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A Rota dos Saberes e Sabores está de volta para mais um episódio. Hoje queremos compreender a internacionalização da Rota dos Vinhos Verdes neste programa que tem o apoio da Região dos Vinhos Verdes. Há cada vez mais turistas, quer nacionais, quer sobretudo estrangeiros, que nos visitam e cujo foco principal são os nossos vinhos, as regiões vinícolas e a gastronomia. A Rota dos Vinhos Verdes não é exceção e tem vindo a registar uma procura crescente. Para nos ajudar a compreender tudo isto, tenho comigo Ildfonso Teixeira, da Quinta da Aveleda, e Cláudia Fernandes, do Palácio da Brejoeira. Bem-vindos e obrigado por terem aceitado o nosso convite. Ildfonso, vocês na Aveleda têm perceção, falando do enoturismo, em relação ao aumento do enoturismo? Ou seja, o aumento, sobretudo da curiosidade para saber que tipo de vinhos são os Vinhos Verdes. Para os turistas estrangeiros, sobretudo, há uma grande curiosidade, cada vez maior, sobre o que são e como é que sabem os Vinhos Verdes. Vocês têm essa perceção no vosso trabalho de enoturismo?
Sim, claramente. Nós temos tido um crescimento bastante grande nos últimos anos, isso é fruto de uma boa divulgação que a região tem feito aos Vinhos Verdes e cada vez surgem mais clientes curiosos com este perfil diferente dos Vinhos Verdes. Nós temos clientes que já têm algum conhecimento de mercados onde o Vinho Verde já tem uma exposição bastante interessante, mas temos outros clientes que chegam totalmente no escuro e que, para eles, é uma surpresa o perfil dos nossos Vinhos Verdes.
Vocês também montaram ao longo dos anos um trabalho de enoturismo notável. Vocês são muito rigorosos em relação a isso. E além disso, têm a Quinta da Aveleda à vossa disposição, essa beleza toda.
Sim, a Quinta da Aveleda é um marco aqui na região, é algo emblemático aqui em Penafiel e não só. É algo que por si só já atrai bastante os turistas. Tem sido um trabalho também crescente de divulgar a Quinta da Aveleda fora de Portugal. Tem funcionado muito bem, mas os nossos vinhos são também um grande chamariz para a nossa propriedade. Nós com a marca Casal Garcia somos uma referência em mercados como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, e isso também contribui para o interesse dos consumidores em vir conhecer o sítio onde o vinho é desenvolvido. E depois a marca mãe, a marca Aveleda, também tem uma reputação muito forte em mercados como Canadá e França, e isso também ajuda que venham muitos clientes visitar-nos por esse motivo.
Portanto, quando eles vêm a Portugal fazer turismo, conhecendo os vossos vinhos, é um motivo adicional para vos visitar, obviamente.
Sim, o fato de já beberem os vinhos no seu país de origem, muitas vezes quando chegam a Portugal, querem saber onde é que é feito o vinho e vêm visitar-nos, vêm já com esse intuito. É interessante ver que muitos clientes vêm com o conhecimento daquilo que é o perfil clássico de Vinho Verde e ficam surpreendidos com toda a multiplicidade de produtos de Vinho Verde que nós temos desenvolvido.
Pois, isso é realmente uma curiosidade adicional. Aliás, eu ia lhe falar sobre isso. Como é que os turistas reagem sabendo que a região, quando vocês informam, demarcada, já tem mais de 100 anos, de demarcação, e é nesta região já muito antiga que se produzem os Vinhos Verdes, não só aqueles que eles provavelmente conheciam, como também a panóplia de vinhos. Ainda no outro dia, eu não tinha provado os vossos vinhos de topo. Como é que eles reagem?
Sim, muitos clientes não têm essa percepção de que a região dos Vinhos Verdes, primeiro, que é uma região em si, porque o nome Vinhos Verdes acaba por estar mais associado ao perfil de vinho e não tanto a uma região específica no nosso país. Isso já por si é uma curiosidade grande para alguns consumidores. E depois também a questão de estarem habituados a um perfil de Vinho Verde, lá está, mais clássico, com alguma efervescência, depois quando chegam cá, experimentam outra tipologia de Vinho Verde, alguns vinhos à base da casta Alvarinho, alguns vinhos com estágio em madeira. Tudo isso permite alargar o horizonte do consumidor e começar a conhecer de outra forma os vinhos da região.
