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Vamos a mais uma edição do "Sem Falta" com o Pedro Henriques. Vamos nos próximos minutos falar do trabalho da equipe de arbitragem no jogo entre o Sporting e o Nacional. Pedro Henriques, seja muito bem-vindo. Vamos falar do trabalho do árbitro João Pinheiro, Associação de Futebol de Braga. Esteve no comando deste encontro no Estádio de Alvalade e vamos, sem perder mais tempo, já abordar os lances escolhidos por ti. Logo ao minuto quatro, não há, no teu entender, pênalti de Zé Vítor.

Sim, boa decisão. É aquela situação típica. O Luís Soares entrou na área, cruza a bola e depois a bola vai, eu vou dizer, ao ombro do Zé Vítor. O Zé Vítor, para as pessoas perceberem, tem as mãos dadas atrás, portanto, aquela situação que não é muito ergonômica para se movimentar, mas tem as mãos dadas atrás das costas para evitar, eventualmente, qualquer contato da bola no seu braço. Mas a bola até é desviada, porque ele faz o movimento do corpo para ir interceptar a bola, intercepta com a zona do ombro e, portanto, tudo certo, sem motivo para apontar pênalti.

Vamos avançar, minuto cinco, cartão amarelo mostrado a Maxi Araújo.

Embora com muitos protestos por parte do Maxi Araújo.

Por ser muito cedo, não é, Pedro, no jogo?

Sim, por ter sido muito cedo, não é normal, mas esta é uma situação que não é gerível. Ele vai atrás do Stavros Gavriel, não tem qualquer hipótese de chegar à bola. Ainda por cima o Gavriel vai em corrida. Aliás, o Gavriel saca logo dois cartões, é um dos responsáveis de sacar dois cartões amarelos a jogadores do Sporting. Ele vai em corrida, vai numa transição. E o Maxi Araújo, o que faz é agarrar e puxar a camisola, e a camisola fica completamente puxada. Nem se quer se trata de um agarrão, um puxão corpo a corpo, lado a lado. Não, é bem por trás. Sem hipótese de chegar, comportamento desportivo, trava uma saída em transição, em contra-ataque, como queiram dizer, e por isso é chamado comportamento desportivo pelo agarrar e a falta tática por anular ou destruir aquela jogada. Livre direto, cartão amarelo bem mostrado.

Vamos avançar, Pedro, para o minuto 20 e o cartão amarelo mostrado a Altimira.

Foi exatamente com o mesmo protagonista, o Stavros Gavriel. Mais uma saída em contra-ataque, agora já na zona frontal da área do Sporting, ou seja, já numa zona perigosa, o Sérgio Altimira, embora tendo lá também outro jogador do Sporting a fazer contenção por trás e sem também qualquer hipótese de jogar a bola, porque vinha em corrida e por trás, acaba por dar um empurrão com o braço direito na omoplata, costas da esquerda do Gavriel, desequilibrando e fazendo cair. Não é tanto por este ligeiro empurrão, que é suficiente para desequilibrar, é sobretudo pelo local da falta, porque é a entrada da área e numa zona frontal. E portanto, estamos perante uma situação que nós dizemos de ataque prometedor e por isso, livre direto e cartão amarelo bem mostrado.

Pedro, vamos avançar para um dos lances capitais da partida, o pênalti para o Sporting.

Sim, minuto 31, decisão correta, castigo máximo, claro e óbvio. O Léo Santos projeta-se ali no Jeni de tackle e não há dúvida que derruba as pernas do Maxi Araújo. O árbitro assinala o pontapé de pênalti, o VAR limita-se a confirmar, isto é o mais importante do lance e não mostra cartão amarelo. E por que não mostra cartão amarelo? Naquilo que é decisão disciplinada do árbitro, porque diz a lei, é por causa da chamada lei da dupla penalização, que não é bem uma lei, mas é algo que apareceu há uns anos a esta parte, que quando o jogador tenta jogar a bola, e normalmente é com o pé, com as pernas, que tenta jogar a bola, e sempre que um jogador vai tentar jogar a bola, arrastando um adversário, é na tentativa de jogar a bola e que se sendo tentar para pênalti, que aquilo que seria o livre direto, perdão, o pontapé de pênalti e o corte de uma jogada de perigo, um ataque prometedor, porque o pênalti normalmente tem essa característica, o amarelo passa para nada, da mesma maneira que se fosse uma clara opinada de gol, o vermelho passa para amarelo. A questão aqui, que não é anulável, em termos de cartão amarelo, essa entrada é dura, se é a chamada entrada negligente. E quando eu vejo aquele lançar em tackle, ele lança-se, desculpem a expressão, à bruta, de qualquer maneira, e acaba por varrer as pernas do Maxi Araújo. E eu considero que este varrer de pernas é uma entrada claramente negligente, não tem em conta o perigo e as consequências do seu ato. E, portanto, eu assinalaria. Eu, sentado no sofá, como costumo dizer, ia ver nas calmas o lance, porque lá é mais difícil. Vendo assim, cartão, pontapé de pênalti, corretíssimo, e cartão amarelo pela entrada negligente. A decisão mais importante é o pênalti, mas eu mostrava cartão amarelo.

