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Pedro Henriques, bem-vindo.

Boa noite.

Muito boa noite. Tess Olofsson, da Suécia, foi a juíza. Analisando aquilo que aconteceu, a primeira nota vai para o arranque do jogo, que não arrancou em simultâneo com o jogo da Espanha e Itália.

Sim, nós fizemos referência a essa questão porque o jogo da Espanha já ia com um minuto e 10 segundos, ou coisa que o valha, quando se iniciou o jogo de Portugal. E nós sabemos que nestes jogos, até porque depois na segunda parte a coisa já foi feita como deve ser, houve ali uma falha qualquer, porque realmente não fez sentido nenhum o jogo ter começado antes um minuto e tal. De qualquer maneira, quis fazer esta referência porque nestes jogos, na última jornada, sejam jogos FIFA, sejam jogos UEFA, a organização tem sempre isto muito bem pensado e estudado para criar aquela questão de equidade, para não haver uma equipa que acabe muito antes que a outra e depois possa jogar com isso em termos de resultado, porque hoje o que estava aqui em jogo era resultados e gols. Não foi o caso, não foi necessário, infelizmente para Portugal, mas os gols podiam vir a ser relevantes e importantes no limite, e daí haver este cuidado que não foi tido em consideração no início do jogo.

Medida disciplinar, primeiro minuto 30, cartão amarelo. É o primeiro amarelo e é para Diana Gomes.

É aquela infração sobre Yaci Bloom, que acaba por sair lesionada, aparentemente até com alguma gravidade, depois vimos ela no banco com gelo no joelho. Pode ser que não tenha sido tão grave quanto isso. Ela fez um entorse, percebeu-se isso depois de apoiar a perna no chão. A carga em si é uma carga nas costas, normal, de uma bola que é metida, penso eu, não estou em erro, pela guarda-redes, longa, e na zona do meio-campo, a Diana, ao saltar nas costas, acaba por fazer uma falta, porque carrega nas costas e não é permitido carregar com o peito nas costas da adversária. A questão da árbitra, eu acho que ela foi induzida um bocadinho pelo que é a consequência. E nós sabemos que hoje também é dito aos árbitros, entenda-se árbitros em termos genéricos, árbitros e árbitras, que muitas vezes no tipo de cargas, de entradas e de faltas, a consequência também é para ser levada em consideração. Se a jogadora ficou a sangrar, se é uma lesão bastante grave, porque depois o futebol não vai entender como é que uma determinada infração é só penalizada tecnicamente sem disciplina, quando por vezes um jogador ou uma jogadora pode sair dali muito lesionado e às vezes até está depois impedido de jogar uma série de jogos. Eu acho que foi por aí que a árbitra foi no cartão amarelo. Dentro dessa perspectiva, aceita-se, porque a carga em si, a falta é uma falta absolutamente normal, passível de apenas livre direto. Não justificava o cartão amarelo.

Muito bem. Minuto 45, tempo de desconto, qual é a nota?

Sim. O tempo de desconto foram cinco minutos, é para referenciar que aqui o AVAR, o assistant video assistant referee, tem sempre um papel muito importante, sobretudo quando é para ajudar a equipa de arbitragem no tempo perdido nas lesões. Ou seja, sempre que há uma assistência a uma jogadora, a um jogador, que demora bastante tempo. Porque o árbitro, muitas vezes, está a falar com os jogadores, não tem essa noção, porque o relógio está sempre a rolar. E neste caso concreto, a Yaci teve um tempo de assistência de 4 minutos e 38 segundos. Na altura, tínhamos até falado em dar cinco minutos e a árbitra acabou por dar esses cinco minutos e portanto foi um bom tempo de compensação e de acordo exatamente com essa assistência.

Entretanto, segunda parte. E aqui tudo normal, porque o jogo começou exatamente à mesma hora em que arrancava também a segunda parte do outro encontro.

Exatamente. E não é coincidência. Por quê? Porque reparem, o jogo de Portugal acaba cinco minutos para lá do jogo de Espanha. Ora, o intervalo não deve exceder os 15 minutos, isto é lei geral. O que significa que o intervalo do jogo Portugal teve cerca de 17 minutos, mais concretamente, estava aqui a olhar para os tempos, e o da Espanha, o Espanha com Itália, teve 22. Por quê? Porque aqui os delegados já entraram em reunião telefónica, com certeza, no sentido de fazer com que o jogo começasse. E começou com uma diferença de três segundos um em relação ao outro. Ou seja, já houve esse cuidado. Ou porque houve a falha no início do jogo e portanto alguém também chamou a atenção. O fato é que na segunda parte já se iniciou exatamente com esse rigor, sendo que o jogo da Espanha teve mais cinco minutos de intervalo, exatamente por causa do jogo de Portugal, por causa dessa questão da lesão e do tempo de assistência e de ter terminado depois.