Os turistas que, por exemplo, vêm da Europa Central, a mim já me aconteceu, fazem alguma comparação com os Vinhos Verdes, com alguns dos seus vinhos, dos Rieslings, enfim, do seu vinho branco, etc.?
Sim, sobretudo como estava a dizer ali, Europa Central, Alemanha, França, temos muitos clientes que quando chegam cá veem alguma semelhança, alguma parecença no perfil de vinho e a parte que eles acham mais curiosa muitas vezes é como é que um vinho tão semelhante e com uma característica tão parecida consegue ser desenvolvido a quilômetros e quilômetros de distância.
Exato. Uma outra coisa importante em termos de enoturismo, na minha opinião, é o trabalho que os produtores fazem, neste caso Vinhos Verdes, na restauração. Ou seja, na restauração, com este boom, essa enormidade de volume de turistas que nós temos, e muitos deles já de grande qualidade, em todo o país, absolutamente em todo o país, mas também Os turistas portugueses, por exemplo, que vão de férias para o sul, mormente para o Algarve. Que importância é que tem a divulgação na restauração e a correta proposição de harmonizações com o nosso vasto receituário?
Sim, é muito importante. Nós recebemos turistas, sobretudo aqui que nos chegam na região norte, na cidade do Porto, e muitos vêm até nós também um pouco por isso, como diz, ou seja, quando no Porto experimentam alguma refeição acompanhada de vinhos verdes, ganham curiosidade por perceber onde é criado aquele vinho e vêm conhecer o espaço. Acontece muito isso. Nos consumidores portugueses, eu acho que o vinho verde já é algo tradicional. Começam a ganhar uma consciência maior da localização das quintas, de que é possível até fazer enoturismo nesses espaços, porque muitos deles provavelmente percepcionam apenas a região do Douro ou a região do Alentejo para a prática de enoturismo. E quando começam a explorar um pouco mais e percebem que também aqui na nossa região é possível ter esse tipo de atividades, claro que aproveitam e vêm conhecer. E temos tido também um crescimento muito grande do consumidor nacional.
Sim, isso é muito bom.
Sim, aqui na região temos tido.
Vocês na Aveleda, quando recebem enoturistas para provar os vossos vinhos, vocês têm vários patamares de propostas.
Sim, temos provas para diferentes patamares, provas de entrada, como costumamos dizer, onde vamos aos clássicos vinho verde, que é o Casal Garcia Branco e o Aveleda Loureiro e Alvarinho. E depois temos provas mais premium, mais complexas, como, por exemplo, temos uma vertical de Alvarinho. Pelo fato da Aveleda estar presente em várias regiões, temos uma prova que nós achamos muito interessante que é a Volta a Portugal, em que não só vinho verde, mas depois também da região do Douro, do Algarve, de Lisboa e da Bairrada, que são os outros sítios onde a Aveleda está presente. Aproveitamos para também criar aqui um conhecimento maior nos consumidores, nos turistas, daquilo que é a nossa oferta noutras regiões também.
E, portanto, quando vocês fazem essas ofertas, essa variedade, há alguma oferta ou algumas em que vocês façam harmonização com comida, digamos assim, com alguns produtos. Vocês que também são produtores de queijo, por exemplo. Estou me lembrando disso.
Normalmente as nossas provas são quase sempre acompanhadas por harmonizações, seja com queijos, com enchidos, com compotas. Estamos sempre fazendo algumas ligações entre o vinho e a comida. E também temos a possibilidade de os visitantes fazerem a sua refeição aqui na Aveleda. E aí temos os nossos menus, sendo que um dos menus é totalmente focado na marca Aveleda. E depois temos também um que é o petisco, e nesse propomos também uma combinação entre petiscos tradicionais portugueses e os nossos vinhos, não só de Aveleda e não só da região do Vinho Verde, mas também de outras regiões.
Na minha opinião, acho que isso também ajuda a apreciar os vinhos. Ou seja, uma coisa é estar a beber um copo de vinho seco, digamos assim, embora seja interessante, mas com um petisco, com uns enchidos, com uns queijos, acho que isso ajuda, e se for bem orientado, isso ajuda a melhor percepção da qualidade do vinho.
Sim, varia muito também de consumidores e de país para país. Há países onde já é tradicional as pessoas beberem vinho sem qualquer acompanhamento. Temos o caso dos americanos, onde isso faz parte um pouco da cultura deles. Portanto, estas provas que normalmente nós fazemos logo após as visitas é algo muito standard para eles e com ou sem acompanhamento. Mas depois temos outros clientes, por exemplo, brasileiros, onde a ligação do vinho com a comida é muito mais profunda e é algo que eles procuram com maior incidência.
