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Jorge Ascensão, hoje a Direção-Geral da Saúde publicou uma norma que indica que vão ser feitos testes à Covid-19 a cada 14 dias, tanto em escolas, como prisões, também fábricas e construção civil. Isto nos concelhos com uma elevada incidência de casos, e são testes de antigénio. Eu começava por lhe perguntar, Jorge Ascensão, como é que olha para esta medida?

De forma natural e positiva. Obviamente, quanto mais testar, melhor. Sabemos que o teste é uma fotografia estática. Portanto, quanto maior for a frequência desses testes, mais fácil será de evitar contágios que eventualmente pudessem acontecer. Parece-me natural que quanto mais se alargar, melhor para se combater esta situação em que estamos. Até porque estamos a tomar medidas de prevenção, não porque em determinadas situações haja perigo nesses locais, como é o caso das escolas ou nessas instituições, mas porque como não se tem a certeza de quem está ou não está, podemos estar assintomáticos, tem que se evitar que as pessoas saiam de casa. E portanto, os testes permitirão maior segurança para quem tem que se deslocar.

Era mesmo isso que eu lhe ia perguntar. Para já, as escolas continuam fechadas, mas quando eventualmente for implementado esse regresso dos alunos às aulas presenciais, se esta medida dos testes a cada 14 dias se descansa e se deixa os pais mais seguros.

Sim, a medida dos testes deixará sempre, independentemente do que está em confinamento ou não, o cidadão mais seguro. E, portanto, quando se puder voltar à escola, e eu espero, e toda a gente sabe, isso não se discute muito, o impacto da informação nem sempre é muito coerente. A curva e o agravamento da curva que os epidemiologistas com os seus modelos matemáticos encontraram, as escolas estavam fechadas. Quando isso aconteceu, as escolas estavam fechadas. Passou-se um bocado a ideia de que as escolas eram um problema e não é verdade. O encerramento das escolas contribuiu primeiro psicologicamente para que as pessoas percebessem que o caso é grave, porque fechar uma escola significa, no fundo, impedir o desenvolvimento das crianças e dos jovens, das nossas gerações futuras. Está-se a prejudicar o desenvolvimento delas. Isto transmitiu às pessoas, obviamente, a mensagem de que a situação era muito séria. E obviamente que agora está a abrir, como aconteceu o ano passado, é muito mais difícil. Vai ser mais difícil, vai ser preciso provavelmente reabrir de forma gradual e obviamente quanto melhor se conseguir fazer testes e todas as condições, mais tranquilo deixará os pais.

Ou seja, a Confederação Nacional de Associações de Pais entende que as escolas devem voltar a abrir isto gradualmente, é isso?

Sim, nós sempre dissemos que as escolas são locais seguros, tiveram sempre condições de segurança, obviamente que potenciam alguma mobilidade, sendo que o comportamento e as atitudes de cada um quando sai de casa é da responsabilidade do próprio. Eu espero que se for possível reabrir as escolas durante o mês de março, os pais que tiverem que reabrir, há de ser sempre para os ciclos mais novos, para as crianças mais novas, e os pais que tiverem que levar o filho à escola regressem a casa, porque não é por ter que levar o filho à escola que há problema, é por depois de o levar, eventualmente não cumprirem um conjunto de regras que continuam a ter que ser cumpridas. E portanto, essa consciência e essa responsabilidade é que deve ser mantida. E isto para, obviamente, minimizar os danos que toda essa paragem tem nas crianças e também nos jovens. Nós entendemos e queremos muito que a situação permita esse regresso, embora compreendemos que tenha que ser de forma faseada e continuando a cumprir todo um conjunto de regras. Porque nas escolas, como toda a gente sabe, e volto a repetir, há pouca vez que se diz, o agravamento de toda essa situação pandémica que levou o Serviço Nacional de Saúde a ficar sob stress, as escolas estavam encerradas. E portanto, é preciso ter consciência disto, ser sérios naquilo que estamos a dizer. Agora, obviamente que as escolas potenciam mobilidade e o problema é o comportamento e a atitude irresponsável de muitos cidadãos quando estão em mobilidade. E por isso é que tivemos que fazer este confinamento imposto e obrigatório. E eu espero que haja essa consciência de que temos que continuar a cumprir regras, a ser responsáveis civicamente, para que os nossos filhos possam continuar a ter o direito à educação e ao seu desenvolvimento, que tem obviamente um impacto muito grande no seu futuro.

