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Sem falta na Rádio Observador, está no ar mais um episódio com o nosso áudio-árbitro Pedro Henriques, hoje para acompanhar o compromisso europeu do Benfica. Acompanhámos por aqui o compromisso europeu do Benfica em casa do Hearts. Empate a um golo, num jogo que foi apitado por Sander van Roek. A verdade é que o Benfica passa, apesar deste empate, tinha vantagem na primeira mão por cinco bolas a uma. Vamos, por isso, Pedro Henriques, aos lances. A começar ao minuto 33, um amarelo para o português Cláudio Braga, da equipa do Hearts.
Exatamente. Para não haver dúvidas, é Cláudio Braga, mas estava na equipa escocesa. Basicamente é por protestos. O árbitro assinalou, e bem, uma falta que o Cláudio Braga, junto à linha lateral, fez por trás sobre o Lang. Só que não só o Cláudio Braga não queria a falta que o árbitro assinalou, como queria lançamento, porque realmente a bola, depois de fazer a falta, tocou no jogador do Benfica. E queria lançamento. Perante a decisão que o árbitro tomou, fez aquele gesto com o braço direito de cima para baixo, em protesto, e foi tão veemente que viu o respetivo cartão amarelo, e bem.
Temos logo a seguir, ao minuto 34, na tua opinião, um lance que deveria ter trazido logo a seguir o segundo amarelo do jogo, ficou no bolso, mas era para assinalar o capitão do Hearts. Acredito que foi aquela mão na cabeça do jogador do Benfica.
Exatamente, sobre o Duran. É uma situação que é na meia-lua, relembrar que a meia-lua é fora da área, embora esteja colada à área, é fora da área, em que o Duran está a saltar, nas suas costas está o capitão da equipa escocesa, o Lewis Pepall, que ao saltar acerta em cheio com a mão direita e meio punho na zona cabeça/nuca do avançado colombiano do Benfica. Era livre direto, que o árbitro não assinalou e obviamente por esta entrada negligente, cartão amarelo.
Temos depois ao minuto 39, na tua opinião, sem falta, sem pênalti sobre Rios na área do Hearts. Foram reclamando os homens do Benfica uma eventual falta.
Sim, é aquele lance em que o Rios basicamente se deixa cair, ou seja, é o cruzamento do Shelldrop. O Mak-Pakien, não sei como é que se diz, é P-A-K-I-E-N, não sei como é que se diz o nome do senhor, está nas costas do Richard Rios. É aquilo que normalmente muitas vezes os defesas fazem em relação aos avançados ou a quem está a atacar, e os avançados muitas vezes também fazem, que é não estás a agarrar, não estás a puxar, não estás a fazer falta, mas estás com a mão a sentir a posição do teu adversário para sentires onde é que ele está. Neste caso, o Richard Rios está na frente, o jogador da equipa escocesa, o Mak-Pakien, está nas costas, não agarra, não puxa, não empurra, mas tem as mãos a controlar. E o Rios exatamente quando sente esse contacto deixa-se cair, não há como quer motivo para apontar pé de pênalti.
Temos depois, Pedro Henriques, ao minuto 42, um fora de jogo de Duran.
Sim, é aquele lance que seria importante caso não houvesse fora de jogo, porque o Shelldrop remata, o guarda-redes escocês defende a bola para a frente e o Duran vai à disputa da bola, toca na bola e fica-se com a ideia que poderia ter sido tocado, rasteirado. A repetição, de qualquer maneira, como todas as outras, foram praticamente de longe, em planos muito abertos e pouco fechados, vamos dizer assim, da aproximação. Independentemente daquilo que podia ser a análise que eu poderia ter que estar a fazer, e todos nós, se havia pênalti ou não do guarda-redes sobre o Duran, a partir do momento em que o Duran já está em fora de jogo, quando o seu colega remata, diz que ele, Duran, tira vantagem da posição em que se encontrava e portanto o fora de jogo anula e anulava sempre qualquer infração posterior. A questão do possível pênalti não se levanta.
Invalidado por fora de jogo o Duran.
Exatamente.
Temos depois ao minuto 54, já na segunda parte, o Hearts a chegar àquilo que seria o primeiro gol do jogo, até acabou por avançar no marcador, mas depois voltou tudo atrás, porque houve ali um fora de jogo, que foi pela linha negra, mas uma linha negra também conta.
Certo, algumas coisas a dizer. Primeiro, o árbitro assistente validou o gol, porque realmente é a tal linha negra e dentro daquela filosofia, que se mantém sempre dos assistentes nos limites, embora a malta diga que é no caso de dúvida, não há caso de dúvida, nos limites de deixar seguir a jogada, e fez bem nesse sentido, porque tem o conforto do vídeo ao árbitro. E o vídeo ao árbitro com uma tecnologia que nada tem a ver com a do mundial, esta é muito mais rudimentar, é mais propensa a erro, a outra é quase erro zero. Esta é muito mais complexa nesse aspeto ou não tão segura. De qualquer maneira, não é o Calvin Miller que está em fora de jogo, é na construção da jogada, em que o Cláudio Braga faz a assistência, é sempre o mesmo, o Mak-Pakien. Não sei se diz Mak-Pakien.
Deve ser Mak-Pakien, uma coisa assim.
