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Está na hora de sinalizar a atualidade política com o verde, amarelo ou vermelho, ou outra cor qualquer que o Bruno Vieira Amaral e a Judite de França, dois insubmissos, queiram escolher. Judite, andamos demasiado entretidos com uma região autónoma em detrimento de outra?

Estamos muito focados, e bem, no imbróglio dos Açores e, enquanto isso, na Madeira, ainda não conseguimos vislumbrar o futuro do arquipélago. Demora até mais do que o interrogatório dos arguidos no alegado esquema de corrupção que, como sabemos, tem sido lento. Ora, o que nós sabemos? Sabemos que finalmente Miguel Albuquerque conseguiu formalizar a demissão, que tinha pedido há uma semana, portanto, à segunda foi de vez. O representante da República aceitou a demissão, o que já foi um avanço, mas a única coisa que sabemos é que eleições antecipadas, como diz Miguel Albuquerque, só lá pro verão. Pensando que só a partir de 24 de março pode o presidente da República decidir alguma coisa em relação à Madeira, Miguel Albuquerque faz as contas e diz que ainda vamos ter de esperar muito pelas eleições. Enquanto isso, fica Albuquerque em gestão. Na sexta-feira passada, na reunião do Conselho Regional do PSD, ainda tivemos a expectativa de conhecer um nome para substituir Miguel Albuquerque, mas não. Ontem foi igual. Formalizada a demissão de Albuquerque, nada sabemos sobre um sucessor e, portanto, o orçamento regional não vai ser debatido, as moções de censura também não vão ser apresentadas e estamos numa espécie de suspensão na Madeira. Ficamos todos suspensos à espera que alguma coisa aconteça, o que não faz qualquer sentido que uma região fique suspensa sem saber o que vai acontecer amanhã. Imagino que os madeirenses estejam bastante zangados com esta situação.

E que cor te merece?

Isto merece um vermelho.

O sinal, entretanto, fica no vermelho, permanece aqui. Já tinhas prometido, no arranque da tarde política, Bruno Vieira Amaral, sinalizar Pedro Nuno Santos.

Sim, com o vermelho. Pedro Nuno Santos tem defendido a ideia de que um governo minoritário no continente, na República ou no Parlamento Regional, nos Açores, apoiado por um dos dois maiores partidos, vai reforçar os extremos. E daí a recusa da viabilização de um governo minoritário do PSD. Hoje reforçou essa ideia dizendo mesmo que Luís Montenegro não tem maneira de governar, não obtendo uma maioria absoluta. E é verdade, eu pelo menos acredito, que um governo de bloco central seria prejudicial e muito provavelmente iria reforçar a votação nos extremos políticos. Mas há aqui uma falácia neste raciocínio de Pedro Nuno Santos. É que viabilizar um governo de maioria relativa não é governar em conjunto. Ou seja, não é por viabilizar um governo do PSD que o PS vai deixar de ser oposição. E Pedro Nuno Santos quer convencer os eleitores de que qualquer viabilização equivale a um governo conjunto em que ambos os partidos têm a mesma responsabilidade. E quer convencer isso porque lhe dá jeito ou, pelo menos até agora, deu-lhe jeito. E trata-se de uma radicalização. O que Pedro Nuno Santos está a dizer é que isto é tudo ou nada, ou se tem maioria absoluta ou não se governa, porque aquilo que ele diz do PSD, que é impossível conseguir governar, ter condições para governar, também se aplica ao PS, a não ser que conquiste a maioria absoluta. Porque se o PS chumbar um governo do PSD, tem uma alternativa? Essa alternativa existe? À esquerda, pelos vistos, pelas sondagens, não vai ter. Então qual é que é a alternativa? É que António Costa, em 2015, tinha uma alternativa, concordando-se mais ou menos com a solução apresentada, ele tinha uma alternativa de governo em relação ao governo de Passos Coelho, com o acordo que fez com a esquerda. Qual é a alternativa que Pedro Nuno Santos, de acordo com estas últimas sondagens, terá? Mesmo que ganhe as eleições, não vai ter o apoio suficiente à esquerda. E aquilo que se vê por este reforço desta ideia de Pedro Nuno Santos é que o PS não parece preparado para esta nova realidade fragmentada. Até agora parecia que sim, mas isso significava ter um determinado tipo de resultados, conseguir um acordo com a esquerda, mesmo não ganhando as eleições. Mas os resultados dos Açores vieram expor essa dificuldade, que agora também é do PS. O fantasma da ingovernabilidade não paira só sobre o PSD, também vai afetar necessariamente o PS, ainda para mais com a esquerda a ter resultados que não lhe permitem criar uma solução alternativa. Estão contados PS e PSD a estabelecerem outro tipo de pontes face a esta nova realidade? Muito dificilmente, eu acredito, com Pedro Nuno Santos, essas pontes poderão ser estabelecidas, porque é o próprio que diz que não é possível estabelecer, que os dois partidos estão muito mais distantes do que, por exemplo, os partidos da esquerda. Quando Pedro Nuno Santos diz que está mais próximo dos partidos à sua esquerda do que do PSD, está a eliminar praticamente essa possibilidade de haver entendimentos.

