Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sem falta na Rádio Observador. Como sempre, recebemos o Pedro Henriques, o nosso audioárbitro. Pedro, seja muito bem-vindo. Boa noite. Vamos começar por falar sobre o trabalho do árbitro Sérgio Gelho, da Associação de Futebol da Guarda. Foi o árbitro que esteve no comando do jogo entre o Marítimo e o Benfica, jogo na Madeira. Pedro Henriques, vamos, sem perder mais tempo, abordar os lances escolhidos por ti, sendo que o primeiro é ao minuto 13, a um lance de cartão amarelo que ficou por mostrar, no teu entender, a Alexander Bah.

Não, foi eu que me expliquei mal. É a lesão do Bah. É que não há motivo para cartão amarelo pela falta sobre o Bah. Era isso que eu queria dizer para as pessoas perceberem.

Ora bem, o interesse é que fique claro. Ou seja, a falta sobre o Bah é efetivamente uma falta.

É aquela que origina a lesão.

Exatamente, mas não há motivos para mostrar cartão.

Não há motivo para mostrar cartão amarelo, porque como o Bah se aleija, fica fora das quatro linhas, já não regressa e fica lesionado, pode ficar a ideia, obviamente, nas pessoas que seguem ou que viram o jogo, que era motivo para cartão, eventualmente amarelo, dada a consequência do jogador se ser lesionado. Vamos lá explicar então por que não é cartão. O Paulo Henrique faz falta, é junto à linha de baliza, situação típica do Bah atacar pelo corredor direito, Paulo Henrique a defender esse mesmo corredor direito e o Bah na tentativa de, com a bola a sair junto à linha de baliza, cruzar a bola. É aí que o Paulo Henrique faz inicialmente aquilo que poderia ser correto, que é a carga com o ombro direito, mas depois ele estende o seu braço direito e entramos na fase em que empurra e é por isso que o livre direto é bem assinalado. A lesão do Bah dá-se pelo fato de ele, ao ter caído, e provavelmente ter caído mal, cair em cima dos fotojornalistas e depois até se vê lá uns banquinhos metálicos por baixo. Portanto, ele estará lesionado pelo impacto, pelo ir contra pessoas que lá estavam, contra objetos, e não pela falta em si, que foi este empurrão muito ligeiro, mas o suficiente para desequilibrar. Para ficar bem claro, livre direto bem assinalado, sem cartão amarelo, boa decisão.

Vamos avançar, Pedro, até ao minuto 22, em que não há pênalti, no teu entender, sobre Gianluca Prestianni.

Sim, é o lance talvez mais caso de jogo, se é que se pode dizer. O Andrade coloca a mão no peito de Prestianni. Fica, para já, a dúvida se foi dentro ou fora. Eu relembro que a única infração que é punida quando no jogador é a questão do agarrar, em que o local da infração não é onde tem início a ação, é quando o jogador é agarrado de fora, entra agarrado, dentro da área e aí cai, aí não é o início da ação, é o final. Todas as outras situações, saltar, carregar, rasteirar e, neste caso, o colocar de uma mão à frente no peito, entra naquilo que é o obstruir a progressão de um adversário. Portanto, todas essas infrações têm que se ver sempre o local da infração para, eventualmente, assinar a falta no início da ação. E fica a dúvida por uma imagem que não é completamente esclarecedora, que esse primeiro contacto de mão no peito do Andrade sobre o Prestianni, que teria sido fora da área. Mas independentemente de ser fora ou dentro, e esse independentemente no sentido do local da falta, eu dou como boa a decisão de nem sequer haver falta. Quando nós paramos a imagem, há a mão no peito. Quando pomos em movimento normal, percebemos que o contacto nem dura um segundo. Ele coloca a mão e retira. Não agarra, não puxa, isso é real e é verdade. Depois, o que as pessoas podem discutir é até que ponto é que mesmo sendo um segundo e sendo rápido, pode ou não retardar a progressão. Eu diria, pela maneira como o Prestianni cai, que tenta mais tirar partido de sentir esse contacto do que propriamente a infração. Portanto, dou como boa decisão. Acho que não há causa e efeito, não há consequência. O contacto é ligeiro e muito rápido e não motivador para aquilo que aconteceu, que foi a queda do Prestianni. Se foi fora da área, mais fácil de tapar a resolução. O VAR aí tem melhores imagens. Se foi dentro, concordo com a decisão de não ser pênalti e da não intervenção do VAR.

