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A Ordem dos Médicos e o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas pedem ao governo que altere a legislação sobre o uso de máscaras e viseiras. Em causa está a utilização de viseiras em vez de máscaras, algo que as duas entidades defendem que pode comprometer os resultados obtidos agora no combate à Covid-19. O governo defende a utilização de um destes equipamentos de proteção para locais como escolas, transportes públicos ou estabelecimentos comerciais, mas a Ordem dos Médicos e o Conselho de Escolas Médicas dizem que não há evidências científicas de que a viseira seja tão eficaz. Temos, por isso, ao telefone o presidente do Conselho de Escolas Médicas, Fausto Pinto. Bom dia. Ajude-nos a perceber porque é que é preciso este esclarecimento e quais são as limitações das viseiras.
Muito bom dia. Nós ficámos um pouco surpreendidos quando vimos no decreto o "virem máscaras ou viseiras". Pensámos até que poderia ser algum erro na própria feitura do decreto. E foi nesse sentido que procurámos esclarecer e, aliás, já ontem tivemos a oportunidade de ouvir a senhora diretora-geral da Saúde, também no mesmo sentido. A questão é muito simples: as máscaras dão um nível de proteção que não é comparável com o que as viseiras dão. E o que é recomendado habitualmente é a utilização das máscaras, para a qual temos evidência científica que mostra a sua eficácia em termos de proteção, e no fundo, é o que se pretende neste caso, enquanto que as viseiras, quando muito, serão complementares em relação às máscaras. Nós nos hospitais utilizamos, mais até para proteção ocular ou da face, mas nunca isoladamente. E portanto, aquilo que nós pretendemos esclarecer e contribuir de forma positiva, foi alertar para esta questão, uma vez que também fomos questionados por várias pessoas no sentido de tentar perceber o que isto significava. E portanto, aquilo que nós dizemos é que o que deve ser recomendado são as máscaras. Eventualmente, em situações muito excepcionais, que por qualquer motivo a pessoa não possa utilizar a máscara, é melhor uma viseira do que nada, porque dá alguma proteção, mas que a recomendação deverá ser a da máscara e não, em alternativa, a da viseira. E portanto, foi isso que pretendemos esclarecer e alertar que seria importante por parte do governo esclarecer esse ponto. Como digo, já ontem a senhora diretora-geral da Saúde também veio neste sentido e até presumimos que poderia ser algum erro na própria elaboração do decreto, porque de facto não faz muito sentido estar a comparar máscaras com viseiras, que são coisas distintas e o nível de proteção é distinto. E aquilo que se pretende neste momento, em relação ao momento que estamos a viver, a recomendação deve ir no sentido das máscaras e as viseiras apenas como complementares em relação às máscaras, nalgumas situações, ou utilizadas apenas em condições muito excepcionais, isoladamente. Portanto, é esse, no fundo, o esclarecimento que queremos dar. Máscaras dão um nível de proteção que está comprovado, muito superior, as viseiras não dão o mesmo nível de proteção.