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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca, comigo está a minha esposa, Rita da Nova, pessoa que foi esta semana apresentar o seu livro à Madeira. Sítio de onde nós chegamos há pouquíssimas horas. Ora, o que é que se passa? A minha mulher dá por si, depois de uma semana na Madeira, sentada num restaurante na Câmara de Lobos.
Em Câmara de Lobos.
Em Câmara de Lobos.
Olá, tão bons.
No Câmara de Lobos, por Câmara de Lobos, através de Câmara de Lobos, a comer uma sandes de espada, olha pra aquela vista lindíssima e pra naquele sítio lindíssimo e diz o seguinte, que passo a citar: "Tenho saudades da minha escova elétrica".
É verdade. Olá, tão bons. Eu tenho me deparado com, ou tenho deparado, porque não se diz assim. Sabes que não é suposto dizeres "tenho me deparado"?
Ah, então é-
Eu tenho deparado com.
Tu tens deparado.
Exatamente.
Tu tens deparado, não é isso?
Tenho deparado com esta dificuldade de não quero levar a minha escova de dentes elétrica comigo em viagens, porque é pesada.
E porque se ligar na viagem parece um dildo.
Isso não me interessa. E depois dou por mim a lavar com a escova manual e a sentir falta da minha escova de dentes. Olha, não se esqueça da sua escova de dentes.
Não se esqueça da escova. O teu telefone está imparável. Não sei o que é que se passa.
É verdade. É uma referência que aproximadamente...
Não, é um programa da Teresa Guilherme, é muito antigo, ninguém vai ter. Agora, o que é que se passa? Eu não estava à espera que tu a meio da viagem tivesses saudades, não da tua casa, não do teu sofá, não dos teus gatos, mas da tua escova de dentes elétrica. Mas por um lado eu percebo-te, porque tu há pouco tempo introduziste-me no mundo do fio dental.
Dentário.
Fio dentário.
Tu gostaste.
Podes dizer das duas maneiras, ficas a saber.
Mas é mais interessante dizer fio dentário.
Mas o que é interessante?
Porque senão, se tu disseres o fio dental, vai parecer que eu te introduzi às cuecas.
Mas não é mais interessante nós discutirmos?
É.
Então o mais interessante pra mim dizer é fio dental.
Tá bem.
Ok. E eu agora, às vezes dou por mim a precisar de fio. Já está uma...
Uma necessitadinha.
Já está o hábito. Agora, escova de dentes elétrica, é disso que tu tens saudades nas suas viagens? Vais uma semana pra Madeira.
Estava a comer, senti comida nos dentes. O meu cérebro fez esse raciocínio. Desculpa, se o meu cérebro viaja, se eu me sinto à vontade pra partilhar contigo.
O teu cérebro viaja, de facto, e depois tem saudades da escova de dentes elétrica. Eu acho que é dos utensílios de higiene mais estranhos pra uma pessoa ter saudades.
Não, porque os outros eu levo comigo.
Eu às vezes sinto saudades das minhas limas das unhas, porque me esqueci de levar.
Porque é tão difícil levar uma lima das unhas, não é?
Não, porque me esqueci. Esqueci-me. E o Jeferson? Tu podias ter saudades também do Jeferson.
O Jeferson tá cá.
Pra quem não ouviu o episódio, o Jeferson é um amaciador elétrico da Rita.
O problema é que-
Atenção, não é o dildo, é mesmo um amaciador elétrico
...o Jeferson é gigante. Esse sim, gigante.
Esse não dá pra levar.
Não dá mesmo. A escova de dentes ainda dá. Agora, nós quando viajarmos da próxima vez, eu vou considerar levar comigo.
Ok.
Pra não sentir saudades.
Ok. O que é que achaste esta semana na Madeira? Gostava de saber a tua opinião.
Estou desiludida com a Madeira. Vou já começar.
Eita, mas vamos começar assim a pé juntos?
Estou desiludida com a Madeira, porque eu estava a precisar de apanhar sol.
Pois foi.
E a Madeira não me deu sol.