Vocês recebem que tipo de grupos? Recebem grupos pequenos, médios, grupos grandes? Qual é a vossa possibilidade, digamos assim, em relação ao número de enoturistas?
Sim, na Quinta da Aveleda nós temos muito esse perfil de nos adaptarmos consoante as características dos grupos. Nós recebemos grupos grandes, trabalhamos com alguns operadores que fazem, por exemplo, a subida do Rio Douro e que trabalham conosco, fazem aqui visitas e também almoços. E são grupos normalmente com uma composição entre 60 a 80 pessoas. E conseguimos dar-lhes uma boa experiência da Quinta da Aveleda em grupos maiores. Depois temos também a capacidade de fazer a visita à Quinta da Aveleda para grupos mais pequenos, muitas vezes visitas privadas. Temos uma equipa diversificada de guias, uma equipa também grande em termos de sala de almoços, sala de provas, que nos permite, de certa forma, tocar nas duas tipologias de clientes. Os grupos maiores, grupos mais standardizados e depois grupos mais individuais, mais personalizados, onde há uma maior atenção à necessidade particular de cada pessoa Compõe esse grupo.
Finalmente, a Rota dos Vinhos Verdes é uma rota que já existe há muitos anos, a que vocês pertencem também. Até que ponto é que tem sido importante, e poderá continuar a ser importante, a Rota dos Vinhos Verdes? Ou seja, até que ponto é uma mais-valia para trabalhar cada vez mais este tipo de turismo?
Nós acreditamos muito na Rota. Já somos participantes, estamos inscritos na Rota há alguns anos e acreditamos muito nesta lógica de trabalho conjunto entre os vários operadores da região. A CBRVV tem feito um trabalho muito bom, quer na divulgação, quer na realização de alguns programas. Nós tivemos recentemente aqui na Quinta da Aveleda o Cinema na Vinha e correu muito bem, é uma iniciativa organizada pela CBRVV à qual nós estamos associados. Nós tivemos aqui na Quinta cerca de 200 pessoas a assistir a um filme. E é muito interessante ver que algumas dessas pessoas já nos conheciam, mas que até nunca tinham experimentado conhecer a Quinta da Aveleda e aproveitaram esse momento para vir cá. E tem também outras iniciativas, como agora há pouco tempo tiveram Portas Abertas, que também é outro programa onde nós participamos.
É muito interessante, esse programa é muito interessante. As Portas Abertas funciona muito bem.
Sim, também foi algo que nós aderimos e que achamos que é muito interessante para mostrar algo que as pessoas têm curiosidade, mas que muitas vezes não têm um contato direto. E o fato de haver este programa ajuda que isso seja facilitado.
Perfeitamente. Só pedindo para terminar. Há mais algum novo projeto relacionado com enoturismo na Aveleda?
Sim, nós lançamos este ano uma visita às vinhas. Era algo que não tínhamos. Como falávamos há pouco, a Quinta da Aveleda é muito conhecida pelos seus jardins e as nossas visitas são feitas pelos jardins e com pouco contato direto com a vinha. E então este ano lançamos um novo programa que é a visita às vinhas, passa também pela zona da produção, passa pela adega. É uma visita mais técnica, mais especializada para quem vem com o objetivo de saber mais sobre vinho, de conhecer como é que é o processo de produção. E foi assim a grande novidade este ano, também está tendo uma excelente aceitação.
Sim, é mesmo uma novidade. Muito bem. Parabéns então.
Sim, foi criada este ano.
O Palácio da Brejoeira é uma instituição que recebe também muitos turistas estrangeiros. Cláudia Fernandes, qual é a dimensão da visita desses turistas? Tem aumentado muito em número?
Bem, a posição geográfica do Palácio da Brejoeira, ou seja, muito perto da fronteira com Espanha, é uma mais-valia para a captação de turistas de nacionalidade espanhola, mas também de turistas de outras nacionalidades, que estando na Galiza aproveitam para conhecer Portugal e o Minho, esta região mais a norte. Neste sentido, é natural que 30% dos nossos visitantes sejam de nacionalidade estrangeira. Também temos sentido um crescente interesse de turistas de nacionalidade francesa, demonstrando que o vinho verde, e em particular o Alvarinho, já é um motor de captação de turistas que, por norma, têm um interesse vinícola muito presente, muito acentuado.
Mas quando eles vos visitam, já conhecem o Alvarinho ou então vão fazer uma descoberta?
