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Sem falta com Pedro Henriques analisando. Fábio Veríssimo, o árbitro que esteve em Alvalade a apitar o jogo da primeira mão da meia final da Taça de Portugal, vitória do Sporting 2:1. Pedro, bem-vindo.
Boa noite. Vamos lá então aos casos.
Oito minutos. Há ou não pênalti de João Neves sobre Pote?
Para mim, não. E vou explicar por quê. O Pedro Gonçalves, efetivamente, tem a sua posição ganha e tem a bola controlada e dominada, está na frente. Quando pressente que João Neves vai tentar disputar a bola e tirá-la eventualmente, faz o seguinte: cruza a sua perna direita lateralmente para a frente, ou seja, também na intersecção da trajetória de João Neves. João Neves também não para o seu movimento e acaba com o seu lado esquerdo do corpo entrando em contato com o lado direito do corpo e também da perna do jogador do Sporting. Não é a situação em que o Pedro Gonçalves está parado e o João Neves vem e carrega de forma incorreta. Não, é o Pedro Gonçalves que cruza a sua perna, traçando-se na trajetória também do João Neves. João Neves também não para o movimento, entram em contato. Nós, em Portugal, não criamos faltas e faltinhas, discutimos todo o tipo de contactos. Se fosse um jogo em Inglaterra, não teríamos qualquer dúvida que não havia qualquer problema. Aqui estamos a discutir um possível pênalti. Para mim, é daquelas situações de contato perfeitamente legal, sem pênalti, não há carga incorreta, não há qualquer pontapé ou rasteira e, por isso, dou claramente como boa a decisão de não ser infração para pênalti.
O Sporting marca aos nove e tudo legal.
Certo, o Umtiti quando passa para Pedro Gonçalves, é bate-tapa em jogo o jogador do Sporting por 65 cm, tudo legal.
A medida disciplinar, primeira ao minuto 31, cartão amarelo para Otamendi.
Sim, o árbitro fez o sinal, também existiu efetivamente que o Otamendi com o braço teria interceptado a bola do Gyökeres, mas curiosamente antes de tocar a bola com o braço, quando ele praticamente deitou-se, ele vai esticar a perna, a rasteira com o seu pé direito tocando no pé direito do jogador do Sporting. De qualquer maneira, corta um ataque prometedor, uma jogada de perigo, até porque havia mais jogadores do Benfica a poder discutir o lance, portanto não é uma cara de golo e por isso o cartão amarelo bem mostrado.
Também amarelo na primeira parte para Morten Hjulmand aos 33 minutos.
Sim, é pelas costas, o coxo é daquela situação de quem tenta ser deslizante com a perna direita à frente. Não é com essa que atinge, é com o joelho esquerdo, que vai dobrado, mas vai muito longe, vem em movimento, é negligente na forma como aborda, é o tal teico e por isso cartão amarelo bem mostrado.
Cinco minutos do final da primeira parte, está aqui por exibir um cartão amarelo a Di María.
Sim, é um lance praticamente já fora das quatro linhas com o jogador do Sporting, penso que com o Matheus Reis, eu estava aqui à procura, não sei se é o Matheus ou não.
É o Matheus, é.
É com o Matheus. Estava agora aqui com o Matheus. É uma situação em que o Di María também já não para o seu movimento e com o Matheus Reis já fora e se calhar desnecessariamente, digo eu, acaba por levantar a sua perna direita, encaixando por baixo das pernas do Matheus Reis e com o pé direito acertar na coxa do Matheus Reis. Completamente desnecessário, não considero agressão, não considero que pontapeou o adversário para o agredir. É aquele toque desnecessário que implica um comportamento incorreto, antidesportivo e por isso, para mim, ficou aqui um cartão amarelo por mostrar. Na sequência, curiosamente o árbitro não mostra ao Di María, mas vai ao banco porque o Paulinho se levantou e porventura está incomodado com a decisão, com palavras acesas e antidesportivas incorretas. O quarto árbitro ou o assistente ouviu, chamou o árbitro e o árbitro mostrou o cartão amarelo ao Paulinho. De qualquer maneira, por muita razão que o Paulinho tivesse, porque realmente o Di María devia ter visto o cartão amarelo, não pode protestar e portanto este cartão ao Paulinho também não deixa dúvidas.
Segunda parte, logo no início, o VAR é chamado para anular por fora de jogo um pênalti que é mal assinalado, basicamente.