Jorge Ascensão, eu regressava ainda a esta medida da testagem nas escolas a cada 14 dias para lhe perguntar se entende que é uma medida que peca por tardia, se chega na altura certa.

Eu diria que todas as medidas que contribuam para se controlar melhor a situação, quanto mais cedo melhor. Agora, eu não tenho informação suficiente para dizer se isto era possível ter sido feito antes, como é que devia ser. Essa medida, que não traz qualquer tipo de impacto negativo na vida das pessoas, quanto mais cedo pudesse ter sido tomada, melhor. Obviamente, seria um contributo para provavelmente muitas pessoas poderem evitar contagiar. Era preferível isso a outras medidas que, sendo necessárias para prevenir o contágio Sem nenhum impacto negativo na vida das pessoas. Não sei por que razão é que essa medida não foi tomada mais cedo, não tenho dados para perceber isso.

E as autoridades de saúde ou os diretores escolares já contactaram a Confederação das Associações de Pais para darem mais alguns pormenores sobre esta medida? Já receberam algum tipo de contacto ou ainda não sabem pormenores?

Não, das autoridades de saúde não temos nenhum contacto. O único que tentámos obter foi o ano passado ainda, também não foi possível. Não nos receberam, nem nos deram qualquer tipo de explicação. Portanto, nós vamo-nos mantendo o nosso contacto com o nosso parceiro, que é o Ministério da Educação, e obviamente cingimo-nos àquilo que são as medidas e as preocupações com as escolas e com o processo educativo, que obviamente estamos atentos e o Ministério da Educação tem esse conhecimento e vai-nos dizendo quais são e porquê que se pode ou não se pode fazer isto ou aquilo. E, portanto, o nosso contacto com o governo, e tem sido muito frequente ao nível com o Ministério da Educação, é mais nas questões da segurança e do processo educativo no âmbito do Ministério da Educação.

Para terminar, Jorge Ascensão, eu gostava de lhe perguntar também aqui a propósito do calendário escolar que foi conhecido agora há poucas horas. Parece-lhe um bom calendário o apresentado? É bom para os alunos? E também na questão dos exames nacionais, que foram também adiados. Como um todo, o calendário parece-lhe bem, parece-lhe adequado?

Eu julgo que é um calendário, neste momento, é o calendário possível, que é o calendário previsível. Nós tivemos que fazer uma interrupção letiva forçada e fez-se essa interrupção letiva exatamente na consciência, portanto, cientes, melhor dizendo, fez-se a interrupção letiva cientes de que o ensino à distância não é o mesmo que o ensino presencial e tem obviamente muitas desigualdades e deixa muitas crianças, sobretudo as mais desfavorecidas, em desvantagem. E por isso se procurou, tentando perceber o que a evolução pandémica nos trazia, procurou-se essa interrupção letiva antecipada para agora poder recuperar em regime letivo presencial. E é por isso que eu digo, espero que já nas férias da Páscoa, que agora foram reduzidas a uma semana, essa semana de trabalho possa já ser, pelo menos para alguns alunos, em regime presencial, o que significa ganhar uma semana relativamente àquilo que teria acontecido há 15 dias atrás. E depois ainda recuperar também essa outra semana no final do ano letivo. Não é nada que nos surpreenda, já esperaríamos e Deus queira que sejamos capazes de controlar a situação para não ter ainda que prolongar mais. Isto porque, como eu digo, há medidas que sendo necessárias para controlar a situação pandémica, têm um forte impacto negativo e prejudicial na vida das pessoas, nesse caso, das crianças e dos jovens, que são a nossa geração de futuro. E por isso temos que equilibrar isso. Portanto, parece-me bem. E relativamente às provas de avaliação, obviamente têm que ser ajustadas ao calendário que estamos a tentar agora alterar. Apresentar o que está alterado e ter que se apresentar isso. Sabemos que provavelmente seria preferível de outra forma, mas neste momento parece-me ser algo que não traz nada de surpreendente.

Um calendário adaptado às forças das circunstâncias. Jorge Ascensão, muito obrigada. Agradeço-lhe a disponibilidade para conversarmos.