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É o primeiro Semáforo desta semana e como convidado temos o presidente da Câmara de Cascais, Carlos Carreiras. Vai sinalizar a atualidade política também com o nosso painel residente, a Judite França e o Bruno Vieira Amaral. Na moderação, está como sempre, a Vanessa Cruz.
Carlos Carreiras está de regresso ao Semáforo Político, em dia de Conselho Nacional do PSD, mas já lá vamos. Antes, e porque estamos de olhos postos na guerra na Ucrânia, a cidade de Cascais tem um centro de acolhimento de emergência que recebe, precisamente hoje, o primeiro grupo de refugiados. Bem-vindo, Carlos Carreiras. A que horas chega este primeiro grupo? Como é que vai funcionar o centro de acolhimento e quantas pessoas tem capacidade para acolher? Isto parece um semáforo, são três perguntas, três sinais aqui para si.
Muito boa tarde a todos. Em primeiro lugar, o avião chegará agora às 20h20 ao Aeroporto Humberto Delgado, porque é um voo humanitário e temos todos os procedimentos para tentar que rapidamente possam sair do aeroporto e vão se dirigir para o centro que nós temos de acolhimento, que também é um centro que serve de informação e triagem para todos os refugiados que nos possam procurar. E ficarão lá três, quatro dias, até depois serem distribuídos por outros centros de acolhimento com outras capacidades também de acolhimento, ou seja, com menor número de pessoas que esses centros têm. E no total, nós neste momento estamos com uma capacidade instalada de podermos acolher 400, como nós estamos aqui a chamar em Cascais, 400 convidados que vêm fugidos da guerra. São nossos convidados. Desses 400, podem escalar ainda para mais 200, portanto para 600. Estamos neste momento com três outros locais em análise para, se for caso de necessidade, podermos ainda chegar aos 1000 cidadãos acolhidos aqui em Cascais.
Mas são pessoas que vão viver mesmo nesse centro de acolhimento ou depois serão encaminhadas para outros alojamentos?
Isso que nós estamos a fazer, e parte já amanhã essa mesma campanha, que tem como lema principal: "E se fosse comigo? E se fosse com os meus familiares?" Muitas famílias de Cascais estão a oferecer-se para acolher os próprios refugiados.
Carlos Carreiras, só fazer uma pergunta aqui. Como é que isso se operacionaliza? As pessoas oferecem-se? Há alguma forma de o fazer online?
Temos uma plataforma que já está online, que vai amanhã ser ainda mais comunicada. Temos estado também em contacto com grupos importantes aqui da comunidade, nomeadamente as paróquias, quer a católica, quer a ortodoxa, quer também com a comunidade judaica, juntamente aqui com o rabino. Estaremos, juntamente com todo o movimento associativo, a procurar quem se disponibilize para acolher também cidadãos ucranianos que vêm fugidos da guerra.
Pelo que sei, Carlos Carreiras teve uma reunião esta tarde com a Secretária de Estado da Habitação. Há articulação também a este nível, no que toca a estes refugiados, entre as câmaras e o governo, ou pelo menos pode falar por si, pelo seu caso?
Foi-nos comunicado já um conjunto de decisões que o governo já tomou e eu registo de uma forma positiva essas mesmas decisões em relação ao acolhimento. Temo que no caso de Cascais, elas não se possam efetivar. Acabei de ter a reunião há momentos e portanto aguardo. Amanhã irei colocar um conjunto de pedidos de esclarecimento pra tentar perceber, porque basicamente vai haver apoios para aldeamentos turísticos e apoios também para alugueres de habitação. Ora, aldeamentos turísticos, nós em Cascais não temos. Não acredito que numa época baixa ainda se pode ter alguma oferta por parte da oferta hoteleira, mas quando chegarmos à época alta, essa oferta deixará de existir. Assim como também os valores que estão colocados para o aluguer de apartamentos, me parece que fica desajustado em relação ao mercado de Cascais.
