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"Sem Falta", da Rádio Observador. Hoje, depois de um clássico que ditou a eliminação do Porto e a passagem do Sporting à final na Taça de Portugal, temos pano para mangas no que à arbitragem diz respeito. Hoje o árbitro foi Miguel Nogueira. Pedro Henriques, vamos aos lances? Boa noite.
Vamos lá.
Ao minuto três, na tua opinião, faltou um amarelo para William Gomes, do Porto.
Sim, claramente. É uma situação em que a bola até já tinha saído pela linha lateral e, portanto, o jogo ia recomeçar como recomeçou, com lançamento de lateral. Só que entre a bola sair, William Gomes que recuperou a bola ali no limite, adiantou-a e depois o que aconteceu é que vai discutir a bola com o Max Araújo, o Max Araújo ganha a bola e o William Gomes acaba por o ponteapear. Não obstante o jogo depois ter recomeçado com lançamento lateral, não anula esta entrada muito dura que o William Gomes tem, que mesmo recomeçando com o lançamento, disciplinarmente manter-se-ia sempre a questão do cartão amarelo. Portanto, ficou aqui um cartão amarelo porque realmente ponteapeou claramente as pernas do Max Araújo.
Temos depois ao minuto cinco, aquele lance, um lance que está a dar muitíssimo que falar, um lance do qual também se pronunciou Farioli. Um lance ao minuto cinco a envolver Gonçalo Inácio e também William Gomes, que na tua opinião deveria ter sido sancionado com cartão vermelho para o defesa do Sporting.
Sim, no direto a minha dúvida, disse logo que era livre direto, porque realmente foi fora da área e era falta. O que aconteceu é que o jogador do Sporting, o Gonçalo Inácio, ao perder uma bola que vem do lançamento de lateral, ele perde aquele domínio e controle de bola e na tentativa de ir buscar e recuperar com a perna esquerda, ponteapeou por trás as pernas de William Gomes, nomeadamente na coxa. Livre direto, porque era fora da área. A questão aqui, e por isso eu numa fase inicial teria me pronunciado pelo cartão amarelo, é que eu vejo o Diomande lá na zona da área. E nós sabemos que para ser marcada a pena de gol, a tal situação que o jogador vai de lado, tem que o jogador ter a bola dominada ou controlada, e ele tinha, ir na direção da baliza, e embora na diagonal, ia na direção da baliza, e a distância ser curta, e estava na entrada da área. Depois há um quarto fator que é a possibilidade de todos os outros jogadores defensores que não o que faz falta, neste caso tirando aqui o Gonçalo Inácio, se havia algum jogador do Sporting que poderia em tempo útil, para a distância que faltava percorrer, intervir. E faltava-me esse dado, que era parar a imagem e ver a primeira repetição com a câmera master, que é em campo aberto, que é essa que dá para ver a posição, neste caso, de Diomande. Depois quando vi, não tive grandes dúvidas, o Diomande não tinha qualquer possibilidade de intervir em tempo útil para a distância que faltava percorrer por parte do William. Portanto, anulou o Gonçalo Inácio uma clara pena de gol e era cartão vermelho. O VAR não pode intervir pelo livre direto, mas pode intervir pelo cartão vermelho direto e ficou aqui um erro que eu vou dividir entre árbitro e VAR.
Temos depois ao minuto 10 uma advertência para Farioli, técnico do bloco do Porto. Não sei se importaste relacionados com este lance.
Provavelmente sim, que foi na altura de uma interrupção do jogo. O jogo teve várias paragens, várias interrupções, mas eu até destaco aqui o seguinte: é que ao minuto quatro, e encaixa aqui também neste minuto 10, ao minuto quatro, o árbitro já tinha mostrado cartão amarelo ao banco do Sporting e do Porto, portanto a dois elementos técnicos, e ao minuto 10 também ao Farioli, o que demonstra que realmente este jogo não foi nada fácil e os bancos, os jogadores, ninguém estava lá para facilitar.
