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Vamos a mais uma edição do "Sem Falta" com o Pedro Henriques. Pedro, seja muito bem-vindo, muito boa noite.
Boa noite.
Boa noite. Vamos olhar para este trabalho do árbitro Slavko Vincić, este juiz esloveno esteve no comando deste encontro entre o Benfica e o Nápoles, a contar para a Liga dos Campeões. Triunfo da equipa portuguesa por 2 x 0, gols de Richard Rios e também de Leandro Barreiro. Essa é uma análise para outra altura. Aqui vamos olhar e escrutinar precisamente os lances de arbitragem. E Pedro, o primeiro lance que quero destacar é logo aos três minutos. No teu entender, não existe grande penalidade sobre Barreiro.
Sim, é o lance mais relevante e importante de um jogo que praticamente não teve casos, e os que teve foram bem resolvidos, quase todos. Este é o lance mais importante, porque é o minuto três e ficava a dúvida se realmente tinha havido pênalti sobre Richard Rios. Ele ficou se a queixar de ter sido tocado, rasteirado, pontapeado pelo Eljif Elmas, mas só a câmera por trás da baliza foi esclarecedora, porque nas primeiras repetições havia muitas dúvidas se realmente o Elmas, quando esticou a sua perna direita, se com o pé tinha tocado na bola, se tinha tocado na bola e no pé. A câmera por trás da baliza é claramente esclarecedora e daí a importância muitas vezes do tal ângulo de visão, e também para os árbitros, a forma como eles colocam, se movimentam e o ângulo de visão que às vezes têm, pode esclarecer ou às vezes pode dar mais dúvidas. E esta câmera por trás da baliza é esclarecedora. O Elmas estica o pé direito e com a ponta desse pé toca única e exclusivamente na bola, não pontapeia o Leandro Barreiro. Portanto, tudo correto, sem motivo para pontapé de pênalti, que foi isso que na altura foi pedido.
Olha, Pedro, vamos avançar para o minuto 20, o lance do gol do Benfica, Richard Rios. Tudo legal, Pedro?
Sim, aqui a questão eram duas, uma menor em relação à outra. Digamos que há ali uma carambola em Franji Ivanović. O Samuel Gal cruza a bola para a área e depois há uma carambola entre um jogador do Nápoles que corta a bola e a bola bate no Franji Ivanović e daí ressaltar para o Richard Rios, que faz o gol, faz aquele toque sutil desviando a bola do guarda-redes. E a questão era em que parte do corpo tinha tocado no Ivanović, porque podia ficar a dúvida se não teria havido ali um braço. Não, foi no ombro e, portanto, o ombro é uma zona legal que se pode jogar. E depois, a partir daí, o segundo ponto, também fácil de analisar, é se nesse momento da carambola, no fundo do toque no Ivanović, se o Richard Rios, que apareceu isolado na cara do guarda-redes, estaria ou não em fora de jogo. Não estava em fora de jogo, partiu de posição legal. Portanto, estes dois momentos de análise, bola no ombro de Ivanović, Richard Rios nesse momento aceita posição legal, portanto, o gol do Benfica legal, sem qualquer infração.
Falta-nos falar ainda sobre um lance da primeira parte, minuto 45, faltou, no teu entender, um cartão amarelo para um jogador do Benfica, nomeadamente Dedić.
Sim, é para mim o único erro de arbitragem, mas sem grande impacto, sem grande relevância, mas é um erro, porque depois há um lance parecido à frente e que o árbitro já tem o critério certo. O Dedić, sem qualquer interesse em jogar a bola, apenas para parar a jogada, portanto, a chamada falta tática, mas fazê-lo de forma que não se pode fazer no futebol, que é agarrar, puxar e derrubar. Neste caso, o Lang, este comportamento desportivo é passível de cartão amarelo e o árbitro não deu. Aliás, no relato, até os colegas estavam a dizer: "Não, ele vai dar cartão amarelo, é tão evidente, é tão claro". Mas depois não deu.
Aquele agarrão com as duas mãos a puxar o jogador do Nápoles.
Exatamente. E portanto, o cartão amarelo que ficou por mostrar é talvez o único erro aqui do árbitro.
Vamos então avançar para lances da segunda parte. Aqui a destacar ao minuto 52, um cartão amarelo mostrado a um jogador do Nápoles, neste caso, Lang.
Sim, o Lang é bem mostrado. Vai por trás do Franji Ivanović e é um misto de carregar e empurrar. Carrega e depois com o braço empurra por trás o Ivanović, também sem qualquer intenção de jogar a bola, uma vez mais para parar o jogador croata do Benfica, que saía em contra-ataque, portanto, uma saída rápida e esta falta tática bem punida com cartão amarelo.
Ora, avançamos, minuto 78 e aqui sim, Dedić acabou por ver um cartão amarelo.
Sim, aqui é no lançamento lateral. Percebi que é por lançamento lateral que o árbitro entendeu que houve aqui um retardar nessa reposição de bola em jogo. Nós sabemos que uma das coisas é mesmo isso, retardar o recomeço de um jogo, seja num lançamento lateral, pontapé de baliza, pontapé de canto, o que quer que seja, é punido com cartão amarelo. Não há nenhum tempo limite, é sempre critério do árbitro e obviamente que analisa sempre os fatores, no caso uma equipa estar a ganhar, etc. E aqui o Benfica estava a ganhar e portanto faltavam 12 minutos de tempo parlamentar e o árbitro entendeu que o cartão amarelo tinha que sair exatamente por essa perda de tempo. Eu vou dar como boa a decisão, até porque nós não vimos a jogada toda na sua extensão.