Eu acho que isto já tinha acontecido da outra vez que nós fomos. Acontece sempre a mesma coisa, que é nós chegamos lá pra seis dias de Madeira. Nos primeiros dois dias temos um sol muito tímido, que dá pra molhar um bocadinho o pezinho na água. Nós mergulhamos, mas depois até temos frio, ficamos de toalha, não há bem sol pra secar. Os outros quatro dias, nublado, não dá pra ir lado nenhum. Ainda pra mais, a Madeira tem consciência do que é. A Madeira tem uma autoconsciência que envergonha muita gente, muita influencer que anda por aí. E a Madeira sabe que tem um tempo de merda. E então, há um site que é o Madeira Cams, em que tu podes ver o tempo em qualquer ponto da ilha.
Também há nos Açores, sabias?
Sabia, sim, senhora. Mas os Açores ainda é mais grave, nos Açores não dá mesmo.
Também há nas praias daqui perto da costa de Oeiras, de Cascais.
Ok, olha, não sabia. E então, nós todos os dias de manhã, o que é que fazíamos? Tomávamos o nosso pequeno-almoço, líamos um bocadinho do nosso livro e a seguir, deixa ver em que praia é que tá bom pra nós irmos apanhar sol.
Que era dizer nenhuma.
É nenhuma, nenhuma, nenhuma. Em junho, na Madeira, nenhuma praia da Ilha da Madeira tava boa pra mergulhar. Isto foi uma vergonha.
Foi uma vergonha.
A única coisa que compensou esta viagem, porque tu fizeste o teu lançamento, correu muito bem.
Sim.
Obrigado a todas as pessoas que foram, foram muito queridas. Todas as pessoas vieram pedir incessantemente pra nós fazermos lá terapia de casal ao vivo ou eu o meu solo. Portanto, as pessoas querem mesmo que a gente vá lá. Mas se querem que a gente vá lá, tenham o melhor tempo pra nós mergulharmos. Também há essa. O que é que ias dizer?
Tu é que ias dizer.
Ah, a única coisa que safou, pensei que ias falar, desculpa. A única coisa que safou foi a comida.
A comida desta vez, todas as vezes, mas desta vez escolhemos especialmente os nossos amigos Sofia e Vítor.
Verdade. Vítor Carraca Teixeira, que faz o genérico deste podcast, e sua esposa, a Sofia. Fomos muito bem recebidos. E eu acho que aprimoramos as escolhas de refeições.
Não houve uma errada.
Não houve uma errada. E eu vou passar a enumerar os restaurantes todos que nós fomos na Madeira, porque eu sei que as pessoas neste momento estão a ir a correr, a agarrar cadernos e coisas pra apontar os restaurantes pra depois quando forem à Madeira. Portanto, eu vou passar a citar os restaurantes todos a que nós fomos. Posso?
Podes.
Então, fomos ao Audax, que é um restaurante com uma estrela Michelin, que é inacreditável Inacreditável. E se forem, invistam um pouquinho mais e façam o pairing com os vinhos, porque eu acompanhei a refeição com os vinhos.
Eu já percebi o que está aqui a acontecer. Espera, que eu já percebi o que está aqui a acontecer.
O que está aqui a acontecer?
Isto é o "Boa Cama Boa Mesa". Acabou o programa do menino na SIC, e então ele sente a necessidade de substituir pelo "Boa Cama Boa Mesa".
Eu estou só a dizer os restaurantes que nós fomos, que são excelentes.
Já percebi. Olhem, invistam um pouquinho mais e façam o pairing com os vinhos.
Porque vale a pena.
Pois, vale a pena. Depois chamo o senhor do "Boa Cama Boa Mesa"?
Não faço qualquer espécie de ideia, mas acho que a Joana Latino.
Não o senhor, e sim a senhora.
A Joana Latino.
Ó João Latino. Espera aí.
Tu és a Joana Latino.
Não sou nada.
Depois posso continuar?
Vai.
O Audax é espetacular e escreves que concisas. Depois há o Campo, com K, que nós já tínhamos ido e que a comida é excelente. Nós comemos um T-bone, comemos várias coisas, mas o T-bone que nós comemos estava espetacular.