Vamos avançar, Pedro, minuto 48 e o cartão amarelo mostrado a Jensen.

Sim, cartão amarelo mostrado ao Marcus Jensen por uma arrastada negligente sobre o Geny Catame. Ele com o pé esquerdo pontapeia o pé direito do avançado moçambicano do Sporting e, portanto, o árbitro nesta entrada, neste pontapé, negligente a mostrar bem o cartão amarelo.

Ora, Pedro Henriques, o próximo lance que destacas é no minuto seguinte o lance do segundo gol do Sporting.

Sim, minuto 49, gol dos Leões marcado pelo Fábio Gonçalves. Tudo correto, tem a ver com a construção da jogada. Quando o Debast faz aquele passe rutura para Luís Suárez, ele não está em fora de jogo. Há, se calhar, até mais do que um jogador a colocar em jogo, mas aquele que mais destaca é o 21 do Nacional, o William Coccolo, que está a colocar claramente o Suárez em jogo. E, portanto, gol legal sem qualquer infração ali de fora de jogo.

Ora bem, gol legal do Sporting. Ao minuto 53, no teu entender, Pedro Henriques, não era pênalti sobre o Geny, mas ficou por marcar um livre direto.

Certo, é isso mesmo. O Geny Catame fica a se queixar de uma falta e cai dentro da área, quando depois vemos a repetição, e a repetição é bastante clara. Independentemente dele depois ter que ir dentro da área, a infração que existe, que é do Zé Vítor, com a perna direita por trás, toca e derruba ali a zona do gêmeo da perna esquerda do Catame. Não era pênalti, como foi pedido. A infração foi fora da área, mas era livre direto. E ao marcar, se o árbitro tivesse assinado o livre direto, tinha que mostrar cartão amarelo, porque corta claramente uma jogada de perigo, um ataque prometedor, porque o Geny vai embalado, embora lateralmente, pelo lado direito da área, mas entra na área. Relembrar que neste caso, o livre direto e o próprio cartão amarelo não permite o VAR intervir, porque não faz parte do protocolo. Mas de qualquer maneira, o mais importante, não foi pênalti, certo, mas era livre direto e cartão amarelo.

Ora bem, Pedro, e o último lance que queres destacar é o minuto 59. No teu entender, faltou um cartão amarelo para um jogador do Sporting.

Sim, Geny Catame. E não havia aqui gestão possível. Ele estica a perna esquerda e com o pé de sola e com os pitões, acaba mesmo por pisar ali o pé tornozelo esquerdo do Matheus Dias. Portanto, é uma entrada claramente negligente, um pisão daqueles bem durinhos, de sola e de pitões, e ficou o cartão amarelo por mostrar neste lance.

Pedro, analisados os lances, fica-nos a faltar conhecer a nota. Que nota é que vamos dar a João Pinheiro no trabalho neste Sporting-Nacional?

Vou dar seis. A arbitragem é claramente positiva, sobretudo no lance mais importante do jogo, porque é determinante, é um ponto de pé de penalty. O resultado foi relativamente apertado, no sentido do resultado, não estou a dizer do jogo, com dois gols, e o penalty é bem assinalado e é um lance muito importante que ajuda claramente a desbloquear o jogo. Dou só seis, porque há ali uma falha, como já falámos aqui várias vezes, em situações de cartão amarelo, um deles resultante de um livre direto que ele não assinala. Mas são lances que acabam, olhando para isto, não tendo impacto. E queria realçar o seguinte: 17 faltas assinaladas. Extraordinário. Muito pouco e bom, o que mostra claramente aquilo que o João Pinheiro fez, que foi deixar jogar e privilegiar o contato físico. E mais um jogo com tempo útil de jogo elevadíssimo, 67% de jogo. Eu não me recordo no ano passado de termos jogos com esta percentagem de tempo útil. Portanto, nota positiva para as apenas 17 faltas, para os 67% de tempo útil de jogo e para o penalty, que foi uma decisão correta e que no fundo acabam por não dar uma nota muito alta, mas dá uma nota positiva e abafar, desculpem a expressão, os amarelos que ficaram por mostrar, que acabam por ser irrelevantes perante tanta coisa positiva.

Nota seis, dada pelo Pedro Henriques ao trabalho de João Pinheiro. Esteve no comando do jogo entre o Sporting e o Nacional da Madeira. É desta forma que fechamos mais uma edição do "Sem Falta". Pedro Henriques, muito obrigado, é sempre um gosto.

Um abraço. Obrigado, Alex.

O "Sem Falta" disponível, como sempre, em podcast.