Mas o que está a dizer é que esse tipo de alojamento vai ser destinado a refugiados e pode depois prejudicar a economia de Cascais? Não sei se estou a perceber bem.
Adaptar. Aqui não é uma questão de prejudicar ou não, é que não se adapta mesmo. Porque estamos a falar de tipologias que estão a ser estimadas. Por exemplo, estes centros que eu estou a falar, que a câmara já desenvolveu, e estamos a falar, pelo menos aquilo que eu conheço, não há um caso em quantidade e, porventura, em qualidade, idêntico àquele que Cascais já está a oferecer na área metropolitana de Lisboa. Esses centros não são considerados.
Mas não houve articulação com a Secretaria de Estado da Habitação?
Até agora não. A reunião serviu exatamente para dar início a essa articulação.
Mas percebi pelas suas palavras, corrija-me se estou enganada, que têm entendimentos diferentes do tipo de edifício que possa acolher estas pessoas.
Eu diria que nós, como reagimos logo de uma forma muito rápida, fomos para soluções, que eram aquelas que eram possíveis no Conselho de Cascais, e por sermos tão rápidos, não ficamos à espera de perceber quais eram as tipologias que estavam a ser previstas pelo governo. De qualquer modo, eu acredito que o governo vai ter em atenção aquilo que nós já desenvolvemos em Cascais, aquilo que nós temos de oferta em Cascais, e portanto, certamente chegaremos a uma coordenação positiva com o próprio governo.
Mas há alguma nova reunião prevista com o governo, entretanto?
O que ficou estabelecido nesta reunião, para ter uma ideia, para além de ter vários secretários de Estado, para além de ter muitos presidentes de câmara, também as CCDRs, e enfim, outras entidades do Estado central, não dava propriamente para ser uma reunião para esclarecer esse tipo de situações. Aliás, muitos outros colegas estavam pela Teams, portanto estavam a colocar as dúvidas no chat e não havia possibilidade para já de esclarecer. Portanto, como ficou combinado, amanhã seguirão as nossas dúvidas, as nossas sugestões e depois faremos reuniões. Eu, entretanto, entre essa reunião com a senhora secretária de Estado da Habitação, tive um outro telefonema com a senhora secretária de Estado das Migrações, até para tratar do acolhimento agora aos cidadãos que já vêm no voo e portanto, que daqui a uma hora e qualquer coisa chegarão a Lisboa, porque a nossa ideia é que eles saiam rapidamente e que seja desbloqueada o mais possível a permanência deles no Aeroporto Figo Maduro. Estava a falar exactamente com a senhora secretária de Estado e já estava a colocar algumas dessas minhas dúvidas, questionado por ela em relação à avaliação que eu fazia do que tinha sido apresentado, que volto a reafirmar, é uma avaliação positiva, mas no caso de Cascais, temos que encontrar aqui pontos de ajustamento para aquilo que têm sido as respostas que nós temos encontrado.
E em relação a emprego, a câmara também vai fazer a ponte para encontrar emprego para algumas destas pessoas que vêm da Ucrânia. Existe algum tipo de bolsa municipal de emprego, há uma articulação com o Instituto de Emprego?
Nós temos estado articulados de uma forma muito próxima com o Instituto de Emprego e Formação Profissional. De qualquer dos modos, também abrimos uma plataforma para ofertas de emprego por parte dos empresários de Cascais, na qual já temos um registo que atinge 400 ofertas de emprego, o que é muito significativo. Portanto, vamos continuar a trabalhar, mas aí já temos vindo a trabalhar de algum tempo para parte e vamos continuar. Neste momento, essa é a minha perspectiva. Mas para já, também daquilo que é a nossa experiência, porque também já temos estado aqui a receber alguns refugiados. Os refugiados que vêm e que se compreende perfeitamente, mesmo até com as crianças para a escola, que é outro processo que também temos aqui já desenvolvido. Eles ainda estão numa fase em que consideram que, de uma forma rápida, vão poder voltar à Ucrânia. Portanto, muitas mães, porque essencialmente o que está a chegar esmagadoramente são mães com filhos, ainda dizem que não será necessário para já o filho ir à escola, porque eles pensam que entretanto terão condições para voltar a regressar à Ucrânia. Enfim, nós com uma análise mais fria, até porque não nos toca a nós, porventura não temos essa perspectiva. Os planos vão ser todos desenvolvidos e estarão à disposição de cada uma destas mães, sempre que o entendam. Porque há aqui uma questão também que me parece importante, é que são pessoas que todos nós compreendemos que vêm numa situação de grande fragilidade, e tudo aquilo que nós não queremos fazer é estar a impor seja o que for, ou estar a fazer uma pressão sobre estes cidadãos. E portanto, vamos deixar que as coisas corram.