Pedro, vamos avançar. Minuto 39, cartão amarelo mostrado a Danilovic.

Sim, o braço direito do Danilovic por trás agarra e puxa a camisola na manga esquerda do Rafa. Até se viu que ele tinha aquele colete GPS por baixo, tal foi o puxão da camisola. É um comportamento incorrecto e desportivo, bem mostrado o cartão amarelo ao Danilovic.

Minuto 41, mais um lance de disciplina, o cartão amarelo agora mostrado a Sudakov, jogador do Benfica.

Mais uma boa decisão, vem por trás do Rafael Gusso. A bola nem sequer está lá, mas o Sudakov percebe que o Gusso, ao progredir numa zona mais central e já no meio-campo do Benfica, que poderia vir a receber um passe de uma bola e portanto, para evitar isso, faz aquilo que se chama uma falta tática, carrega, desequilibra por trás o Gusso. O árbitro teve boa visão, porque estes lances são difíceis, que a bola não está lá, e assinalou, e bem, o livre direto e mostrou o respectivo cartão amarelo.

Vamos avançar, Pedro Henriques, para o minuto seguinte, até porque queres também abordar o cartão amarelo mostrado a Igor Julião.

Sim, porque entra em salto sobre o Pavlídis, derruba-o e acaba por fazer, naquele momento, a sua terceira falta no jogo. Depois tive o cuidado de verificar quantas faltas é que ele tinha cometido, duas, com aquela três, porque o árbitro, ao mostrar o respectivo cartão amarelo, fez aquele sinal de um, dois, três. Por acaso, até coincide com a terceira, mas é para as pessoas perceberem que quando o árbitro faz um, dois, três, não significa que sejam três faltas, significa que é por infringir com persistência as leis de jogo. E como não está determinado na lei o número de faltas, pode ser à terceira, pode ser à quarta, pode ser à quinta, é sempre critério do árbitro, para as pessoas perceberem que aquele número pode não significar três faltas. Curiosamente foi, e concordo com a decisão, porque o Igor estava, desculpem a expressão, a esticar-se na forma como estava a fazer faltas e acabou por infringir com persistência as leis de jogo. Boa decisão.

Vamos avançar então para a segunda parte. O primeiro lance que queres abordar é um lance que envolve Danilovic. No teu entender, não há motivos para pênalti neste lance.

Espera aí que agora tens que me dizer o número.

Minuto 51, Danilovic.

Ok, é bom colocar as marcas. Para ver aqui a sequência. Minuto 51, exatamente, sem pênalti. É um pontapé livre a favor do Marítimo E uma bola parada. Já sabemos que quando há uma bola parada, e neste caso na área do Benfica, os jogadores estão mais ou menos em parelhas, fazendo as suas marcações. Quando a bola é cruzada, o Langlais está por trás em relação ao Danilović. Realmente tem a mão colocada sobre os braços, mão direita no braço direito, mão esquerda no braço esquerdo, porque está por trás, mas não agarra, não puxa, não derruba, portanto não há motivo, no meu ponto de vista, para infração e mais concretamente para motivo para pontapé de pênalti. É um contato ligeiro, inconsequente e portanto tudo certo, sem motivo para pênalti.

Pedro, vamos avançar até ao minuto 61, cartão amarelo mostrado a Tomás Araújo.

O cartão amarelo mostrado a Tomás Araújo é um cartão amarelo mostrado pelo comportamento antidesportivo, também uma vez mais por agarrar e puxar a camisola do adversário. São aqueles agarres ostensivos e persistentes, portanto livre direto e cartão amarelo bem puxado.

Vamos avançar então agora a um dos lances que envolve um gol, neste caso o gol anulado a Pavlídis. Aqui, Pedro, a decisão acaba por ser bem tomada.

Sim, 87 centímetros, não há muito a dizer. Percebeu-se que o Pavlídis já estava adiantado quando recebeu o passe do seu colega e a cidade do futebol limitou-se a colocar mais à frente os quantos centímetros ele estava adiantado, 87 centímetros, nada a dizer. Gol anulado pelo assistente, confirmado pelo VAR.

