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Verde, vermelho ou amarelo, as cores atribuídas com sentido crítico pela Judite de França e pela Raquel Abrucassys a temas e protagonistas da atualidade. E precisamente um tema que continua no topo da atualidade é o orçamento do Estado para o próximo ano. Queres, a este propósito, Judite de França, sinalizar a postura que tem sido seguida pelo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos?
Quero sim, Miguel, porque há uma dada altura em que isto pode parecer uma espécie de Pedro e o Lobo. Tantas vezes o Pedro diz que não tem medo de eleições, que pode acontecer. Pode mesmo acontecer. E eu não acho avisado atirar o país pra uma crise política em nenhuma circunstância. E da última vez, quem o fez, sofreu as consequências. Pronto, e dito isto, acho que estamos mais ou menos todos de acordo com isto. No meio de toda esta complicação, anda o diabo à solta. Tu já usaste esse som, mas o que eu acho mais curioso é que o presidente da República, à semelhança do líder da bancada parlamentar do PSD, usaram expressões este fim de semana que se chama: "Que diabo!". E a frase vai exatamente no mesmo sentido. O presidente da República diz: "Que diabo! Com a situação do mundo e da Europa, não é de fazer um esforçozinho?" E Hugo Soares diz: "Que diabo! Será assim tão difícil entender-nos?"
Já agora, Hugo Soares.
Que diabo! Será assim tão difícil entender-nos quanto à baixa de impostos?
Olha, aparentemente é. Aparentemente, é muito difícil. Há duas medidas centrais no programa eleitoral e no programa do governo, que são estruturantes para a política econômica e que o PS recusa deixar passar. E se o governo aceitar assim de mão beijada, deixa de ser responsável, eventualmente, pelo falhanço daquilo que pode vir a acontecer. No fundo, está a entregar a chave. "Tomem lá, o último apaga a luz, porque vocês é que decidem o que é que entra no orçamento." E eu acho que o PS, ao mesmo tempo, se pretende acabar com estes dois aspectos que o governo considera essenciais, também está a desresponsabilizar o governo pelos resultados. O governo pode sempre dizer: "Se tivéssemos seguido aquilo que nós queríamos, teria sido completamente diferente". E eu acho que o PS perdeu uma oportunidade única, que era a oportunidade inicial. Quer dizer assim: "Eu não vou impedir que um governo eleito, que o orçamento chumbe, vamos de novo pra eleições, portanto, abstenho-me sem fazer nada. Portanto, mãos ao alto, posso continuar a fazer a oposição livremente, porque não tenho nenhuma responsabilidade. Abstenho-me, apenas." Perderam essa oportunidade quando disseram que queriam negociar. Ora, querendo negociar, e eu acho que se negociar e o governo aceitar, então fica co-responsável pelo que acontece no orçamento de Estado. Não pode dizer: "Sou só responsável aqui e não sou responsável acolá." Depende, há medidas de política econômica que têm relevância no seu todo. E eu acho que isso também não seria benéfico no futuro. O PS também não quer ficar colado a um orçamento que não é 100% dele. E eu acho que o PS tem a ideia, como já teve desde o início, de atirar o governo pra o colo do Chega. E eu acho que isto é uma grande tentativa que sai sempre frustrada, porque eu acho que Pedro Nuno Santos não quer eleições. Acho eu que não quer. Não estou na cabeça de Pedro Nuno Santos, acho que ninguém está, a não ser o próprio. Mas para Pedro Nuno Santos, o ideal seria que governo e PSD e Chega chegassem a um acordo e, portanto, poderia depois acusá-los e acusar o governo de estar na cama com a extrema-direita. Mas isso seria o pior para Montenegro, que sabe isso desde o início. Não sei quantas vezes é que lhe perguntaram isto na altura das eleições, mas perguntaram-lhe até à náusea.
Até o "não é não", não é?
Até o "não é não". Não, até depois disso. Continuaram a perguntar. E, portanto, eu acho que o governo não vai cometer esse erro e eu não acho que seja uma estratégia completamente errada da parte de Pedro Nuno Santos. Agora, é uma estratégia, não está a pensar propriamente no país. Nós sabemos que há várias coisas aqui que são completamente opostas. O governo quer reduzir impostos, depois podemos discutir quais são os impostos, mas o PS está contra a redução e contra o princípio dessa redução. O governo quer medidas próprias para os jovens. O PS diz que tem casas que são para todos ou então é alojamento universitário. Portanto, é pra universitários, não é pra jovens no seu todo. E não são políticas específicas pra esse grupo. Eu não tenho nenhuma dúvida que o IRS Jovem é uma má ideia. Acho que o PS poderia querer negociar. Também fez um totalmente diferente. Poderia tentar negociar de novo ou então recusar o IRS Jovem e dizer: "Ok, mas aceitamos o IRC com uma modelação", qualquer coisa. Agora, não dão margem nenhuma, isso não é uma negociação. E eu acho que Pedro Nuno Santos está a esticar a corda e acho que o papel de um partido como o PS na oposição neste momento, seria: "Os senhores façam aquilo que querem fazer, cá estaremos depois para avaliar essas medidas e para responsabilizar-vos pelas vossas ações." Isto assim parece-me um jogo um pouco perigoso.
E que sinal te merece este jogo que defines como perigoso de Pedro Nuno Santos e do Partido Socialista?
Eu vou dar um oito a Pedro Nuno Santos.