Tens alguma coisa mais pra aconselhar aos seus ouvintes sobre pairings de vinhos?
Não. Há vinhos da Madeira muito bons, principalmente brancos. Eu não provei tantos tintos, brancos muito bons. Depois fomos ao Campo com K. Depois fomos ao Terra. O Terra é impecável, o senhor que trabalha lá é até nosso fã em Óvoos, um grande abraço pra ele. Até fez um bolo de anos pro Vítor, porque sabia que o Vítor tinha feito anos. O Terra é excelente e muito bom.
É excelente e muito bom?
É excelente e muito bom.
Ok.
Fomos ao A Vista Ásia. Excelente. Fomos comer sushi, muito bom.
Eu estou a achar isto. É que tu estás a enumerar restaurantes e depois dizes: "É excelente e muito bom".
Não, porque nós não falhámos.
Não, a única review que estás a fazer é "excelente e muito bom".
Porque eu não sei fazer review de restaurantes, isso é para as pessoas apontarem e irem ver.
Estou a gostar.
A Adega do Pomar. Nós fomos a um restaurante lá no meio das montanhas, onde nunca há sol nenhum, está sempre tudo nublado, parece a Sintra da Madeira. E fomos lá acima e comemos num sítio onde o empregado não nos queria servir espetada. Nós dissemos: "Queremos espetada". E ele: "Mas espetada isso pode comer em qualquer lado da Madeira, aqui porque é que não come um leitão?" E eu: "Leitão, filho? Não, pai".
Vieste à barra errada.
"Eu não quero comer leitão aqui."
Não, e depois ele disse assim: "Então bacalhau à Broa, pronto".
"Mas qual bacalhau à Broa? Eu quero a espetada. A mim disseram: uma espetada aqui é espetacular. Eu vim cá comer uma espetada."
E de fato era?
Era incrível.
Não, é que se nós tivéssemos comido a espetada e disséssemos: "Olha, realmente, o senhor tinha razão, a espetada aqui não era nada de especial, devíamos ter comido o bacalhau à Broa."
Isto é estranhíssimo.
Mas ele não sabe vender o seu próprio peixe, que neste caso é carne.
Sim, não sabe vender sua própria espetada. O que acontece a muitos homens, às vezes, não sabem vender sua própria espetada.
É verdade.
É inacreditável que eu vá a um restaurante porque me dizem-
Às vezes nem vendida, na verdade.
Sim, nem vendida. Que a espetada é boa e eu chego lá e o gajo diz: "Espetada? Então, mas isso pode comer em qualquer lado". Não, filho, cala-te e traz-me três. Adega do Pomar, era assim que se chamava.
Excelente, muito bom?
Excelente, muito bom.
Ok.
Ao lado da Adega do Pomar, há depois um sitiozinho de poncha espetacular, onde serviram um pratinho de moelas a acompanhar. Poncha, sempre à pescador. Sempre.
Não, poncha maracujá.
Não, sempre à pescador.
Poncha maracujá.
Eu vou dizer uma coisa, os pescadores inventaram as melhores bebidas do mundo.
Bem, eu já ouvi isso três vezes.
Porque é verdade e porque eu quero trazer pra este podcast.
Estou cansada.
Os pescadores do mundo inventaram as melhores bebidas do mundo.
Eu vou espirrar.
Santinho. Então, a poncha à pescador era o que os pescadores bebiam pra se aquecerem um bocadinho antes de irem pro mar. E Irish Coffee era o que os pescadores irlandeses faziam porque tinha café pra acordarem, uísque pra se aquecerem e um bocadinho de chantilly por cima, nata por cima, só pra dar o seu gostinho.
Eram os pescadores?
Eram. O Irish Coffee eram os gajos dos portos, dos barcos, pra aquecerem, pra acordarem. Os pescadores do mundo inventaram as melhores bebidas. É poncha à pescador e Irish Coffee. Vou continuar. Depois, como é que se chama o sítio onde nós fomos comer hoje à hora de almoço?
