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Marta Temido, o Parlamento Europeu atribuiu esta manhã o Prémio Sakharov a Edmundo González e Maria Corina Machado, a oposição democrática da Venezuela e Edmundo González considerado pelo Parlamento Europeu como o presidente reconhecido como o vencedor das últimas eleições. Sei que não era o candidato dos socialistas e democratas, o grupo Família Europeia ao qual pertence o Partido Socialista, ainda assim eu pergunto-lhe se a escolha foi a correta.

Este é um prémio muito importante e é um prémio absolutamente justo e foi atribuído a estes galardoados, mas também poderia ter sido atribuído a uns outros referidos para a shortlist final, as Mulheres pela Paz ou o Dr. Bobad Ibadoglu, do Azerbaijão, ativista médico reconhecido pela sua defesa das causas dos direitos humanos e que está aliás ainda detido desde há um longo período de tempo. E portanto, o que é importante sublinhar é que este Prémio Sakharov é de facto uma homenagem da União Europeia à liberdade de expressão e o conjunto de finalistas votados pelo Parlamento Europeu é um conjunto de finalistas que têm dedicado as suas vidas, o seu trabalho aos direitos humanos, à defesa da liberdade e portanto é um dia importante para aqueles que se reveem nestas causas.

E tinha preferência por algum destes finalistas?

Como foi também já referido, esta lista de pessoas é toda merecedora da nossa admiração por aquilo que representam as suas lutas. Depois, questões de natureza mais pessoal, mais de identificação com uma ou com outra causa, são absolutamente circunstanciais. Naturalmente que neste momento aquilo que é o terrível conflito que há décadas se passa entre Israel e a Palestina e relativamente à qual tantos têm estado silenciados, nos merecia uma particular sensibilidade, e também a causa das mulheres e as mulheres pela paz e a agenda das mulheres para a paz e o papel das mulheres na construção de uma agenda de paz, como já tem sido tantas vezes sublinhado pelas Nações Unidas, parece-nos um contributo muito importante para aquilo que é um valor que preserva muito também, que é o da ordem internacional e do respeito pelo multilateralismo.

Portanto a Marta Temido, apesar de reconhecer validade e elogiar qualquer um destes finalistas, incluindo o finalista que acabou por ser o vencedor, a oposição democrática da Venezuela, alinharia mais com a própria proposta dos socialistas e democratas.

Vamos lá ver, não é uma questão de alinhamento. Todos nós votámos, pelo menos alguns de nós votámos enquanto eurodeputados por pertencermos a uma de duas comissões, a Comissão de Assuntos Externos ou a Comissão de Desenvolvimento. São as duas comissões que têm voto específico na identificação daqueles que são a lista final e portanto naturalmente eu fiz essa votação, também participei nela, como participaram os outros eurodeputados portugueses que têm assento nessas duas comissões e participámos e fizemos essa avaliação. Agora hoje o que importa sublinhar é que o Prémio Sakharov é um contributo inestimável para o reconhecimento daquilo que é a luta pela liberdade de expressão e qualquer um dos três galardoados está de parabéns.

Ainda assim, o Prémio Sakharov, ao ser atribuído a Edmundo González e a Maria Corina Machado, que mensagem política passa o Parlamento Europeu de alinhamento com a oposição democrática da Venezuela?

Vamos lá ver. Uma coisa é a ligação, a relação que possam pretender extrair. Outra coisa é a atribuição do Prémio Sakharov. Não confundamos prêmios, que é algo que está na disponibilidade do Parlamento Europeu atribuir, sobretudo prêmios com a dimensão e o relevo do Prémio Sakharov, com outros tipos de decisões que não estão na mão do Parlamento Europeu atribuir.

Então aproveitando que o tema aqui também é a Venezuela, deixe-me só fazer-lhe uma provocação, Marta Temido, porque nós sabemos que na altura em que houve uma proposta de resolução do PPE para o reconhecimento de Edmundo González como presidente da Venezuela, que houve uma cisão dentro dos eurodeputados do Partido Socialista, sendo que uns votaram contra, outros votaram a favor. O que eu lhe queria perguntar é se este mal-estar a propósito deste tema mantém-se?

Não há nenhum mal-estar, há perspetivas diferentes e isso é normal nos partidos democráticos. Não há nenhum mal-estar