E até por norma, Pedro, estes lances de cartões amarelos por retardar o jogo acontecem muito mais em pontapés de baliza do que propriamente lances laterais.
Sim, lançamento, exatamente. Às vezes o lançamento é mais perto do fim, quando os jogadores querem, que não é o caso aqui, obviamente, muitas vezes a nível dos campeonatos internos, fazerem uma sessão de cartões amarelos para limpar para o jogo seguinte, que teoricamente é mais fácil, para depois ficarem libertos para jogos mais difíceis. Aqui, faltou-nos só um aspecto, que é não vimos a jogada toda, isto é, vimos no momento em que até um adversário que lhe dá a bola para ele lançar, depois há uma repetição e depois quando repõe outra vez a câmera na linha lateral, está o árbitro a mostrar o cartão amarelo e portanto falta-nos aqui mais pormenores. De qualquer maneira, o motivo que levou o árbitro a mostrar esse cartão amarelo foi por retardar o recomeço do jogo por parte Dedić e eu dou sempre como boa a decisão nessas circunstâncias.
Falta-nos falar então apenas sobre mais um lance neste jogo entre o Benfica e o Nápoles. Neste caso, é já perto do fim, já nos últimos cinco minutos, quando Vergara vê cartão amarelo, aqui um lance que até gerou alguma confusão sobre se tinha sido mostrado um cartão ou dois.
Exato.
Mas confirma-se que foi só um?
Foi só um. António Vergara acaba por ser bem advertido, porque ele, ao esticar a sua perna, claramente tenta destruir a jogada do Dalot. Acaba por tocar e desequilibrá-lo. Curiosamente, ele não cai logo, mas ele vai tão em desequilíbrio que depois vai chocar ou vai ser ainda tocado pelo João Jesus. Portanto, o árbitro entende, e eu compreendo, ele podia ter mostrado ou atrás ou à frente, porque no fundo, ambos os jogadores acabaram por parar aquela jogada e o objetivo foi só esse. Mas na prática e na realidade, o Dalot já ficou em claras dificuldades de bola controlada e eu entendo que o árbitro também tenha entendido que o Vergara é que realmente teve mais impacto naquilo que foi a parada da jogada e, portanto, cartão amarelo. Também é falta tática, era uma transição e uma boa decisão disciplinar.
Pedro, estivemos então a analisar todos os lances. Após esta análise, falta conhecermos então a nota. Slavko Vincic tem motivos para estar feliz, este juiz esloveno?
Sim, é uma nota positiva. É um árbitro muito experiente, é um árbitro com 46 anos, antes até já está para lá do chamado limite de idade. Aliás, ele esteve com o Benfica no jogo do Chelsea-Benfica nos oitavos de final do Campeonato do Mundo de Clubes. É um árbitro que até já tinha-se cruzado com o Benfica várias ocasiões e até com resultados muito positivos para o Benfica, em jogos com o PSV, com o Ajax, com o Fenerbahçe. É um árbitro que já é internacional desde 2010, já tem 15 anos. E este prolongar é porque realmente é um árbitro de confiança da UEFA e nós sabemos que agora pode-se prolongar mais um, depois mais um. Normalmente, mais três anos, se o árbitro estiver em condições físicas, o teste, essas coisas todas. É um árbitro que claramente este ano iria prolongar, porque é um árbitro de confiança da FIFA e da UEFA e é um árbitro para ir ao Mundial, naturalmente. Depois de ter estado no Mundial de Clubes, vai estar claramente no Mundial de Seleções e é um árbitro que transpira um bocadinho isso. Não quer dizer que não erre, não quer dizer que às vezes o excesso de confiança não possa ser prejudicial, mas é um árbitro que claramente está por cima do jogo, no bom sentido da palavra. Foi um jogo com muitas faltas, que nem é normal. Trinta e duas, mas 21 foram cometidas pelo Napoli. É um jogo com poucos cartões amarelos, dentro do normal. Aliás, curiosamente, só para ter uma ideia, ele em três jogos que já tinha feito da Champions este ano, com jogo do Atlético de Madrid, do Real Madrid, do Chelsea, ele só tinha mostrado cinco cartões amarelos no total, uma média quase inferior a dois. É um árbitro que mostra poucos cartões amarelos. Também tinha uma média de faltas relativamente baixa. Este jogo hoje é que veio puxar um pouquinho mais para cima, que foram 31. No entanto, é um árbitro que esteve claramente por cima do jogo, fez uma boa arbitragem, o único lance de área, e que é importante, porque depois se erra ou se não acerta, e sem que seja ajudado pelo VAR, pode depois tornar o resto do jogo difícil para a confiança. Ele acertou lá no tal minuto três. O resto foi uma gestão disciplinada. Falhou um amarelo que não tem grande impacto em relação ao jogo e por isso eu destaco aqui como uma arbitragem em noite de Champions, uma arbitragem também em modo de Champions.
E sem qualquer tipo de intervenção do VAR, acabou por ter uma noite tranquila.
Exato.
Recorda-nos só então a nota para Slavko Vincic.
Nota sete.
Nota sete, dada pelo Pedro Henriques ao trabalho do árbitro esloveno, que esteve no comando do jogo entre o Benfica e o Napoli para a Liga dos Campeões. Triunfo por 2 x 0 por parte das Águias, que chegam aos seis pontos na Liga dos Campeões. E é desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado, é sempre um gosto. O "Sem Falta" fica, como sempre, disponível em podcast.