Mak-Pakien, exatamente. É nessa construção da jogada em que ele está adiantado em relação àquilo que é o penúltimo adversário, que é sempre em relação ao penúltimo que se analisa. E nesse caso, o penúltimo era o Tomás Araújo. Pelas linhas do fora de jogo, estava adiantado e portanto boa decisão de anular o gol à equipa escocesa com a intervenção do VAR.
Temos depois ao minuto 71, um lance de dúvida também na área do Hearts. Se havia ou não pênalti sobre Tomás Araújo. Isso escapou aqui ao árbitro neerlandês deste encontro.
Sim, e fico também com a dúvida, porque no momento é um pontapé de canto a favor do Benfica, o Tomás Araújo está em disputa de bola com o Tomás Magnússon, e o Magnússon, no ato de corrida, provavelmente, e digo provavelmente porque só há uma repetição em plano aberto e de longe, terá pisado com a ponta do pé esquerdo o calcanhar também esquerdo do central do Benfica. E realmente o jogador do Benfica fica impedido de disputar a bola e fica-se depois a queixar exatamente desse pé. Quando se vê a tal repetição de longe, mesmo pondo em câmera lenta, não há uma imagem que possa dizer com a certeza absoluta que está tudo certo, que seria pênalti, ou que está tudo certo, não seria pênalti. A transmissão foi muito isto, lances em planos abertos, de longe, sem grandes repetições, sobretudo nos lances de área. Eu aqui vou dar o benefício da dúvida, quer ao árbitro, sobretudo ao VAR, que tem os planos todos que quiser e com amplitudes e pode fechar. Vou dar como boa decisão, mas digo sinceramente que é daqueles lances que, um pouco pela minha experiência, me cheira a pênalti. Ou seja, se tivéssemos imagens como temos na nossa liga, mais do que uma repetição.
Mais aproximadas, com outros ângulos.
Aproximadas, provavelmente teríamos aqui uma decisão de pênalti. Assim, não posso dizer sem ter a certeza.
Temos depois ao minuto 72, e para fechar a análise aos casos deste jogo, também um lance na área do Hearts, onde voltaram eventualmente a pedir pênalti os jogadores do Benfica Um lance a envolver Scheldrup, Pedro.
Exato. É aquele lance que o Scheldrup achou que ia ser penalty, mas esta, mesmo sem repetição, só com a imagem corrida, por acaso esta dá para ver. Ou seja, tirar esse bocado de imagem do lance em corrida e fazermos nós as repetições, percebe-se que não há falta, porque é que o lateral, o Jordi Altena, que está em disputa corpo a corpo com o Scheldrup, e ele, o Altena, o lateral do Hearts, toca na bola com a ponta do pé direito, e o contacto depois de corpo é todo lateral, sem carga, sem empurrão, sem agarrão. Portanto, o contacto já era normal e sem falta. O toque é na bola, com o pé direito a desviar a bola e, por isso, tudo certo, sem penalty.
Pedro, análise feita a todos os lances deste encontro. Resta saber que nota merece a equipa de arbitragem, hoje liderada pelo neerlandês Sander van Rooy.
Vou dar nota seis. É positiva, obviamente. E por quê? O jogo tem um grau de dificuldade baixíssimo. Um jogo com muito poucas faltas, também reflexo daquilo que foi a filosofia do árbitro, deixar jogar, privilegiar o contato físico, só 18 faltas. Um cartão amarelo, no meu ponto de vista, era jogo para ter tido os tais dois cartões amarelos. Também a perceber este aspecto de interpretação do árbitro, ou seja, dos tais três minutos que deu nos ditos descontos, no minuto 90, que tinha que ser seis a sete, porque realmente assim que pararam as substituições com entrada de novos jogadores e os tais dois gols e mais um terceiro gol, um gol que foi anulado com a intervenção do VAR, tinha que ser jogo, daquelas eliminatórias, estava para ser decidido, tinha que ser jogo para seis minutos, no mínimo. Mas eu percebo, no enquadramento, mais minutos ou menos minutos, não alterava o conjunto da eliminatória e por isso eu entendo isso. De qualquer maneira, a arbitragem é positiva, num jogo de grau de dificuldade baixíssimo, o árbitro não tem culpa que isso tenha acontecido, com o maior destaque para o gol que foi anulado e por intervenção do VAR. Portanto, digamos que o lance mais relevante e importante teve que ser o VAR a ajudar. E daí eu dar aqui um cheirinho de seis e não ser o sete, porque dentro do grau de dificuldade baixíssimo, o árbitro não aproveitou na sua totalidade, neste caso, o árbitro assistente, o árbitro não falha no cartão. Mas isso tem pouco significado e eu destacaria como lance mais importante o gol anulado do Hearts por estar fora de jogo e, portanto, uma arbitragem competente, positiva, de grau de dificuldade baixa. Nota seis.
Nota seis para a equipa de arbitragem, liderada por Sander van Rooy, neerlandês, neste Hearts um, Benfica também um, jogo a contar para a segunda mão da terceira preliminar de acesso à Liga Europa. O Benfica trazia vantagem de cinco gols na primeira mão e por isso está na próxima fase. Pedro Henriques, nós estamos de regresso já amanhã para mais uma dose de Campeonato Nacional, que depois também se vai repetir no sábado, no domingo e depois na segunda. Um grande abraço, Pedro.
Um grande abraço.