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Sem falta na Rádio Observador. 32ª jornada, Futebol Clube do Porto é campeão nacional. Venceu por uma bola a zero a equipa do Alverca, num jogo que foi apitado a Pedro Henriques, muito bem-vindo, por David Silva, o árbitro David Silva. Um jogo que também correu sem os maiores problemas. Acabou com alguma facilidade para a equipa, mas com alguns erros técnicos.

Sim, mas temos aqui lance que é determinante para a nota do árbitro, embora, neste momento da festa, nem Alverca, nem o Porto estão preocupados com a questão da arbitragem. Mas vamos lá começar. Minuto 24, um lance importante e bem decidido pelo árbitro, sem a ajuda do VAR, que é aquela questão do gol que é anulado ao Kior. A lei 12, Faltas e Correções, na página 110, diz uma coisa muito simples, é uma alteração da lei, já há uns anos, e que veio dar uma exceção às mãos, que é: quando um jogador marca um gol na baliza adversária, diretamente ou imediatamente após o toque com a própria mão ou braço, mesmo que esse toque seja sem querer, eles dizem acidental, o gol é sempre anulado. E o que acontece é que a bola ressalta da perna para o braço esquerdo do Kior, que até me parece que jogou a bola com o braço esquerdo de forma deliberada, mas deliberado ou sem querer, acidental, o gol foi bem anulado. É uma alteração que, no fundo, o que aconteceu é que qualquer jogador que toque na bola com a sua mão ou braço e que ela entre imediatamente na baliza adversária, ou que só para ele, que depois a seguir faz o gol, o gol é sempre anulado, mesmo que o jogador esteja distraído, sentado, deitado, de costas, não interessa. Tocou no braço, é anulado. E portanto, boa decisão relativamente a este lance. Depois temos ao minuto 37, o Chiquinho viu o cartão amarelo, por protestar por palavras e gestos para com o árbitro. E por quê? Porque realmente há uma falta que o Chiquinho sofre, ele não cometeu, sofre uma falta do Kior, e ao sofrer essa falta, protesta logo de imediato com o árbitro. E o que acontece é que o árbitro mostra primeiro o cartão amarelo pelo protesto e a seguir mostra cartão amarelo ao Kior, porque realmente a falta que o Kior faz é o que a gente pode chamar de falta tática, como queiras dizer. No fundo, agarrou o Chiquinho, impediu uma transição ofensiva, destruiu a jogada. E portanto, o árbitro só iria mostrar o cartão amarelo ao Kior por essa falta, mas como o Chiquinho protestou ainda antes do árbitro fazer isso, o árbitro quase assinou a falta e ao mesmo tempo, primeiro amarelo para o Chiquinho pelo protesto e depois ao Kior. E por que isso é importante? Porque depois, ao minuto 44, há um pisão muito claro, muito evidente, do Kior, que com o pé direito pisa o pé também direito do Chiquinho. É daquelas entradas, os tais pisões negligentes, não tem segundas leituras, não é passível de qualquer tipo de contemplação e, portanto, ficou aqui o cartão amarelo para o Kior. Ora, com o cartão, que ele já tinha visto seis minutos antes, o Kior era expulso. E relembrar que o VAR não pode intervir nesses lances, e isto acaba por ser um lance que se calhar tinha a sua relevância e importância, porque o Futebol Clube do Porto ficava com menos um. Segunda parte do jogo, minuto 47, mais um cartão amarelo fica no bolso, uma entrada completamente despropositada, desgovernada às costas de Enis Gul. O jogador, o Navas, quando salta, vai de joelho, modo caratê, e acerta com as duas mãos na cabeça do Gul e com o joelho nas costas, na zona lombar. E portanto, é um daqueles lances que também não tem segundas leituras. Ficou aqui claramente um segundo cartão amarelo por mostrar. 51 minutos, mais um cartão amarelo que fica por mostrar ao Piotrowski. Ele projeta-se claramente para o relvado na tentativa de ganhar um pontapé de pênalti. Aliás, ele até projeta o seu pé direito contra o pé esquerdo do Navas, que é quem está próximo, para tropeçar nele. E portanto, é uma simulação claramente grosseira. Não é por ser dentro da área, em qualquer parte do terreno de jogo era amarelo, mas sendo na área, para tentar ganhar um pênalti. Claro que o importante é o árbitro não ter assinado pênalti, mas é uma situação para cartão amarelo e que não foi mostrado. Depois, ao minuto 52, o Navas viu de forma correta um cartão amarelo. Eles estavam pegados, foi com o Piotrowski, sem qualquer intenção de jogar a bola, usar as mãos para travar e parar a jogada do Estêvão Lago. Depois, ao minuto 52, o cartão amarelo, e depois ao minuto 76, temos o Figueiredo, que viu também de forma correta um cartão amarelo, porque de forma evidente e persistente vem por trás, agarra e puxa a camisola do Alberto Costa e, portanto, é uma ação disciplinar também correta, porque é um complemento desportivo e também falta tática. Depois só realçar que ao minuto 85 o jogo foi interrompido por causa do fumo, só para relembrar que uma das condições para que o jogo se possa prosseguir ou seja interrompido, questão de não visibilidade, é que de uma baliza tem que se ver a outra. E depois também que os assistentes se vejam um ao outro e consigam perceber o terreno de jogo. E foi isso que aconteceu durante alguns minutos e digamos que este foi o último lance do jogo. O árbitro depois acaba por dar sete minutos de descontos, mas aqui já não é muito relevante e importante, se calhar com um pouquinho de rigor teríamos que ter mais, mas é como se diz, está todo o próprio ambiente do Porto e o Alverca, uns para fechar o título, Alverca tinha cumprido a sua missão e acaba por perder um pouquinho o impacto dessa questão dos descontos.

E resta saber, Pedro Henriques, que nota merece David Silva nesta noite que foi de grande festa e consagração para o Futebol Clube do Porto e onde a arbitragem, apesar dos nossos apontamentos técnicos, hoje ficou assim um pouco em segundo plano.

Exato. E bem, claro, pelo menos neste jogo ficou, porque obviamente quando se chega a estes momentos do campeonato, a não ser que haja coisas muito estranhas, o que importa é mesmo a festa, os jogadores, os adeptos, que isso é o mais importante do futebol. De qualquer maneira, vou dar uma nota negativa, vou dar nota quatro, porque eu acho que disciplinarmente não correu bem. O Kior devia ter sido expulso numa fase muito precoce. Estávamos a falar perto do intervalo. Um jogo com muitas faltas, 40. E depois tivemos ali algumas situações, como vimos, de cartão amarelo por mostrar. Portanto, por isso é que eu digo que disciplinarmente não correu bem. Do lado positivo, o gol anulado, claramente, por parte do árbitro e foi ele que decidiu, mas nota negativa porque quando tens um jogo que uma equipa ganha por 1 x 0 e que podia ter ficado com menos um jogador numa parte inteira, obviamente que isso acaba por ter impacto no jogo e daí eu dar esta nota negativa, nota quatro.

Nota quatro para David Silva, na vitória do Porto frente ao Alverca por uma bola a zero, que valeu aos comandados de Francisco Favarioli o 31º título para os lados do Dragão. Pedro Henriques, contamos sempre contigo em sede de Sem Falta. Vamos também ouvindo a tua opinião. Muitas vezes em O Campeão ecoa notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia, no mundo do desporto, sempre aqui na Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro.

Um abraço, obrigado.