Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Germano Almeida é especialista em política norte-americana. Bom dia, Germano. A questão é: que impacto é que esta notícia pode ter na campanha de Donald Trump?

Muda tudo. Vamos ter um candidato presidente em funções em casa, pelo menos em metade do tempo do que falta pra eleição. Falta um mês e um dia. Como disseste, a quarentena é prevista de 14 dias e isso bate já em cima do segundo debate Trump-Biden, em 15 de outubro, em Miami, Flórida, que fica pelo menos em risco, mas vamos ver a evolução da possível doença do presidente. Pode ser algo muito leve, assintomático, mas pode não ser. Donald Trump tem 74 anos, está na idade de risco, tem também peso a mais, outro fator de risco e, portanto, neste momento, a imprevisibilidade é grande. Depois há, obviamente, uma carga simbólica não é grande, é gigantesca em tudo isso.

É enorme.

Donald Trump é um presidente que desvalorizou a pandemia. É uma situação parecida, não totalmente igual, mas parecida com Bolsonaro no Brasil há uns tempos, também com Boris Johnson na Inglaterra, embora aí um pouco diferente. E recordemos que Boris Johnson, a evolução da doença foi até bastante complicada, a coisa podia ter corrido mal. A verdade é que até nesta situação, realmente estamos numa sociedade em que uma situação pode ter duas interpretações, dependendo das nossas convicções. Até esta situação pode vir a ter interpretações muito diferentes, ou seja, pode ter a interpretação de quase uma justiça poética de alguém que desvalorizou a pandemia e agora está com a doença dessa pandemia, mas também pode ter a interpretação de se, esperemos que sim, a evolução for positiva do ponto de vista de saúde e for uma coisa muito tranquila, pode ser um reforço do que foi, no fundo, a tese de Trump, que é: isto existe, ele nunca disse que não existe, mas "estão a ver, é algo que não deve parar o mundo, já está tudo bem e as coisas devem continuar". E, portanto, do ponto de vista eleitoral, não é certo, ainda por cima saiu uma mensagem há horas, da CNBC Exchange Research, é uma mensagem ainda antes do debate, mas no dia do debate, 30 de setembro, que dá 13 pontos de avanço a Joe Biden, 54 de Trump. Trump precisa de um game changer, pode ser este.

Pode ser este. E se do lado do Trump, já percebemos qual poderá ser a estratégia consoante a evolução da doença, Joe Biden também vai ter que adaptar discurso e intervenção nestas semanas de campanha?

Há uma inversão completa do jogo, ou seja, até há dias achava-se que esta reta final via Trump no terreno, e o Trump e o seu povo a ignorarem a pandemia, a desvalorizarem as máscaras e com comícios corpo a corpo, e Biden mais em casa, mais virtual, e com vídeos e de máscara. Bom, pode ser ao contrário. Trump vai estar em casa pelo menos nas próximas duas semanas e Biden mudou a sua estratégia e ontem ou anteontem, está a preparar com a sua campanha em estados decisivos, uma campanha mais tradicional de porta a porta junto dos eleitores indecisos. Vamos ver o que isso muda.

Há a hipótese, ou é admissível nesta altura, pensar-se que a data das eleições 3 de novembro possa ter de ser alterada se um dos candidatos tiver doente?

Acho muito improvável, porque essa questão já se pôs há uns tempos pela dificuldade logística de se fazer eleições durante uma pandemia. E o próprio Donald Trump recuou na reivindicação disso, porque os estados têm, neste momento, formas de contornar isso com o voto por correspondência. A data da eleição está muito blindada por uma simples razão, porque o calendário depois, entre a eleição, o processo de transição e a tomada de posse, é um calendário relativamente rígido. Tem ali alguma flexibilidade de alguns dias e poucas semanas, mas é muito rígido. E um adiamento da eleição, o que levaria é que não houvesse depois condições pra uma tomada de posse em 20 de janeiro de 2021. E se isso não acontecer, Donald Trump deixa de ser presidente em 20 de janeiro de 2021, e não me parece que o fato de ter agora o coronavírus seja motivo para que isso aconteça.

Germano Almeida, obrigada pela análise em cima da hora à notícia que marca esta manhã. Donald Trump está infectado com o novo coronavírus, vai ficar de quarentena, ele e a mulher, nas próximas semanas na Casa Branca.