Exatamente. O Edwards não é rasteirado por Otamendi, o resto até simulou claramente, portanto, seria uma situação que também seria repetido, caso não houvesse fora de jogo, porque o Edwards simulou claramente uma possível rasteira, que não existiu. O árbitro viu mal o lance, obviamente que sim, e assinou o pênalti. Mas depois há aqui uma questão, é que na construção da jogada, o Gyökeres está em fora de jogo por 1,15m, bastante, 115 cm, e automaticamente ao ter dado este fora de jogo, que é antes do lance do possível pênalti, neste caso não foi pênalti, foi simulação, digamos que anula tudo bem para a frente e a partir daí, tecnicamente, não há nada a fazer, apenas recomeçar o jogo com o fora de jogo e portanto, a partir daqui não está discutido o pênalti errado assinalado, nem a questão que era a simulação. O que conta é mesmo o fora de jogo e esse sim, é claro, Gyökeres está mesmo em fora de jogo.
Entretanto, Coates também com Tengstedt na grande área e não há qualquer falta do capitão do Sporting.
Não, senhor. Coates vai chutar a bola com o Tengstedt. Coates toca claramente com o pé esquerdo, única e exclusivamente na bola. Por que o Tengstedt cai? Porque o Coates ao tocar na bola, o Tengstedt também com o pé direito tentou tocar na bola e ao mesmo tempo, digamos que bateu, chutou contra a bola e a bola prensou o pé e ao prensar, obviamente, o jogador do Benfica acaba por tropeçar e cair. Portanto, não há simulação de Tengstedt. Há, sim, a queda fruto da bola ter ficado prensada entre os pés, mas o mais importante de tudo é que o Coates não tocou, ou melhor dizendo, não rasteirou, não pontapeou o pé de Tengstedt, portanto, o lance é legal e sem motivo para pontapé de pênalti.
Aos 69, o Benfica marca o primeiro gol e tudo legal também aqui.
Sim, o Tengstedt aparece em fora de jogo posicional, mas não tem qualquer impacto na ação. O Ostigard aparece mais ao segundo poste, chamemos assim, mais longe, e é ele que acaba por marcar o gol. E por isso este gol é perfeitamente legal, porque Tengstedt na zona em que está não tem qualquer impacto na ação do adversário. E este é o gol, o um do Benfica, que foi validado.
Entretanto, Di María vê o gol anulado e foi aos 72 e aqui sim, há um jogador que interfere com o guarda-redes do Sporting.
E aqui é o caso de jogo, até porque o próprio treinador do Benfica, João Mário, etc, os jogadores dizem que não compreendem e há que respeitar, obviamente, a opinião que eles têm e a maneira como eles leem o lance e interpretam. E eu gostava aqui de chamar a atenção Se, por exemplo, no lance do minuto oito, estamos a discutir uma questão de contacto, intensidade, e a lei é expressa no que diz respeito ao que é um testarada, uma carga, um pontapé, e depois as pessoas podem interpretar de maneiras diferentes conforme sendo a lei, este lance especificamente, por muito que custe às pessoas, eu respeito muito a opinião das pessoas, é uma situação de lei, daquelas que nós recebemos as informações dos "mekins" e as jogadas da própria International Board, que nos explica e que quer uma interpretação de forma muito clara. E é baseada em quê? Lei 11, fora de jogo, e eu chamo a atenção para as pessoas lerem a lei 11, fora de jogo, a página 97, 98, que mostra claramente três pontos, dois dos quais até se aplicam aqui, que mostram porque é que estes fora de jogos são marcados. Eu vou descrever o lance, o Di María remata. E quando o Di María remata, visto agora do lado do Israel, que é o guarda-redes, o Tangsted está do lado esquerdo da bola. Quando a bola passa pelo Tangsted, exatamente pelas costas, que ele até se desvia, o Tangsted está do lado direito da bola. As pessoas dizem: "Ah, mas o Israel viu a bola