Mas os Açores são os Açores. Nos Açores não está Pedro Nuno Santos.

Pois, não está Pedro Nuno Santos e aí terão de encontrar uma alternativa que, se houver uma viabilização, não significa que tenha de haver viabilização também no continente, na República.

Claro.

Eu acredito firmemente que com Pedro Nuno Santos é impossível que haja esse entendimento pelas mesmas razões que ele tem aduzido até o momento. Não há pontos de entendimento entre o PS de Pedro Nuno Santos e a AD, e isso é dito pelo próprio.

Sendo que a última sondagem que conhecemos ontem à noite dá a maioria à direita e não à esquerda.

Mas há impacto técnico, não é?

Há impacto técnico, sim.

Com distribuição e a margem de erro, há um impacto técnico e há uma maioria de esquerda se juntarmos os partidos à esquerda, que é uma coisa que não acontece nos Açores, em que a esquerda está muito depauperada, mas não está no continente. E portanto, Pedro Nuno Santos está a apostar as fichas aí.

Mas a sondagem não dá maioria de esquerda, dá uma maioria de direita.

Dá, de 57%.

Da direita. Fiz eu mal as contas.

Espera, o PAN é que era decisivo para dar maioria à esquerda, sendo que nós sabemos que o PAN já disse que não quer fazer um acordo com a AD, portanto, seria mais simples juntar-se à esquerda.

Com o Chega, a maioria é de direita, pela sondagem.

Estou a retirar o Chega daqui, porque o Luís Montenegro já disse que não. Portanto, estou a tirar o Chega daqui desta equação.

Pois, eu acho que neste momento é muito prematuro retirar o Chega da equação.

Isto tinha a propósito dessa declaração de Pedro Nuno Santos de que só o PS é que confere estabilidade, mas olhando aqui, pelo menos para maiorias...

Vão-se aplicar as mesmas regras que quer aplicar à direita. A ingovernabilidade existe dos dois lados.

Certo. A verdade é que o PS fica naturalmente limitado ao ver-se obrigado a aprovar ano após ano os orçamentos apresentados por um eventual governo liderado pelo PSD.

Não tem de o fazer. O governo de António Guterres, os dois governos não tinham maioria. Arranjou depois o Limiano. Tem de negociar. O que se está a dizer não é que vai aprovar durante quatro anos os orçamentos e fazer tudo o que o PSD propuser, ou a AD. O que quero dizer é que deixa o PSD governar e depois a partir daí tem de haver negociações entre todos os partidos.

Está feito o semáforo político, dois sinais vermelhos hoje e já a seguir vamos conversar com Bernardo Ferrão, diretor adjunto de informação da SIC, isto a propósito do arranque dos debates eleitorais.