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Mona Ali Alkarim e as filhas agradecem mais uma doação que receberam através do TikTok. Todos os dias ligam-se ao mundo em direto durante pelo menos duas ou três horas para pedirem ajuda, tal como dezenas de famílias deslocadas. No entanto, apenas um terço do dinheiro enviado acaba por chegar às mãos destes refugiados. O TikTok considera que estas famílias estão a explorar a aplicação de forma indevida e aplica uma taxa de cerca de 70% a todo o dinheiro reunido, algo que a empresa pode fazer, como explica Ricardo Lafuente, da Associação de Defesa dos Direitos Digitais.
Tecnicamente, pode cobrar 100%. A plataforma é deles e eles estabelecem as regras.
As plataformas é que decidem, mas Ricardo Lafuente avisa que é difícil separar quem se tenta aproveitar da bondade alheia e quem realmente precisa de ajuda.
Uma fraude boa é aquela que ninguém percebe que é uma fraude. Agora, como é que nós percebemos? E vão ser as plataformas agora a estar a fazer o policiamento disso?
Mas mais do que a política de cada plataforma, Ricardo Lafuente defende que ver famílias a lutar por popularidade nas redes sociais é preocupante.
O refugiado, o pobre, a família pobre, está a competir com outras pela atenção, tentando suscitar mais compaixão, mais empatia. Não me parece que seja um modelo de caridade nada saudável.
Ricardo Lafuente lembra que existem instituições tradicionais que conseguem chegar a famílias como a de Mona Ali Alkarim, evitando assim o lucro de outras empresas.