Aqui não há números. Aqui não é números, isto é semáforo.
Olha, de repente.
Já estamos na tarde, isto não é de manhã, não é o Vencedor. Isto é vermelho, amarelo.
Vou lhe dar um amarelo, então. Amarelo.
A nossa escala é mais simples.
É muito mais simples. Sabes que ainda há um pouco de Vencedor em mim, não é?
E agora, Raquel Abecasis, não sei se quero, isto é simples, mas não sei se queres elaborar ou complicar para ti. Eu acho que ainda te vou convidar para o Fora do Baralho. Para ti está aqui um jogo muito arriscado: a roleta russa.
É, uma roleta russa. Eu acho que é o que se está a jogar em duas partes aqui dentro, mas depois também fora de portas. Aqui dentro, continuando aquilo que a Judite estava a dizer, e para não nos repetirmos, há aqui um terceiro parceiro neste jogo, que se chama Chega, que todos os dias faz afirmações calorosas em sentido diferente. Já foi irrevogável. Na sexta-feira passada, dizia: "Leiam os meus lábios, este orçamento não passará." Há bocado ouvíamos aqui uma conferência de imprensa em que total disponibilidade para negociar o orçamento. Não percebo se ainda é este que ninguém conhece ou se é o tal outro que ele quer que seja feito, dizendo já que este não vale.
Insiste na ideia de acordo a quatro anos.
Pronto, é uma incógnita o que é que André Ventura vai fazer e Montenegro faz bem em não se colocar nas mãos do Chega. Quanto muito pode chegar ao dia da votação e dizer: "Meus senhores, está aqui em cima da mesa este orçamento", eventualmente incluindo uma ou outra proposta que lhe tenha chegado nestas reuniões e entregar só o voto e ver o que é que acontece. Agora, eu acho que se está a antecipar um resultado eleitoral que eu acho que não é 100% certo. O mais lógico seria que Montenegro reforçasse a sua maioria, que o Partido Socialista se mantivesse mais ou menos como está e a grande expectativa é que isto não é um bom momento para o Chega ir a eleições e que o Chega poderia ter aqui uma diminuição de deputados muito forte. Ora, eu não acho que isso seja absolutamente certo. E acho que corremos o risco, para além de todos os problemas que novas eleições podem ter, corremos o risco disso não acontecer. E se isso não acontecer, de facto, eu acho que temos instalada em Portugal uma mudança radical na política nacional. E eu acho que esse jogo é arriscado demais, é ao nível da roleta russa. Nós vimos ontem uma manifestação em Lisboa. É verdade, vieram autocarros de todos os lados, mas estas coisas têm um impacto visual, entusiasmam um eleitorado que poderia estar a esmorecer nos últimos tempos. André Ventura é muito hábil a gerir o eleitorado que sabe que tem e que está suscetível de ser atraído para um partido como o Chega. E esta jogada que todos acham que vai correr exatamente como todos preveem neste momento que pode correr, eu acho que lhes pode correr mal. Acho uma roleta russa muito perigosa. Acho que Pedro Nuno Santos pode perder muito mais do que está a pensar. Acho que Montenegro pode não ganhar tanto como está a imaginar e acho que André Ventura pode acabar por sair vencedor. E eu não diria que numa altura como estas fosse uma jogada e um risco aconselhável de se correr e de o país todo correr. Depois, lá fora, só muito rapidamente também para não me estender muito, mas está a haver uma jogada ainda muito mais arriscada, que pode ter consequências ainda muito piores, porque estamos nas mãos de um André Ventura à frente dos destinos de Israel e que está a preparar-se para entrar pelo Líbano adentro para tentar conter um Hezbollah que não é o Hamas, e já vimos o que é que custou o confronto com o Hamas. Eu não alinho por aqueles que dizem que estas tentativas de Israel defenderem o seu território e a sua autonomia são completamente erradas, mas acho que estas operações nunca poderiam estar nas mãos de um homem como Benjamin Netanyahu, que mais do que o objetivo de preservar a independência de Israel e a segurança de Israel, o que tem na cabeça é prolongar um conflito numa panela de pressão, que é o Médio Oriente, para se manter no poder. E acho que está toda a comunidade internacional a alinhar nisto. E com isto não digo que as coisas se devam fazer às claras, mas acho que nos bastidores era tempo dos Estados Unidos porem juízo na cabeça deste primeiro-ministro israelita, porque vamos abrir uma caixa de Pandora e não sabemos como é que ela acaba e aquilo é um caldeirão prestes a explodir. É mais uma roleta russa muito mais perigosa para o mundo inteiro, mas que cá chegará também, pelo menos as suas consequências. E eu vou aqui desalinhar nas cores e fazer de conta que sou, como é que se diz, aquelas pessoas que não veem bem as cores, que confundem as cores. Falhou-me agora.
Daltónica.
Daltónica.
Sei que as mulheres não podem ser daltónicas.
Ah, é? Não sabia. Mas olha, eu estou aqui a ser uma exceção, a abrir uma exceção e dou um sinal encarnado com nuvens pretas, porque acho que estamos a entrar em jogos muito perigosos, quer cá dentro, quer lá fora.
O jogo do orçamento do Estado e também este jogo jogado por Israel e particularmente por Benjamin Netanyahu. Alguns órgãos de informação adiantam que está iminente a incursão terrestre das forças israelitas em território libanês. Fica por aqui o semáforo político desta segunda-feira com a Raquel Abecasis e a Judite França.