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Perguntava-lhe então exactamente o que é que aconteceu neste caso do homem de 78 anos que morreu no Seixal depois de esperar quase três horas por uma viatura médica.
De facto, conseguimos confirmar o que veio a público de um homem ter vindo a falecer depois de quase três horas à espera de uma resposta dos serviços de emergência. Foi pedido de ajuda, pelo que conseguimos apurar, às 11h20, tendo sido esta chamada classificada como prioridade três, que no novo sistema de triagem pode aguardar até 60 minutos pela resposta. Resposta esta que só veio a ter quase três horas depois de algumas chamadas entretanto a informar que o seu estado estava agravado e a última que já estava em paragem cardiorrespiratória. É uma falha do Estado, é uma falha dos sistemas de emergência médica, é uma falha do INEM, que importa apurar, desde logo, todas as responsabilidades. Aproveitamos para convidar o Ministério Público a investigar os detalhes em que esta morte e este atraso ocorreu.
Disse à Agência Lusa que o novo sistema de triagem, que entrou em vigor há poucos dias, pode ter contribuído para isso. Por quê e que novo sistema é esse?
No início do ano foram implementadas novas prioridades de envio de meios, podendo classificar algumas chamadas menos emergentes, como podendo esperar até 60 ou 120 minutos, portanto, até uma ou duas horas. Naturalmente, isto comporta alguns riscos, desde logo, porque a triagem telefónica é bem diferente de uma triagem presencial quando o profissional de saúde está a ver a vítima ou a pessoa que precisa de ajuda. Questionamos, porque desconhecemos se estes riscos estão a ser acautelados. Pensamos que não. De resto, como este caso aparentemente vem comprovar.
A minha questão é: havendo meios, por exemplo, e o caso reportado ao INEM não for de uma prioridade alta, esses meios são acionados automaticamente, são acionados logo, ou como a prioridade não é alta, faz-se ali uma espera para ver se acontece alguma coisa entretanto?
Efetivamente, é uma realidade que nos tem vindo a ser reportada por vários profissionais do setor, inclusive, ou sobretudo, bombeiros voluntários, que tenham recebido chamadas diretas de contactantes depois de já terem contactado o INEM e da sua situação ter sido classificada como não muito urgente, mesmo tendo estas entidades, ambulâncias e equipas disponíveis para sair para as ocorrências, não têm indicação do INEM para o fazer, condicionando e atrasando assim a resposta a estas emergências. Tememos até que este sistema possa desvirtuar o próprio funcionamento do sistema de emergência médica e que as pessoas possam, como acontecia há vários anos desta parte, voltar a contactar diretamente os bombeiros à espera de uma resposta mais célere, em vez de ligar em 112, como é suposto e como é primordial.
E essas denúncias têm surgido de onde exatamente? Profissionais, utentes, de todo o lado?
Essas denúncias têm-nos chegado de profissionais, não só nossos, mas também das próprias associações de bombeiros e também de alguns utentes que veem em nós uma forma de chegar ao poder político e de chegar à opinião pública.