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Vamos a mais uma edição do "Sem Falta", como sempre com o Pedro Henriques. Pedro, seja muito bem-vindo. Vamos olhar para o trabalho do árbitro Donatas Rumšas, juiz da Lituânia, que esteve no comando deste encontro entre Estugarda e Futebol Clube do Porto, primeira mão dos oitavos de final da Liga Europa. E não vamos perder mais tempo, vamos desde já olhar para os lances, até porque Pedro, começas a tua análise bem cedo, ao primeiro minuto de jogo. Ficou a faltar mostrar um cartão amarelo a um jogador do Estugarda.
Sim, o El Kanouss devia ter visto o cartão amarelo. O mais importante da decisão do árbitro foi não ter marcado a falta que o El Kanouss tentou ganhar e simular. Por quê? Porque é uma situação em que o El Kanouss vai na direção da baliza adversária, embora fora da área, neste caso, na direção da baliza do Porto, e simulou claramente uma falta, que se o árbitro assinalasse, claro, depois o VAR viria a ajudar, se o árbitro assinalasse, mesmo sendo fora da área, seria sempre cartão vermelho, porque cortava uma clara oportunidade de gol. O lance é muito simples, Tiago Silva estica a perna direita para tentar interceptar a bola que ia de posse de bola do El Kanouss. O El Kanouss adiantou demasiada a bola, percebeu que não ia lá chegar. O Tiago Silva, inteligente e experiente, ao fazer aquele carrinho, dobra e puxa a sua perna direita para trás para evitar um possível contato em função do deslize. E o El Kanouss, que até tinha passado por cima do seu adversário, no sentido de não ter tocado, depois de perceber que não tinha sofrido o toque e que a bola já lhe escapava, percorreu dois, três metros e depois projetou-se claramente pro solo. Mais importante, como disse, é não ter marcado o árbitro a falta, porque não existiu. E obviamente que o VAR aqui iria ajudar, porque se marcasse falta era vermelho, e vermelho faria a intervenção do VAR. Mas acima de tudo, depois com as repetições, percebe-se que é muito clara a tentativa de tentar enganar a equipe de arbitragem. Portanto, faltou aqui cartão amarelo. Por simulação. Desculpa, por simulação.
Avançamos para o minuto 30. Pedro, no teu entender, ficou a faltar um cartão amarelo por mostrar também a um jogador do Estugarda.
Sim. Demirović, já sem bola, é aquele lance em que o Diogo Costa faz uma finta à ponta de lança, mas na sua área, e depois coloca a bola na linha lateral em Zaidu. E o Zaidu que entretanto recepcionou a bola, despachou-a, colocou mais pra frente. E o Demirović, sem qualquer hipótese de chegar à bola e disputar o lance, não para o movimento e dá ali com o braço esquerdo, à zona das costelas, vamos dizer assim, do Zaidu. De resto, depois percebeu-se que ele ficou muito maltratado e mais à frente ficou outra vez queixoso, porque percebeu que levou ali um toque nas costelas. E sabemos que esta é uma zona que nós, se entrarmos com o cotovelo ali, se apanharmos em um momento de respiração, pode ser sempre complicado. De qualquer maneira, é uma entrada fora de tempo, é um complemento completamente antidesportivo, incorreto, é uma entrada por si só também negligente. Tudo junto, cartão amarelo.
Ora bem, o próximo lance que queres destacar é o minuto 40, o gol legal do Estugarda. Isto significa, Pedro, antes de irmos ao gol do Estugarda em si, que não há nada a contar nos lances dos dois gols do Porto.
Não, os gols do Porto não têm história no sentido de haver qualquer coisa que se possa estar a verificar, normalmente nesses lances ou ganhas a bola fazendo faltas atacantes, não foi o caso, ou eventualmente marcas gols em limites fora de jogo, também não foi o caso. Tudo legal em relação aos gols do Porto.
Como tal, avançamos para falar do gol do Estugarda, que é, Pedro, já aqui algum motivo de análise, mas no teu entender, tudo legal no gol da equipe alemã.
