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O que pode explicar estes atrasos e se Portugal tem alguma quota-parte de culpa nestes casos?
Neste momento, o que se passa, esta questão das seis doses e das cinco doses e desta perca de doses de vacina que não podem ser dadas, tem a ver fundamentalmente com uma questão de qualidade. Portugal não tem nenhuma culpa neste contexto. O que se passa é que, por via da qualidade, há sempre uma possibilidade de ter cinco doses de vacina dadas por cada frasquinho de vacina que entra nos hospitais. E isso foi o que a empresa inicialmente colocou para avaliação. Isso foi aprovado. O que a Agência Europeia de Medicamentos devia ter feito era fazer uma segunda regulamentação dizendo que aquele desperdício ou aquela quantidade que ainda fica, ainda daria para mais uma dose. E isso não foi feito no tempo útil e, portanto, como todas as agências nacionais da Europa estão, no fundo, subjugadas a essa regulamentação, tiveram que ficar à espera. No entanto, eu penso que o Infarmed, neste momento, que é a Agência Nacional do Medicamento, já encontrou uma forma de tirar essas seis mil doses, que é fundamentalmente com uma seringa diferente, conseguir tirar essa vacina extra que está no frasquinho. Portanto, é tudo uma questão burocrática e regulamentar que está a atrasar isso tudo, mas fundamentalmente do ponto de vista europeu e não do ponto de vista nacional.
E essa nova técnica encontrada pelo Infarmed já está a ser posta em prática?
Neste momento há uma necessidade de regulamentação pela Direção-Geral de Saúde, portanto, é uma regra que vai ser nos hospitais e nas farmácias hospitalares, e é possível ser realizada neste momento. Alguns hospitais já estão a fazer, obedecendo a todos os critérios de qualidade. Eu penso que mais um dia ou dois, a Direção-Geral de Saúde irá aprovar e essas 6 mil doses poderão, não ser um desperdício e realmente termos a possibilidade de vacinar mais gente, que é esse o objetivo. A qualidade está garantida. Eu acho que isso é que é importante, mesmo que nós consigamos tirar mais um pouco daquela quantidade de vacina no frasquinho, a qualidade da vacina está sempre assegurada por esta regulamentação nova que o Infarmed e a DGS vão aprovar.
Mas este desperdício, dizia-me agora das seis mil doses, elas não estão guardadas. Entretanto, já foram mesmo desperdiçadas ou não?
Estas seis mil doses já foram desperdiçadas e portanto estas não poderemos, de maneira nenhuma, ir buscá-las. Portanto, essas seis mil foram perdidas. Agora, novamente, aquelas que vierem a ser administradas nos próximos dias, essas sim, poderemos ganhar e não desperdiçar o que lá temos. Agora, essas seis mil claramente foram perdidas e não há hipótese de voltar a recuperá-las. Até porque do ponto de vista de qualidade, é importante que isso não aconteça e, portanto, são doses perdidas que nós temos.