Pedro, vamos avançar para o minuto seguinte, a altura em que se pediu um segundo cartão amarelo para Igor Julião.

Sim, neste caso ao minuto 64. Repara que houve ali um certo protesto, sobretudo do Prestianni, não só porque sabiam que o Igor Julião já tinha cartão amarelo e que seria o segundo, para mim, uma boa decisão. É um lance com o Prestianni, do corredor esquerdo de ataque do Benfica fora da área. O Igor Julião chega primeiro à bola, estica a perna direita, em contrapartida também o Prestianni estica o pé, a sua perna na direção da bola, mas quem toca primeiro na bola é o Julião. Depois há o contato inevitável dos dois jogadores que têm chegado os pés. Não há falta e a bola acaba por sair pela linha de baliza e o árbitro muito bem dá o pontapé de canto, porque foi o Igor Julião a tocar na bola e a mandar a bola pela linha de baliza e portanto, ter chegado primeiro, ter tocado na bola, para mim é um fator decisivo neste lance para não haver qualquer infração e por isso pontapé de canto. E sendo pontapé de canto, não sendo livre direto, obviamente não está em causa a questão do cartão amarelo.

Pedro, falta abordarmos dois lances. O primeiro é o minuto 66, cartão amarelo mostrado a Sirka.

Sim, Alessandro Circati a ver de cartão amarelo, uma vez mais dentro de uma linha de muitos cartões que hoje foram mostrados neste jogo, o agarrar e puxar a camisola do adversário. Neste caso, até travou uma saída em contra-ataque. Na altura, o Marítimo estava a tentar sair pelo corredor esquerdo e já era depois do meio-campo. Por isso, boa decisão disciplinar, livre direto, cartão amarelo.

E Pedro, o último lance que queres abordar é o segundo gol do Benfica.

Sim, também para dizer que não há fora de jogo, porque foi isso que esteve em análise. O Pavlídis faz a assistência de cabeça pro Barreiro, que finaliza e marca o gol, e o Leandro Barreiro está em jogo por 55 centímetros e, portanto, boa decisão, tudo correto, o segundo gol do Benfica, legal, sem fora de jogo.

Analisados os lances, falta conhecermos a nota. Pedro Henriques, Sérgio Galhe passa na tua análise?

Sim, o Sérgio passa, o relvado é que não. Importante eu dar destaque à boa arbitragem, decidiu bem dentro e fora das áreas, uma boa decisão disciplinar. Os assistentes também tiveram um bem, quer no gol anulado ao Benfica, do Pavlídis, quer depois no gol validado, o segundo do Benfica. Portanto, a equipe de arbitragem esteve bem, por isso vou dar nota 7. A minha nota de destaque pela negativa é para o estado do relvado. Aliás, é só ouvir as entrevistas que vários intervenientes deram depois, ouvir inclusivamente aqui os nossos colegas que fizeram a análise, penso que até o Augusto Inácio. Todos eles se referiram à questão do relvado que, estando igual para as duas equipas, não estava em boas condições. E esta questão do relvado também me preocupa, obviamente, porque acho que a liga, a federação, os clubes têm de arranjar aqui uma solução viável para que não estejamos sistematicamente a jogar em tapetes que são verdes, mas são irregulares, a bola não rola, vai aos saltos. No minuto 14, há uma filosofia muito curiosa que é o Pavlídis meio agachado, com um bocado de tufo de relva nas mãos e ele próprio a fazer de jardineiro e colocar a relva naquele buraco para evitar que algum jogador pudesse tropeçar ou cair. Eu acho que a nota menos positiva é mesmo para o relvado que estava impróprio, mas para a equipe de arbitragem, nota 7, porque estiveram muito bem.

Nota 7 dada pelo Pedro Henriques ao trabalho de Sérgio Galhe, o árbitro que esteve no comando deste jogo entre o Marítimo e o Benfica. Pedro Henriques, está feito o "Sem Falta", é sempre um gosto e fica, como sempre, disponível em podcast. Um grande abraço.

Obrigado.