Mas têm uma expectativa e ainda há esperança e têm essa expectativa. Carlos Carreiras, também há aqui expectativas agora no campo político em Portugal, no que toca ao PSD, há Conselho Nacional hoje à noite. A direção propõe eleições diretas para o dia 28 de maio, congresso entre 1 e 3 de julho. Não sei se quer utilizar aqui um sinal verde, amarelo ou vermelho para estas datas.
Como deve compreender, eu estou tão afastado desse tipo de problemas, vamos chamar assim, que não tenho tido sequer disponibilidade mental para poder pensar nisso.
Mas está afastado, mas ainda agora há pouco tempo lançou o nome de Marques Mendes para candidato à liderança do PSD. O senhor já apoiou, há pouco tempo, Luís Montenegro em 2020. Montenegro já não dá essas garantias para líder do PSD?
Para já, apoiei em eleições anteriores o Miguel Pinto Luz, que é o meu vice-presidente. E não vai, por exemplo, também poder ir hoje ao Conselho Nacional, porque nós mandámos uma equipa para a Roménia, para junto da fronteira, numa cidade chamada Siret, que são esses que estão agora a regressar. Portanto, neste momento há problemas muito mais graves e muito mais prementes do que questões de organização partidária.
Certo, mas há de convir que também é importante para o maior partido da oposição conseguir organizar-se neste momento, coisa que não tem feito nos últimos tempos. Tivemos notícias hoje de Pedro Rodrigues, que pondera avançar com uma candidatura. Estamos a falar, para quem não está a ver, é o antigo líder da JSD. Pode ser uma alternativa, fica satisfeito que haja quem esteja disposto, neste momento, a estar à frente do PSD, naquilo que parece ser uma longa travessia no deserto com governo com maioria absoluta?
Eu acho que o PSD para se organizar, infelizmente, tem muito tempo pela frente. Isso numa perspectiva social-democrata, porque se for numa perspectiva nacional, nós precisamos cada vez mais de estabilidade e neste momento o Partido Socialista tem todas as condições para garantir essa mesma estabilidade e suportar estes tempos, que são tempos difíceis e são tempos duros, como todos sabemos. O PSD vai ter muito tempo para se organizar, portanto, nada de pressas. Nós temos aqui tempo para ouvir também aqueles que queiram ser candidatos ao partido, que eu acho que é um ato de grande generosidade, também neste momento, disporem-se a serem líderes da oposição. Irei ouvi-los todos, claramente, e depois tomarei uma posição mais à frente.
Mas tem uma queda para Miguel Pinto Luz, diria.
Miguel Pinto Luz, como disse, também neste momento, desde a quarta-feira passada, se não estou em erro, está numa situação que foi para a fronteira com a Ucrânia a partir da Roménia.
Portanto, neste momento o PSD está em suspenso.
Não, o PSD está nesta fase de transição em que vai resolver aquilo que será deliberado hoje em sede de Conselho Nacional, como é que marca os tempos para o início desse processo de reorganização e de reafirmação do próprio partido.
Portanto, para Carlos Carreiras, ainda há tempo. Agradeço-lhe, Carlos Carreiras, o presidente da Câmara de Cascais, foi o primeiro convidado desta semana do Semáforo Político.