Lance de área sem penalty sobre a Tatiana, minuto 52.

Sim, há um contacto da número 11 belga, Janice Cayman, que realmente quando a Tatiana está toda no ar para cabecear, ela coloca-lhe ali um braço dobrado ao nível da cintura. Portanto, a jogadora está projetada, está no ar, já não tem os apoios no chão e há ali aquele contacto. Mas não há propriamente aquilo que se chama um empurrar ou uma carga que desviasse a jogadora portuguesa no momento que estava a tentar cabecear. É aquela situação de proteção em que tu tens alguém a saltar junto a ti, tu tens o teu braço também a proteger-te e daí esse contacto. Os contactos são permitidos, o que não é permitido é empurrar, agarrar, carregar, etc. E no meu ponto de vista, foi uma boa decisão, porque não foi empurrada, não foi carregada, é apenas um contacto que no meu ponto de vista foi legal.

Entretanto, cartão amarelo para Justine Vanhaevert, minuto 60. Tudo certo?

Sim, é aquela situação com o braço esquerdo no ombro direito que retarda a corrida da Tatiana Pinto quando ela ia já na direção da baliza pela zona central, portanto, à entrada da área. E a árbitra muito bem ao punir com livre direto, porque cortou uma jogada de perigo, o chamado ataque promissor, tinha que também mostrar o cartão amarelo e foi isso que fez.

Entretanto, golo anulado à Bélgica. É bem anulado este golo ao minuto 65?

É a Marie Detroyer, acho que é assim que se diz, que faz a tal falta sobre a Andreza Cinti. E foi isso que fez a recuperação de bola que depois deu no gol. O VAR, muito atento, chamou a árbitra para ir ao monitor e mostrou-lhe que a jogadora belga, a Marie, com o braço esquerdo, primeiro agarrou e encaixou o braço direito da Andreza Cinti e depois puxou o mesmo. E foi isso que fez com que Portugal perdesse a bola e daí tivesse resultado na mesma fase de ataque, porque depois a equipa belga veio na direção da baliza adversária e fez o gol. Foi anulado o gol, como o jogo recomeçou com essa falta, com livre direto, ou seja, com uma falta perigosíssima a favor de Portugal junto à área belga. Portanto, tudo certo, mas quando dizemos aqui tudo certo, graças, naturalmente, à excelente intervenção do vídeo-árbitro.

Minuto 87, gol de Portugal.

Sim, aqui a questão é porque os belgas também estavam a se queixar que Portugal tinha ganho a bola também numa recuperação faltosa, mas depois a repetição é muito clara, a jogadora belga é que se projeta contra a jogadora portuguesa e é por isso que perde a bola. Portanto, não há qualquer infração, qualquer rasteira, e daí o gol também ter sido revisto pelo VAR e rapidamente o jogo recomeçou, porque é daqueles lances que não requer muitas repetições.

Minuto 89, mais um amarelo para Adonte, a jogadora belga.

É aquela falta chamada falta tática que para a Tatiana Pinto, impedindo claramente de sair numa jogada de contra-ataque e por isso cartão amarelo bem mostrado.

Entretanto, há ainda aqui duas situações, um amarelo para a Fátima Pinto, já para além dos 90. Protesto.

É o tal protesto, é o tal cartão amarelo que nós percebemos que a árbitra estava a acabar de arrumar alguma coisa na carteira e não se percebeu qual era o cartão amarelo, depois foi recuperar e foi por uma situação que resultou no pontapé de canto e havia ali protesto por parte da Fátima Pinto e devem ter sido evidentes e ostensivos ao ponto da árbitra ter mostrado o cartão amarelo.

Finalmente, minuto 92 é o gol da Bélgica.