Temos depois ao minuto 15 mais um erro grave, acredito, Pedro, por parte da equipe de arbitragem, porque na tua opinião ficou também por marcar um vermelho ao minuto 15 desta feita por um homem do foco do Porto, Gabri Veiga, por lance sobre Hjulmand.
Sim, e é muito clarinho, se virem as repetições ou se virem as imagens percebem do que eu estou a falar. Provavelmente foi por causa disso que o Hjulmand depois até acabou por se ressentir e sair. É uma entrada fora a tempo, com o uso excessivo de força, põe claramente em risco a segurança integrada física do Hjulmand. É um pisão de sola com os pitões no tornozelo do Hjulmand, mas é um pisão em que tu tens o pé todo dobrado. É daqueles que até arrepia quando se vê a imagem. Vê-se o pé completamente dobrado e o tornozelo todo a ser pisado e dobrado. É uma entrada que se encaixa na chamada falta grosseira e aqui claramente o VAR não auxiliar para o respectivo cartão vermelho.
Ficou então um cartão, na tua opinião, por mostrar a Gabri Veiga. O mesmo tinha acontecido também ao minuto cinco, ficou por mostrar um cartão vermelho, na opinião do Pedro Henriques, a Gonçalo Inácio, do Sporting, até ver um cartão vermelho para cada lado. Temos depois ao minuto 22 um amarelo para Pablo Rosário. Bem mostrado?
Sim, é aquela situação em que o Morita faz um passe no corredor direito para o Geny Catame, que poderia ficar com o corredor direito para correr e o Pablo Rosário estica a mão esquerda e intercepta a bola com a mão e portanto um comportamento desportivo e que corta uma jogada de perigo, portanto cartão amarelo bem mostrado.
Ao minuto 30 havia razões para a falta sobre Alberto Costa, não sei em que parte do campo.
Era dentro da área. Não há motivo para pontapé de penalti, é um lance em que o Alberto Costa faz ali vários dribles, várias fintas e mesmo pelo centro da área, dá um toque na bola e a bola foge-lhe. E ele já sem possibilidade de recuperar a bola, projeta-se contra o Debast, que entretanto tinha a posição ganha na área. Quem provoca mais o contato é até o Alberto Costa que se projeta contra o Debast e não o Debast que foi fazer, por exemplo, aquilo que quando é assim é falta, uma obstrução com contato ou coisa do gênero. Não foi isso que aconteceu, portanto decisão correta, não havia motivo para pontapé de penalti.
Minuto 34, Pedro, temos amarelo para Morten Hjulmand num lance em que, se bem me lembro, houve ali uma espécie de bloqueio que não foi cotovelada, ficou ali no espaço intermédio.
Exatamente. Foi com o corpo e depois o braço vê-se a levantar, mas não é aquela situação de cotovelada. O Pituzé vai tentar disputar a bola com um jogador do Sporting e o Hjulmand faz um bloqueio para evitar que o Pituzé lá chegasse. Não pode, não se pode desinteressar da bola e fazer um bloqueio, uma opção com contato e portanto livre direto e cartão amarelo bem assinalado e bem mostrado por parte do árbitro.
Temos ao minuto 42, Pedro, um lance que também está a dar muito que falar e ainda há pouco eu estava aqui com os olhos colocados no Porto Canal e vi um oráculo que dizia que entre os comentadores de toda a emissão este tinha sido escolhido como o momento do jogo, mas afirmando que ficou um penalti por marcar a favor do Porto. Vamos saber se é verdade.
Em que canal é que foi?
Porto Canal.
Pronto, OK, está tudo dito.O Debast caiu, está de costas, está com o braço direito em apoio no solo, vai se levantar e há um remate do Gabri Veiga e a bola vai lhe bater no braço. Portanto, tudo certo, sem motivo para pontapé de penalti. De resto, a lei 12, e tivemos aqui agora uns casos ultimamente que a malta esquece que há coisas que é de interpretação, há outras que estão tipificadas na lei, que dizem que os jogadores têm direito a apoiar o braço no solo e da mesma maneira que se levantam com os braços apoiados. E se porventura uma bola bater nesse braço, não há motivo para qualquer infração. Foi o que aconteceu. Portanto, o jogador está de costas, a bola vai-lhe ao braço, ele está em apoio e tudo certo, sem motivo para pontapé de penalti.