Normalmente, já conhecem o Alvarinho, não sabem é muito bem onde está. A maioria deles não consegue perceber que o vinho verde é uma região e dentro da região do vinho verde há várias castas e o Alvarinho é uma delas, que encontra aqui nesta sub-região de Monção e Melgaço, o melhor terroir para a sua produção.
Apesar de vocês só terem um vinho, dá perfeitamente para lhes explicar o que é o Alvarinho.
Sim. Nós aqui, em particular na nossa quinta, trabalhamos apenas com Alvarinho. Temos 18 hectares de plantação de casta Alvarinho, ou seja, o nosso vinho é um monocasta, 100% Alvarinho, e também nos permite explicar que desta casta tão nobre não se faz apenas vinho, também se produzem outros produtos, nomeadamente as aguardentes. Nós produzimos duas, uma vínica velha e uma bagaceira.
Isso pode ser uma descoberta interessante para eles, sobretudo para os franceses, que têm o cognac ou o armagnac. Como é que eles reagem, os franceses, às aguardentes?
Eles ainda acham que esses produtos só se produzem mesmo na França e por norma duvidam da nossa capacidade de produzir uma aguardente vínica muito semelhante ao seu cognac. Mas efetivamente isso acontece. Como nós usamos apenas a primeira prensagem das nossas uvas para as nossas garrafas de vinho Alvarinho, as restantes prensagens são vinificadas à parte, ou seja, um processo de vinificação totalmente diferente. Esse vinho é guardado, mais tarde é destilado e depois envelhecido em carvalho francês uma média de 15 anos. E é exatamente o contato com esse carvalho francês que acaba por lhe dar a semelhança, por assim dizer, à aguardente vínica que eles produzem lá na região de Cognac e de Armagnac.
Muito bem. Além do vinho Alvarinho e das vossas duas aguardentes, como é que os estrangeiros reagem a toda essa beleza do Palácio, à grandiosidade do Palácio, não só o exterior como o interior?
Nós aqui temos um slogan que é Património e Alvarinho Temos dois tipos de turistas, por assim dizer. Temos aqueles que conhecem o nosso vinho e que vêm aqui ao Palácio da Brejoeira para conhecer a quinta e perceber ao certo onde se produz esse vinho tão afamado e de qualidade superior, e acabam por ter uma grande surpresa ao perceberem que, além do vinho, temos uma forte componente patrimonial. E depois temos aqueles que vêm apenas pelo património, não fazem a mínima ideia que dona Hermínia transformou este património numa quinta vinícola e ficam entusiasmados por perceberem que também de um monumento histórico se pode fazer um produto rentável, por assim dizer, transformar este monumento rentável através da junção de um produto que acaba por dar rendimento e também financiamento para a manutenção de um palácio.
Muito bem. Vocês vendem muito vinho à porta, como se costuma dizer? Ou seja, quem vos visita compra muito vinho?
Sim, sem dúvida. A maioria dos nossos visitantes acaba sempre por levar uma ou mais que uma das nossas referências. E quando digo referências, estou a falar tanto do vinho como das aguardentes. O fato de o palácio estar integrado no enoturismo e aqui se fazerem visitas guiadas também é uma forma de escoar os produtos que aqui são produzidos, sem dúvida.
Finalmente, a internacionalização é hoje uma palavra que está na ordem do dia em relação, sobretudo, ao enoturismo. Vocês vão continuar a fazer uma aposta na internacionalização da Brejoeira?
Sim, sem dúvida. O enoturismo está com uma forte expansão e com uma aposta clara no mercado estrangeiro. Então é natural que é nossa intenção acompanhar esta tendência. Estamos principalmente empenhados em proporcionar aos nossos visitantes visitas guiadas na sua língua natal. Naturalmente, garantimos visitas nos idiomas mais falados, o francês, o inglês e o espanhol, mas é sempre uma mais-valia as pessoas terem a oportunidade de fazer uma visita acompanhada com guia, pois podemos personalizar essa visita, adaptar a visita aos interesses dos mais diversos públicos e assim proporcionar algo mais pessoal, algo que nós acreditamos que seja inesquecível.
Muito bem, estamos esclarecidos. Esta é a realidade do fluxo de turistas de todo o mundo que não para de aumentar em cada ano, tal a popularidade do nosso país. E a região dos Vinhos Verdes produz vinhos únicos, o que é uma curiosidade adicional para os milhares de turistas que a visitam. Agradeço aos dois terem estado aqui comigo. Até ao próximo episódio.