá a nossa fiscalização ou a PSP. Temos que mandar. Agora, muitas dessas festas nós não temos conhecimento. As que temos, nós atuamos. As que não temos, não podemos fazer nada. Relativamente às escolas, é isto, e relativamente aos restaurantes, já tomámos medidas.