Ao minuto quarenta e quatro, houve amarelo para Gabri Veiga. Bem mostrado, Pedro?
Penso que temos de ir-
Não é para Gabri?
Antes já ao minuto quarenta e três. Se calhar não te coloquei aí o lance.
Não tenho aqui minuto quarenta e três, mas avança. Força, Pedro.
William Gomes também vai entrar na área pelo corredor direito e já dentro da área vai chocar contra o Geovany Kenda. Na altura até o Luís Pinto Coelho perguntou se o Kenda não teria usado o braço para parar o William Gomes dentro da área. Portanto, não parou. O Kenda tem a posição ganha, é o William Gomes que vai a driblar e choca contra ele e, portanto, não há motivo para pontapé de penalti neste lance. O erro foi meu que não te passei para aí o lance.
Não, sem problema. Vamos já ao minuto quarenta e quatro, o amarelo para o Gabri.
Quarenta e quatro. Sim, o Gabri Veiga é advertido ao ir em corrida. É aquele lance em que ele vai ali em corrida por trás do Geny Catame e acaba por pisar e até descalçou a bota ao Geny Catame. O árbitro considera que encaixa isto na negligência porque não fez tudo para evitar aquilo que aconteceu e depois ao pisar o calcanhar acaba por ter alguma perigosidade na maneira como faz e, portanto, o árbitro bem no livre direto e cartão amarelo.
Temos agora, Pedro, ao minuto cinquenta e sete, amarelo para o patrão da defesa do Futebol Clube do Porto, o polaco Bernarek.
Sim, foi aquele lance em que o Sporting, pelo eixo área, está a sair de uma bola parada e a sair em transição da área. O Bernarek com o braço e depois projeta o outro e acaba por acertar no pescoço, embora o jogador do Sporting depois tenha agarrado a cara. Mas o fato de muitas vezes os jogadores agarrarem-se à cara onde não foram tocados, não quer dizer que não tenham sofrido falta e que essa falta não seja para amarelo, porque no fundo ele levou foi com uma mãozada no pescoço. Não só esta mão ao pescoço, por si só, já tem algum perigo e é antidesportivo, como acaba por parar aquela que seria uma saída em transição. E por isso, entre estas duas coisas, o cartão amarelo compreende-se e aceita-se.
Temos depois, ao minuto sessenta e cinco, a reclamação que houve no Estádio do Dragão por uma eventual mão de Diomande na área, depois de um remate daqueles chamados à queima roupa, que vamos dizer também aqui, que bateu na muralha defensiva. Resta saber se essa muralha defensiva não tinha para lá uma mão a dar volumetria.
Não, não tinha. O remate do Páblo Rosário vai ao braço esquerdo de Diomande. Ele até comemorou muito a maneira como interceptou a bola. Tem o braço esquerdo completamente dobrado e junto ao corpo. Portanto, se não tivesse lá o braço, a bola batia no corpo. Essa é a grande diferença em que quando os braços estão fora do plano do corpo, uma coisa que a gente chama "make the body bigger", tornar o corpo maior, e que acabam por parar uma trajetória de bola que, se não batesse no braço, seguia para a baliza. Aqui não é o caso. Aqui é uma bola que é rematada, ele dobra o braço, encolhe, está mesmo juntinho ao corpo e leva com a bola no braço e se não batesse no braço, batia no corpo e, portanto, não há volumetria extra. Tudo certo nesta decisão de não haver motivo para pontapé de penalti.
Depois, ao minuto oitenta e dois, temos um amarelo para Rui Silva, guarda-redes do Sporting, que foi de capital importância na última defesa do jogo, mas que aqui-
É por demorar tempo
...fez um pouco de antijogo. Estava a falar precisamente de um bom momento de jogo, mas aqui fez exatamente o contrário. Cortou o ritmo do jogo.