Porque o Futebol Clube do Porto ficou se a queixar que o Denis Undav, antes de rematar para gol, teria feito falta sobre o Tiago Silva. E queixavam-se com os gestos que fizeram, que o Denis Undav com o cotovelo, com o braço, tinha carregado o Tiago Silva, impedido que o Tiago Silva fosse disputar a bola. Mas as repetições, do meu ponto de vista, também são muito claras. O Denis Undav tem a sua posição ganha, está na área adversária, não tem que sair do local onde está pra deixar passar quem quer que seja. E é o Tiago Silva que se desloca na direção do Denis Undav pra tentar ir disputar a bola. E é o Tiago Silva que vai contra o Denis Undav, que percebendo que ia haver o choque, tem a posição ganha, faz corpo firme, impede ou amortece esse contato, esse choque do jogador que vai contra ele e depois fazendo uma meia-volta, remata e gol. E portanto, o gol legal, sem falta atacante por parte da equipe do Estugarda do Denis Undav sobre o Tiago Silva.
Vamos avançar. Temos ainda mais dois lances da primeira parte. O primeiro, no primeiro minuto de tempo extra da primeira parte, um lance de área, mas no teu entender, Pedro, não há pênalti por marcar a favor do Estugarda.
Sim, é o Willem Gomes que disputa a bola lateralmente com o Jamie Lewin.
Leweling. Nome bastante complicado.
Exatamente, uns dois exaustos pelo meio, não faço ideia quem é. E o jogador do Porto tem o braço esquerdo aberto em contato com o peito. Vou só dizer o primeiro nome do Jamie, que é mais fácil. E este tem o seu braço direito também no peito do Willem. E quando há estes contatos, que pra mim são normais, mútuos, e muitas vezes na conquista da bola e do espaço, quer quem ataca, quer quem defende, o árbitro sempre que há contatos mútuos, deixa sempre seguir as jogadas. Pra mim, além de haver os contatos mútuos, nem sequer há aquela situação, não estão nem os dois a fazer falta um sobre o outro. É mais aquela questão de braço aberto pra controlar a tua posição e tu controlas a minha, e controlamos assim, no fundo, o espaço que nos falta percorrer e a bola que tentamos conquistar. Tudo certo, não há, neste caso, motivo pra infração, que seria pênalti contra o Porto e, portanto, tudo certo, tudo legal.
O último lance da primeira parte que queres destacar, Pedro, é um cartão amarelo mostrado a Willem Gomes aos 45 mais três.
E na altura até passou quase despercebido, depois é que se percebeu, é uma bola que sai pela linha lateral, pelo corredor direito, da forma como atacava o Porto, e portanto, já no meio-campo adversário. E a bola ao sair pela linha lateral e porque naturalmente o Estugarda estava atrás do prejuízo e estava a esgotar-se o tempo de compensação, que foram quatro minutos, Willem Gomes com a bola já fora do terreno de jogo, dá-lhe uma palmada na bola pra que ela fosse mais pra frente, ou seja, pra que ainda saísse mais ali do local, pra que o seu adversário não pudesse rapidamente repor o lançamento neutral. E o árbitro apercebeu-se disso, percebeu que era pra retardar o possível recomeço do jogo. Achou, e muito bem, que esta ação foi incorreta e daí este complemento antidesportivo ser punido de forma correta com cartão amarelo.
Parabéns! Estão analisados os lances da primeira parte. Vamos avançar, olhar para a segunda parte, sendo que o primeiro lance que destacas é ao minuto 48, um cartão amarelo mostrado ao central do Estugarda, a Lischka.
Sim, exatamente. O Finn Leistner acaba por ter uma entrada em take deslizante e a varrer sobre o Barda Sáenz. É uma daquelas que tens os pés no chão e de repente quando dás por ti, estás todo virado ao ar. E foi uma entrada muito dura, bem sancionada disciplinarmente, cartão amarelo por esta entrada negligente.
E vamos avançar, falar de novo de Jamie Leweling, que deveria, no teu entender, ter visto cartão amarelo aos 57 minutos.