Depois estive ali de volta do lance porque realmente estava a tentar perceber como é que era fora de jogo, mas sim, fora de jogo. É que nós, ou eu, no meu caso concreto, estávamos a focar no momento em que a jogadora belga remata contra a sua própria colega e a bola vai ao ombro e estávamos todos focados num eventual braço, que aí sim, se a bola depois de bater na mão, braço e entrar diretamente na baliza adversária, nunca é gol, mesmo que esse toque seja acidental, porque isto é da lei. E portanto, estava focado nisso e não estava a perceber por que estavam a dar fora de jogo. Porque a guarda-redes, a Patrícia Moraes, que estava caída no chão, juntamente com a Fátima Pinto, que estava sobre a linha de baliza e depois até dentro da baliza, essas duas jogadoras estavam a colocar em jogo todas as outras jogadoras, nomeadamente a que tocou a bola com o ombro. A questão é que, e foi muito bem visto pelo vídeo-árbitro, e é importante ter essa capacidade de analisar e de analisar de forma tão célere e rápida, é que a número 19, a Sari Kees, que realmente não toca na bola, mas a bola, quando vem do ombro da sua colega e entra na baliza portuguesa, esta Sari Kees que não toca na bola, estando em posição de fora de jogo, está sob a linha de baliza, está a impedir que a Fátima Pinto acabe por se poder movimentar ou tentar cortar a jogada. E portanto, este fora de jogo posicional, à Sara Kees, porque ela não toca na bola, é sempre posicional, acaba por ter impacto direto na Fátima Pinto, que se vê impedida de tentar desviar, tirar dali a bola, porque a Sara Kees faz um género de barreira, não permitindo que a Fátima pudesse tentar chegar à bola, que entretanto vinha do ombro da jogadora belga. E por isso este fora de jogo foi muito bem tirado. Por não ser factual, isto é, porque a jogadora não toca na bola, porque se toca na bola, o VAR vê e automaticamente dá a informação ao árbitro, e a árbitra neste caso anula o gol, por não ser factual, por ser de interpretação, ela está em fora de jogo posicional, que tem impacto, mas é sempre de interpretação, é e diz o protocolo, que o vídeo-árbitro tem que sempre chamar o árbitro pra dizer: "Olha, para mim há fora de jogo posicional, com impacto na ação adversária, mas tens que ser tu a analisar, porque é uma situação não factual". E foi isso que aconteceu. E, portanto, muito boa decisão do vídeo-árbitro num lance extremamente difícil, daqueles que acontecem um em mil, como costumo dizer.

Era um lance para entrar e isolar e dar no curso?

Sim, este lance é. Aliás, eu já tirei este frame, porque este frame é muito giro para falar de fora de jogo posicionais e para colocar exatamente nos cursos de treinadores de nível um, para se explicar exatamente uma das situações de fora de jogo posicional com impacto na ação, neste caso, da última jogadora, que era a Fátima Pinto.

É uma juíza que, e falávamos aqui nisso logo no início, foi jogadora de futebol, um curto período até os 20, 21 anos, creio eu. Teve ali um problema numa lesão e optou logo também para a carreira de juíza. É muito experiente. Até a Olofsson está aqui num quadro competitivo, é candidata a este nível, parece-me, a habilitar-se para uma final, não?

Exato. Eu vou dar nota. Sim, é claramente candidata, porque é uma árbitra muito experiente, ainda por cima é sueca, está habituada a apitar jogos também masculinos, mas femininos da Suécia, que é um dos países mais evoluídos.

E ela tem uma particularidade, não sei se concordas comigo, que tu gostas muito, que é a componente física.

Sim, sim. Ela, pra já, estava sempre acima dos lances, sempre a abrir, sempre em velocidade. E depois como é grande, não tenho aqui por acaso os dados da altura, mas como é grande, como é alta, acaba por ser imponente. Aliás, vi-se algumas situações que ela até chamava as jogadoras e estava a falar sempre de cima para baixo, porque ela é mais alta que a maior parte das jogadoras. E portanto, além da excelente condição física, compreende sempre os lances muito perto e com velocidade, que eu acho que isso é muito importante, ou seja, sempre a dar piques, sempre a dar sprints. Também tem uma boa presença física e isso é extremamente importante. E vou dar, se me permites já dar a nota, então vou dar nota seis, porque há dois lances que são claramente decisivos e importantes, dois gols anulados à Bélgica, que a árbitra não conseguiu ver. E, portanto, esta nota seis é claramente para o auxílio e a importância do vídeo-árbitro num jogo, que iria ser sempre um jogo com muitos casos, ou com dois gols e com dois casos, tornou-se num jogo bem resolvido por ação de toda a equipa de arbitragem, mas com especial incidência para o vídeo-árbitro. Portanto, eu dou aqui uma nota seis, retirando aqui um pontinho que daria se estes dois gols anulados fossem por parte da equipa de arbitragem, da parte da árbitra, como sempre faço. Neste caso, foi o VAR, ajudou, colaborou, mas é claramente um seis, quase todo entregue às duas excelentes intervenções do vídeo-árbitro.

Nota seis dada então pelo Pedro Henriques para a juíza Tess Olofsson, da Suécia, juíza de 36 anos de idade. Fica também disponível este "Sem Falta" através de podcast da Rádio Observador. Pedro, até à próxima.

Até à próxima. Abraço. Obrigado.

Grande abraço.