partir." Não é o ver a bola partir, isso não tem nada a ver. O que tem a ver é que quando um jogador, neste caso, o Tangsted, acaba por se movimentar e ao movimentar-se pela frente, perpendicularmente ao remate, ainda por cima de estar do lado esquerdo para o lado direito, não é só o momento que a bola parte, é toda a trajetória da bola. E mesmo que a gente diga assim: "Não, mas o Israel viu a bola partir e não podia fazer mais nada naquela defesa." Não é isso que conta. Senão tínhamos de estar sempre a analisar se o guarda-rede defende ou não vai defender ou outra coisa qualquer, como vimos no outro fora de jogo do golo que foi anulado ao Sporting. O que conta é: o jogador está parado, não se movimentou, então não tem impacto. O jogador movimenta-se, cruza-se pela linha de visão, trajetória da bola pela frente, foi o caso, passou da esquerda para a direita, então isto é sempre considerado como impedir o adversário de jogar ou de jogar a bola, obstruindo a linha de visão. E não tem nada a ver com bola partida, isto está expresso na lei. Mais, quando ele se movimenta da esquerda para a direita nesta trajetória, ele acaba por tomar uma ação, que é óbvia, que tem impacto na capacidade do adversário de jogar a bola. E aqui adversário jogar a bola significa guarda-redes poder defender, mas sobretudo com esta questão da visibilidade. Não é ver a bola partir, não é se o guarda-redes, mesmo que o Tangsted mexesse ou não mexesse, podia fazer mais alguma coisa. É toda a trajetória da bola e o insight que o jogador podia ter. E a partir daí não se sabe se o guarda-redes defende ou não defende. É, digamos, metido o carimbo. Portanto, esta lei 11, a página 97, este filme, este boneco, tal e qual como está, que já nos foi passado várias vezes, é para anular o golo, ponto. Independentemente das opiniões que as pessoas possam ter.
Explicação dada. Cartão amarelo, 75 para Di María, puxando a fita atrás, ao minuto 40. Mas era o segundo.
Sim, mas aqui, obviamente, o Di María leva cartão amarelo pelos protestos. O protesto é em relação a este lance que considera que não é o golo anulado. Não podemos estar a dizer que ele seria expulso porque ele não tem nenhum. Se os jogadores já têm um cartão amarelo e depois têm uma ação em que é para amarelo e o árbitro não mostra, aí podemos dizer claramente que o jogador tem que ser expulso. Aqui, não. Claro que nessa lógica diríamos que sim, mas não se pode dizer porque o jogador não tem nenhum amarelo. E a partir daqui, se calhar nem o próprio Di María iria reclamar do lance. Por isso, vamos dizer que este cartão amarelo é pelo protesto, por causa deste lance. E deduz-se que as palavras que foram ditas foram suficientes para o cartão amarelo.
Foi um dos, talvez, lances de maior calor, de facto, o cartão amarelo para Coco Shu.
Sim, mas é só para cartão amarelo, exatamente como disse, calor, é uma entrada durinha, inteligente. Percebia-se que havia já ali uma certa conflitualidade e portanto essa fala como ele entra sobre o Umann é realmente claramente para cartão amarelo, um bocadinho a varrer, como a gente costuma dizer, e por isso tudo certo nesse aspeto.
Finalmente, o último amarelo, que é o minuto 78 para Rafa.
Sim, também por proteste e portanto estávamos naquela fase em que havia já muitos nervos e aqui o cartão amarelo, uma vez mais, vou sempre aceitar como boa, porque o árbitro é que está lá, é que vê os gestos que muitas vezes nós não conseguimos ver porque está a dar repetições, só quando o jogo está parado. E obviamente as próprias palavras, que essas muitas vezes são as mais importantes e que levam os árbitros a mostrar cartão amarelo.
Finalmente, o golo anulado ao Nuno Santo, era um golo olímpico.