É para bater um pontapé de baliza. O árbitro até já o tinha avisado e ele voltou ali a hesitar, vai pra frente e pra trás. E obviamente, o árbitro mostrou o cartão amarelo, nada a dizer.
Ao minuto oitenta e oito, também um dos lances capitais desta partida. O Porto estava à procura de alguma forma de chegar ao empate na eliminatória, mas viu a vida ficar muito dificultada depois da expulsão de Alan Varela por vermelho. Aos oitenta e oito minutos. Bem expulso, Pedro?
Bem. O VAR chamou o árbitro para lhe mostrar claramente aquilo que foi uma entrada por trás, fora de tempo também, a bola já não está lá, com impulsidade, com velocidade, em salto, que acertou de sola e com os pitões no calcanhar direito do Luís Soares e, portanto, por ser sola, por ser pitões, por ser por trás, por ser em salto e por pôr em risco a segurança integridade física do adversário, mais uma falta enquadrada na falta grosseira e bem o VAR aqui a fazer a sua intervenção e o cartão vermelho é inequívoco.
A fechar os lances e antes de conhecermos a nota final da equipa liderada hoje pelo Miguel Nogueira, vamos ao minuto noventa e cinco, porque houve um amarelo para o recém-entrado Mangas da equipa do Sporting. Também bem mostrado, Pedro?
Sim, foi aquele lance em que o PP foi da diagonal para dentro e ia já numa zona frontal, embora fora da área, e o Mangas vem com ele e ardatemente percebendo que já não estava a conseguir parar, dá-lhe ali um género de empurrão no ombro, desequilibrando, e corta uma jogada de perigo, um ataque promissor e, portanto, livre direto e cartão amarelo.
Resta saber que nota merece a equipa de arbitragem liderada por Miguel Nogueira neste Porto 0, Sporting 0. Segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, que valeu, apesar do empate, a passagem do Sporting à final do Jamor.
Eu vou dar negativa, vou dar nota 4. Este 4 está um bocadinho puxado, porque hesitei entre o 3 e o 4, porque também há boas decisões. O lado bom é que o árbitro acertou em todos os lances da área, potencial penalti, e tivemos quatro, pelo menos, que viemos aqui a falar, dois deles de mãos, dois deles de contacto e choque com o Alberto Costa, depois com o William Gomes, e portanto, tudo certo, na minha opinião. E esse foi o lado positivo, e o VAR, que também ajuda a puxar um bocadinho a nota mais pra cima nesse aspecto, dentro do negativo, por causa da intervenção que fez ao minuto oitenta e oito. Do lado negativo, claramente, a questão dos dois cartões vermelhos, que eu acho que não deixam grandes dúvidas, que ficaram por mostrar. Conforme falamos aqui, minuto cinco, pelo Gonçalo Inácio, porque cortou uma clara oportunidade de gol e ao minuto 15 pelo Gabri Veiga, que realmente é uma entrada duríssima, força excessiva, falta grosseira sobre o Nuno Mano. Este é o lado negativo. Digamos que houve três vermelhos no jogo, na minha perspectiva, de vermelhos diretos, e só um é que foi mostrado. E desse um que foi mostrado, quer dizer que ficaram dois por mostrar. Nota negativa, nota 4.
Nota 4 para Miguel Nogueira, o árbitro que apitou a segunda mão da meia-final da Taça de Portugal, que acabou com empate zero entre Futebol Clube do Porto e também Sporting. Pedro Henriques, vamos voltar a contar contigo em novas rondas de análise, não só em Sede Sem Falta, mas volto a reforçar também aqui, também muitas vezes em O Campeão, com notas de 0 a 20 aos protagonistas do dia do mundo do desporto, é normalmente para ouvir depois da 13h aqui na Rádio Observador. Um grande abraço, Pedro.
Um abraço e até amanhã.