Sim, sem bola, sem qualquer interesse em disputar a bola. É uma situação que é à entrada, ou à saída, neste caso, da área do Futebol Clube do Porto, sobre o Fofana. É aquela que ele fica a sacaxado do peito. O Leweling acaba por, sem qualquer interesse em disputar a bola, armar o cotovelo e dar em cheio no peito do Seke Fofana. É uma atitude claramente antidesportiva e uma fração negligente passível de cartão amarelo que o árbitro não deu. Tivemos aqui várias entradas fora de tempo e sem bola e os jogadores foram fazendo isso porque perceberam que o árbitro sancionava tecnicamente, mas normalmente nunca sancionava disciplinarmente. E, portanto, esta é mais uma situação, até comparamos a imagem, percebemos que a bola nem sequer está no local, o jogador até quase fecha os olhos e vai contra o seu adversário mesmo só para acertar ali para derrubá-lo. Podia fazê-lo só com o corpo, mas não, utiliza o cotovelo e uma vez mais em zonas que são sempre complicadas, porque pode te apanhar no momento da respiração, costelas, peito. E neste caso foi no peito e, portanto, livre direto, o árbitro sancionou bem, mas faltou mostrar o cartão amarelo.
O próximo momento que queres destacar, Pedro, é o cartão amarelo mostrado ao central do Futebol Clube do Porto, cartão amarelo mostrado a Thiago Silva.
Sim, sobre o El Kanous, que vai em fintas, vai entrar conforme atacava o Estugarda pelo bico da área da equipa do Porto, do lado esquerdo do ataque, e neste caso, quem defende do lado direito, e o Thiago Silva com o pé esquerdo, perna esticada, estica e com o pé esquerdo toca e rasteira o pé esquerdo do El Kanous, mesma entrada da área, corta um ataque promissor, jogada de perigo, cartão amarelo bem mostrado.
Vamos avançar para o minuto 71, talvez o lance mais pertinente de analisar, o gol que é anulado ao Estugarda.
Sim, e o gol é bem anulado. Há um pontapé livre que é marcado, e o Thiago Tomás, que é o primeiro homem a tentar interceptar aquela bola, está em posição de fora de jogo. E ao estar em posição de fora de jogo, salta com o Thiago Silva, que é o jogador que está a fazer a marcação, por assim dizer, neste caso, nas suas costas, porque o Thiago Tomás está um pouquinho mais à frente. E só para quem nos ouve, Thiago Tomás, não o português, Thiago Tomás do Estugarda. E o Thiago Tomás salta, embora não tenha acertado ou tocado na bola, a bola passa-lhe ali por cima da cabeça e por trás da nuca, o fato é que ao saltar com quem está a marcá-lo diretamente, o Thiago Silva, acaba por ter impacto na ação do adversário. Depois, já de contínuo, dá-se o gol do Estugarda. O árbitro é alertado pelo vídeo-árbitro que há um jogador em fora de jogo de posição, que é o Thiago Silva, que não toca na bola, mas que na opinião do VAR tem impacto na ação do Thiago Silva. Por não ser factual, e esta é só a explicação, cumpriu-se o protocolo. Isto é, se um jogador que está em fora de jogo toca na bola, obviamente que isso é factual, ou toca ou não toca, e portanto o árbitro, por protocolo, nunca vai ao monitor, não vai perder tempo. O VAR viu, está em fora de jogo, colocou as linhas, toca na bola, factual, indica e o árbitro anula o gol. Neste caso concreto, e sempre que um jogador em fora de jogo de posição não toca na bola e na opinião do árbitro, neste caso do VAR, tem impacto na ação do adversário ou tem impacto ou interferência em relação à jogada ou jogo, o protocolo diz "sim, senhor, tu VAR achas que é fora de jogo, mas ele não tocou na bola. Quem tem que interpretar isso, e para confirmar, é o árbitro". Chama o árbitro ao monitor. O árbitro vai ao monitor, foram mostradas as imagens, que são muito claras, o árbitro confirmou aquilo que foi a interpretação feita pelo VAR, mas cumpriu-se o protocolo. O árbitro também teve que interpretar, interpretou e bem, que era gol para anular e pronto, tudo certo. Cumpriu-se o protocolo, boa intervenção do VAR, porque tem impacto no jogo, era a diferença entre ter ficado 2x1 e naquele momento podia ter ficado 2x2.
