Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Doutor Germano de Sousa, temos recebido algumas queixas, alguns relatos, de pessoas que fizeram o teste PCR e que agora dizem que os resultados estão a demorar um bocadinho para chegar. A que se deve este atraso nos resultados dos testes?

A que se deverá? Uma razão muito simples. Habitualmente a gente dá os resultados entre 12 a 24 horas. Habitualmente em 12 horas, 16 horas, no máximo 18. Agora, quando você recebe de um momento para o outro, nestes últimos dias, só aqui em Lisboa, na porta do meu laboratório municipal, qualquer coisa como 1800, 1900 pessoas. Quando em todo o país, de um momento para o outro, está a fazer 13 mil, 14 mil testes PCR, é óbvio que não há nenhuma estrutura que consiga manter os prazos das 12 às 18 horas e, portanto, passamos para as 24 horas, aliás, um pouco mais, às vezes 30. É a vida. Claro, eu podia ter feito o que outros fizeram, que é não receber, marcar, e alguns estão a marcar só para o dia 3 e para o dia 4 de janeiro. Eu tenho tentado prestar o melhor serviço que posso às pessoas. Estou aqui sentado no meu laboratório, a olhar pela janela neste momento, e olho para baixo e vejo um mar de gente à volta do meu laboratório, pessoas que querem fazer testes, pessoas que querem resultados para o ano, e a gente vai fazendo, mas não podemos dar-lhes os resultados PCR, senão o que vão ter? Faremos todo o nosso melhor, temos as pessoas a trabalhar 24 em 24 horas, equipes que estão toda a noite a trabalhar para despacharmos, mas como em tudo, de repente caímos aqui um bocado e damos a resposta que podemos.

Sendo assim, qual é o tempo médio para receber o resultado?

Neste momento, o nosso tempo médio para receber o resultado é entre 24 a 36 horas.

Portanto, há ali o risco de quem fizer o teste hoje.

Estou a falar do teste PCR.

O teste PCR, exatamente. Portanto, quem fizer o teste hoje, no dia 30, tem o risco de não conseguir o resultado a tempo para a passagem de ano.

Se for PCR, pode arriscar-se a não receber a tempo, como é evidente. Agora, como digo, nós reforçamos mais uma vez a equipe. Fomos buscar elementos que tínhamos noutros serviços, fomos reforçar a equipe toda da biologia molecular. Estamos a ver se despachamos toda a gente que vem hoje, a tempo de terem o seu teste na tarde de 31.

Doutor, deixe-me perguntar também. Esta situação, este aumento da procura, está relacionada com a passagem de ano, claramente. Acha que quando chegarmos ao dia um, já depois da passagem de ano, as coisas vão voltar ao normal?

Vamos ver uma coisa. Talvez não me esclareci bem há pouco. Estou a falar dos PCR, é uma técnica muito mais morosa, muito mais cuidadosa, muito mais sensível. Estamos a fazer um esforço muito grande para os testes de antigénio, nós estamos a dar os resultados diariamente para as pessoas que precisam, não tem problema. Não sei se as pessoas não se devem estar a referir a isso, esses são dados a todo o momento. Agora, para os PCR é sempre assim. É um teste moroso, não há capacidade. Ou então fecha a porta e passa para a casa. Mas em relação à pergunta que me faz agora, eu estou convencido que na primeira semana de janeiro ainda vamos ter este tipo de gente, muita procura. É natural que eu tenha imensa procura agora em janeiro. Na primeira semana, é muito provável que sim. Como consequência exatamente das festas de fim de ano, as pessoas vão querer saber se estão ou não contaminadas, porque, como é óbvio, vão usar e abusar essa festa e vão querer saber se estão ou não contaminadas. Mas talvez no começo da segunda semana isto abrande bastante. Esperemos que sim, que já quase insustentável é. É um esforço, nós iremos estar abertos até à meia-noite a receber pessoas.

Já agora, chamava aqui a atenção há pouco para a questão dos testes de antigénio, que são mais rápidos. Esses aí têm conseguido entregar os resultados sem problemas.

Sem problemas. Não é logo ali no minuto, mas duas, três, quatro horas depois estão prontos os resultados. Agora, como lhe digo, não sei se neste momento só exigem o teste de antigénio. Mas eu acho estranho, sabe por quê? Porque a maior parte dos testes de PCR, os chamados testes de biologia molecular, que têm aparecido, são fundamentalmente para confirmar testes de antigénio positivos.

Certo.

E as pessoas vêm com o teste de antigénio: "Vem saber se isto é mesmo assim, se foi aqui um engano", e vêm confirmar.

É só mesmo essa confirmação, não é? Aqui um duplo exercício, quase.

Em muitos casos, é uma confirmação, ou então pessoas que querem ir para fora. E a gente tenta também dar prioridade, onde a gente tem que embarcar para o avião A ou para o avião B, e vão para o país C. Mas a procura do PCR, neste momento, é a pessoa a confirmar doença que já é existente ou então já diagnosticada através de um teste PCR. Claro que, evidentemente, se uma pessoa tem sintomas e tem um teste negativo, é suspeito, e portanto, vem sempre fazer PCR. A pessoa tem sintomas e tem um teste positivo, vem sempre fazer PCR porque fica na dúvida se aquele teste foi bem feito ou mal feito. E esse é o grosso dos PCRs que nós estamos a ter aqui. Depois os aviões. É provável que em alguns casos em que nós não ultrapassamos, é que as pessoas estavam muito habituadas. É que a gente dava-lhes aqui o resultado rápido, porque temos trabalhado sempre 24 em 24 horas. Agora, de um momento para o outro, o avalanço foi tão grande de pessoas que a gente começou quase a rebentar pelas costuras.

E doutor, já agora, sabe me dizer essa diferença entre as pessoas que vão à procura do teste PCR e do teste de antigénio?

Diferença em que aspeto?

Dizia há pouco que fazia cerca de 18 mil testes por dia, não é? Mas esses testes são todos PCR?

Não, testes PCR andam à volta dos 12 mil, 13 mil por dia. E quase outro tanto de testes de antigénio.