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Hélder Martins é presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve. Ontem o governo assinou o acordo com os parceiros sociais e, entre outras medidas, está previsto o aumento dos salários de 5,1% já para o próximo ano. Hélder Martins, da parte da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, este aumento de 5,1% é possível?

É possível e nós temos que cumprir sempre as decisões que são aprovadas e que emanam do governo. A questão é que o Algarve tem condições muito especiais, tem a sazonalidade, os principais mercados emissores para o Algarve fala-se que vão enfrentar uma recessão e, portanto, aquilo que foi aprovado, que é o aumento todos os anos de um determinado valor, pode ser problemático. É verdade que nós hoje pagamos, regra geral, acima daquilo que é o salário mínimo. É verdade que vamos ter que continuar a melhorar os salários. Agora, há aqui questões que são muito importantes e que devem ter sido tidas em consideração. Os apoios, que me parece que vão vir da parte do governo, passam muito por passar contratos a contratos sem termo e, no Algarve, concretamente, nós precisamos de um determinado número de empregados no verão e de outro número completamente diferente no inverno. Há unidades que fecham. Portanto, nós o que esperamos é que estas medidas possam vir acompanhadas de outras que permitam às empresas sobreviver. Essa é uma das nossas preocupações grandes. Sobre a questão do aumento do salário, nós todos praticamente já pagamos acima do salário mínimo. Parece-me que com os fatores externos de que o turismo depende, pode ser complicado ter aqui um compromisso em que em cada ano nós vamos aumentar X. Eu sei que haja muitas empresas que possam não conseguir fazer.