Certo, mas aqui voltamos à mesma lei, à lei 11, e também à página, neste caso não é 97, mas é 98, que é na sequência, que diz uma coisa muito simples. Para descrever o lance: quando é batido o livre, o Paulinho está em fora de jogo posicional. Ele está fora de jogo. E o que ele faz? Ele sai da posição fora de jogo e vem disputar a bola, neste caso, com o Artur. E o Artur é o que cabeceia a bola. Portanto, o Paulinho nunca toca na bola, é um facto. Mas uma vez mais, não interessa se o Paulinho fosse lá ou não fosse lá. Imaginemos que o Paulinho ficava-se um bocadinho ou que não ia ou que ia, se o Artur consegue cabecear a bola, se cabecearia de forma diferente, melhor. Isto não conta para absolutamente nada. O que conta é o que diz a lei, que é assim: se um jogador tenta, de forma clara, jogar a bola, que é o caso do Paulinho que foi lá disputar, e se se encontra perto, quer em relação ao jogador que joga, quer em relação à bola, esta ação é considerada sempre como impacto no adversário. Para as pessoas perceberem qual é o espírito destas situações em que o jogador não toca na bola e é punido. Não se vai analisar se um guarda-redes, neste caso, se defese. Defesa em sentido ofensiva, que o Artur até é avançado. Se podia fazer melhor, podia fazer pior, se vê, se não vê, se o jogador parar de disputar a bola faria com que o jogador que corta a bola jogasse melhor. Isso não conta para nada. O que conta é a ação do jogador que está em fora de jogo posicional. Mexeu-se para ir lá jogar a bola, está de perto, tentou ir cabecear. A partir daí, vamos considerar sempre que tem impacto. Para as pessoas perceberem este espírito, tal como o Tangsted, que não importa se o guarda-redes fazia melhor ou pior, é ao cruzar-se, ao movimentar-se, ao cruzar-se na sua trajetória, isso é que conta para a análise. Depois não conta se o guarda-redes defendia melhor ou pior. E as pessoas têm que perceber, podemos não concordar com a lei, mas isto é a lei. E é por isso que estes dois gols anulados, eu sei que agora estamos no último lance, mas estes dois gols anulados, tanto ao Tangsted como ao Paulinho, são de livro, página 97, 98, e são dos bonecos que acompanham estas circunstâncias e não é de interpretação, não tem nada a ver com aquela, repito, lance do minuto oito, que se é pênalti, se não é pênalti, contacto, menos contacto. Este não, este é de livro, portanto não há volta a dar.
Assim sendo, que nota dá para Fábio Veríssimo?
Eu vou dar nota sete. Estava na tentação de até dar mais nota, mas houve erros do árbitro propriamente dito, como o penalti, que é um erro grave, e os gols anulados que os assistentes não conseguiram marcar. Mas hoje, pelo grau de dificuldade, pelo acerto final das decisões, e aqui tenho que meter claramente o vídeo-árbitro com papel crucial naquilo que foi a sua ação, eu vou dar nota sete. Daria muito mais se estes lances tivessem sido vistos pela equipa de arbitragem e apenas confirmados pelo VAR. Mas estou a dar nota sete muito balanceada também pela boa atuação do VAR, que ajudou claramente. Eu sei que é um jogo muito polémico, eu sei que as pessoas, até no meu podcast, inclusivamente, nos vídeos que eu já coloquei na internet para uns canais que trabalho, estão para lá, e eu hoje tenho que dizer isso, estão para lá a insultar e a mandar bitaites. Eu só pedia às pessoas que não é a interpretação delas, por favor, leiam as leis do jogo, pelo menos vejam a cor das páginas que já ajuda. Leiam as leis do jogo e para esta questão do fora de jogo, mais que os bitaites, vão à página 97. Vão verificar o que está escrito, porque é muito importante. E queria deixar aqui mais uma nota que é importante. Há canais de televisão que neste momento já disseram que os gols fora contam e que este golo do Benfica, que como é fora, não, isso já acabou. Eles foram ao doutor Google, foram buscar o regulamento da Federação Portuguesa de Futebol, só que esqueceram de ver a data. Portanto, eu convido as pessoas a ir buscar ao regulamento. "É que é tal e qual, porque houve uma televisão que já falou sobre isso". Eu convido as pessoas a ver o artigo, neste caso, o 13, o regulamento é competição específica da Taça de Portugal para a cara. O artigo 13, o ponto 4, o ponto 5 e depois o ponto 6, sobretudo o ponto 5, explicam que isso já não existe. E portanto, neste momento, se o Benfica ganhar ao Sporting e ganhar pela diferença de um golo, seja 7x6, o que quer que seja, vão ficar ambos com o mesmo número de gols marcados e já não há os gols marcados fora. São 30 minutos de prolongamento, 15 mais 15, e se mesmo assim subsistir o mesmo número de gols no total, vamos para os pontapés da marca de penalti. Repito, artigo 13, ponto 4, ponto 5 e ponto 6, sobretudo o ponto 5. E há coisas, meus amigos, que são da lei, está escrito, e são dos regulamentos, não é da interpretação das pessoas por muitos recursos e por muitos insultos que façam a quem estuda as leis do jogo.
Está entregue este "Sem Falta" com o Pedro Henriques. Pedro, muito obrigado. E a nota está dada, uma nota muito positiva. Uma nota 7, que vai ficar também disponível este "Sem Falta", como habitualmente, através do podcast da Rádio Observador.