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Quais são neste momento os números oficiais que a ARS tem, quer no que diz respeito aos números atuais de casos ativos, quer também quais são até agora os números que tem no que diz respeito a vítimas em resultado desse contágio?
Isto tem a atualização que é um processo dinâmico e, portanto, posso ter aqui alguma variação, mas uma variação pequena daquilo que possa já ter acontecido e que eu ainda não tenha conhecimento. Dizer que o total relacionado com o surto do RP de Reguengos são 159 neste momento. São o total de pessoas positivas a partir do surto de Reguengos.
Isso não significa que seja o número total de casos ativos neste momento.
Não significa, até porque já há alguns recuperados, não muitos. Neste momento temos dois recuperados, mas também já temos um número significativo de pessoas que faleceram.
E como é que a Administração Regional de Saúde está neste momento a lidar com este surto? O que é que está a ser feito? De que forma é que a ARS também está a olhar para a forma como as autoridades estão a agir perante este surto?
Perante este surto, temos uma divisão que é fundamental fazer. Temos as pessoas que precisam de cuidados hospitalares e temos pessoas que estão infetadas, mas que não necessitam de cuidados a nível hospitalar. Todos os que necessitam de cuidados hospitalares estão internados no Hospital Espírito Santo de Évora. Os que não necessitam de internamento hospitalar mantêm-se em Reguengos, num equipamento preparado exatamente para dar resposta a essas pessoas, e que estão a ser acompanhados quer por médicos militares e enfermeiros militares, quer por médicos do ACES do Alentejo Central e enfermeiros também do ACES do Alentejo Central.
E neste momento há o número de profissionais suficientes para lidar também com esta pandemia na zona de Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora. Pergunto-lhe isto também porque tínhamos essa indicação de que teria havido um despacho para o reforço de médicos no lar, quer de médicos, quer também de outros profissionais de saúde no lar de Reguengos. Houve efetivamente esse reforço? Qual é a situação neste momento?
Houve um reforço de profissionais que nos ajudaram durante algum tempo. Não estão já efetivamente a ajudar-nos como nos ajudaram inicialmente, mas que nos ajudaram também a nível do equipamento onde as pessoas infetadas permanecem. Neste momento, o que temos efetivamente em trabalho são: um médico de medicina geral e familiar, quatro enfermeiros dos cuidados de saúde primários, das 08h00 às 20h00. E durante 24 horas temos um médico hospitalar das Forças Armadas e dois enfermeiros hospitalares das Forças Armadas.
E isso está em linha com aquelas que são as necessidades e com aquilo que estava descrito neste despacho?
Aquilo que se pretende destes profissionais é a vigilância dos utentes que estão neste espaço. Vigilância para detetarem alguma alteração que justifique enviar estes doentes para o Hospital Espírito Santo de Évora. E, portanto, aquilo que estes profissionais estão a fazer neste momento é exatamente isso, é garantir que, ao mínimo sinal de descompensação, possam referenciar esses doentes para Évora, sempre que assim o considerarem, através dos critérios que estão estabelecidos.
José Arbal, nós temos também a informação de que haveria profissionais de saúde que se teriam recusado a fazer esse serviço no lar de Reguengos de Monsaraz. Pergunto se é verdade ou não que tal aconteceu e a que se deveu também essa recusa, se foram os próprios profissionais que não quiseram trabalhar nestas condições neste lar e prestar este apoio, ou se foi por parte de unidades hospitalares, de outros serviços, que houve esse impedimento.
Por parte dos hospitais, tivemos alguma colaboração inicial, que a partir de dia 4 praticamente deixou de existir em termos de médicos. Continuamos a ter algum apoio esporádico de enfermeiros hospitalares também nas unidades hospitalares. Em relação ao Hospital de Évora, temos passagem de profissionais da área da medicina interna, e às vezes de enfermagem também, pela unidade para fazer uma avaliação global dos utentes que se encontram neste espaço, para ver se há necessidade de transferir algum desses utentes para o Hospital de Évora.
Mas, portanto, não confirma que houve profissionais que era suposto prestarem esse auxílio e que acabaram por não colaborar com o lar?
Houve profissionais médicos nos cuidados de saúde primários Tivemos que lhes pedir que colaborassem conosco neste processo, uma vez que precisávamos que se mantivesse a vigilância, como lhe disse anteriormente, destes casos que estão no espaço novo, já não é exatamente no equipamento onde estavam inicialmente, no ERPI onde estavam inicialmente, mas no espaço que foi adequado de depósito para receber estes utentes.
Mas, portanto, não houve aqui uma recusa oficial por parte de profissionais?
Sim, houve alguns profissionais que pediram que se passasse uma declaração em como eles teriam que cumprir os serviços para os quais tinham sido solicitados.
Portanto, não houve também aqui, por parte das unidades hospitalares, neste caso, alguma espécie de tentativa de bloqueio da prestação de serviços por parte desses profissionais?
Sabe que eu tenho poder de tutela sobre as unidades hospitalares, mas só tenho poder de tutela. Esse poder foi exercido quando pedi às unidades hospitalares que me cedessem profissionais para poderem acompanhar, em função daquilo que fosse considerado como necessário, estes utentes no espaço onde estão agora. Agora, eu não posso interferir com a gestão dos recursos humanos dos hospitais e, portanto, não podendo interferir, não pude tomar uma posição mais forte para que, efetivamente, eles pudessem apoiar também a nível do equipamento onde estão agora os utentes.
De que hospitais estamos a falar, neste caso?
Estamos a falar dos hospitais da região, exclusivamente hospitais da região.
José Rebelo, falava-me há pouco desses médicos que têm prestado esse serviço no lar. Deu-me conta da periodicidade também e da forma como esse apoio era prestado. Diziam que desde o passado dia 4 que esse apoio já não se verificava?
Não, esse apoio mantém-se, mas através de um médico militar. Portanto, esse apoio mantém-se. Só que, inicialmente, tínhamos dois médicos hospitalares e passamos a ter só um médico hospitalar nesta unidade.
José Rebelo, temos também a informação de que, na sequência deste contágio, tem havido também, no fundo, um alastrar dos casos. Tem conhecimento de casos em número considerável no matadouro de Reguengos de Monsaraz?
Temos alguns casos no matadouro, considero que andará à volta de 17 casos positivos, que estão perfeitamente identificados e confinados, e os contactos já identificados.
Portanto, não é uma situação de risco neste espaço?
Não, porque não tem havido aumento do número de casos e, portanto, penso que haverá da parte da saúde pública um acompanhamento próximo que tenha evitado esta proliferação com uma quebra da cadeia de contacto, penso eu.