Temos ainda mais dois lances para analisar. Vamos por partes. O primeiro que queres falar é o lance que envolve Alan Varela e um cartão amarelo, sendo que este aqui é capaz de ser o mais simples de explicar. Foi perda de tempo.
Exatamente, está tudo dito. Pontapé livre a favor do Futebol Clube do Porto, já na meio-campo adversária. O árbitro entende que ele, talvez por estar a ganhar, está a demorar mais tempo na sua reposição. Cartão amarelo por demorar tempo exatamente a repor a bola em jogo.
Sendo que o último lance deste encontro, Pedro, é aos 90 mais três, um cartão amarelo para um jogador do Estugarda e um cartão amarelo mostrado a um jogador do Porto, El Kanous e Zaidu, respectivamente.
Exatamente. Certo, o El Kanous com o pé esquerdo e após uma entrada fora a tempo, pisou de forma negligente o pé esquerdo do Zaidu. Cartão amarelo bem mostrado. Na sequência, quando o Zaidu se levanta, vai atrás de um jogador, que eu penso que não foi o El Kanous, foi outro jogador, para dirigir ali algumas palavras e foi para cima. Eu penso que até foi o Ben Narek que meteu a mão no peito para o Zaidu não ir mais para frente e, portanto, que interpelou ali a situação. Só que o árbitro entendeu que houve aqui uma reação completamente despropositada, antidesportiva, e mostrou também cartão amarelo ao Zaidu. Portanto, tudo certo.
Analisados os lances, Pedro, falta conhecer a tua nota. Donatas Rumšas passa na tua análise?
Vou dar a nota positiva, mas baixa, cinco, pelo seguinte: o VAR tem uma intervenção espetacular e com impacto no jogo, é o mais importante, mas não foi o árbitro, nem foi o árbitro assistente. E portanto, há aqui uma ajuda externa, que faz parte da equipa de arbitragem, mas que eu tiro sempre um pontinho quando é a diferença entre a equipa de arbitragem acertar no campo ou a equipa total acertar com intervenção do VAR. E depois, há três cartões amarelos, e eu acho que aqui é que foi o problema da arbitragem, aparentemente não grave em relação ao jogo, mas isso foi permitindo que o jogo fosse mais físico e mais duro, com entradas, inclusivamente, que aleijaram os jogadores. Não se trata só de um cartão amarelo por agarrar ou uma coisa assim menor, não. Foram tudo entradas sem bola, sem a bola estar lá no local, e isto permitiu ao Estugarda ter um jogo mais físico e mais duro, e isso tem consequências também no jogo. Por isso vou dar nota positiva, nota cinco. Ficaram três cartões amarelos por mostrar de forma muito clara, o El Kanous, o Deminovic e o Leweling, que podiam ter visto ao minuto um, ao minuto 30 e ao minuto 57 cartões amarelos. E é esta a parte que retira mais positividade a esta nota. De qualquer maneira, naquilo que é essencial, o árbitro esteve bem, acertou nas áreas, temos aqui alguns lances. O VAR acertou, vamos dizer assim, no gol anulado. Arbitragem regular na parte disciplina, por isso, tudo somado, nota cinco para a equipa de arbitragem do árbitro lituano.
Nota cinco dada pelo Pedro Henriques ao trabalho de Donatas Rumšas, que esteve no comando deste Estugarda-Futebol Clube do Porto, jogo que terminou com vitória da equipa portuguesa. É desta forma que terminamos o "Sem Falta" deste encontro. Pedro, muito obrigado, é sempre um gosto. O "Sem Falta" fica disponível, como sempre, em podcast.