Tu não apontaste?
Não tinha aqui o nome.
Espera. Tu escreveste isso no teu diário.
Bistrô.
Não. Olha, Guilherme, eu realmente até pus isto em modo avião, que era pra não estar aqui.
Árbor. Chamava-se Árbor.
As árvores chamam-se.
Árbor, um sítio excelente, que tem uma sandes de pastrami espetacular. E quero destacar o último, que é um sítio chamado Kirita. Malta, eu vou ter que dizer isto. Então não é que o melhor sítio de Portugal pra comer onigiris é na Madeira?
É verdade.
Chama-se Kirita, com K. É um restaurante muito pequenino, também tem ramen, vocês podem pedir ramen, mas os onigiris são os melhores de Portugal. Os melhores onigiris que eu comi fora do Japão. Eu nunca tinha comido onigiris tão bons. Em Portugal, é na Madeira, o restaurante chama-se Kirita. E agora venham me dizer assim: "Mas o que se aprende com este podcast?" Eu acabei de dar quantos restaurantes bons pra as pessoas decorarem aqui. Tu não estás a ouvir, porque estás a ver merdas na net.
Eu quero só dizer que o Irish Coffee não foi criado por pescadores.
Foi, são os gajos que trabalhavam, que iam pro alto-mar, foi pra aquecer e pra acordar. Então quem é que inventou o Irish Coffee?
Então, foi um senhor chamado, espera aí.
Mais ritmo, se faz favor.
Espera! Ai. Foi um senhor chamado Joe Sheridan.
Ok.
Que era um chef.
Chef do quê? De cozinha?
Near Limerick, Ireland. Portanto, from Foynes Airport to San Francisco.
Hã?
Foi criado ao pé do aeroporto de Foynes, portanto, em 1943.
Não, o Irish Coffee é mais antigo. Então eles já misturavam uísque e café. Eu tenho certeza que esse gajo foi que copiou.
Tem certeza como?
Porque eu lembro de lá te explicarem isso do Irish Coffee, quando fomos lá beber o Irish Coffee, que eu fui lá beber Irish Coffee
Muito bem. Tens mais coisas para dizer sobre esta semana?
Tenho várias. Tive problemas com fact-checking. O Bernardo Ferrão vem para aqui intermediar.
Essa é a primeira, e a segunda é que eu aborreci-me à mãe da tua lista de restaurantes.
Mas por que te aborreceste? Isso é interessante. As pessoas não querem saber restaurantes bons para comer na Madeira?
Não, é interessante. Mas tu foste um bocadinho chato. Excelente, muito bom.
Não, mas eu depois especifiquei. Eu falei da espetada, contei histórias, anedotas, falei das moelas. Disse a Santo Pastorani.
Seguimos então aqui agora no "Acaba a Boa Mesa".
Para mim acabou. Outra coisa que eu queria dizer sobre esta semana é que eu descobri o que é mais importante em viajar com outras pessoas. Porque às vezes nós viajamos com amigos.
Mais do que uma casa de banho. Era isso que ias dizer.
Pode ser uma casa de banho se as pessoas forem organizadas.
Nós por acaso fomos muito organizados.
Fomos. Bastante limpinhos e acendeu-se uma vela quando muita gente foi seguida à casa de banho. Impecável. A etiqueta de casa de banho foi boa e eu acho que estes nossos amigos são bons para viajar e nós vamos voltar a viajar com eles. Agora, eles têm para mim a característica mais importante se viajar com outras pessoas. Eu gostava que tu dissesses qual é a tua para eu depois dizer a minha.
Vais elogiar?
Eu vou elogiar.
Os nossos amigos.
Porque eu disse que eles têm a característica mais importante.
Sim. Tenho que pensar um bocadinho, queres dizer tu?
Então vou dizer a minha. Para mim, o mais importante para viajar comigo é vocês serem aquelas pessoas que, numa refeição, quando estamos a pedir, não são sovinas a pedir em restaurantes.
Ok.
E pedem sempre um bocadinho a mais. Do género: "Um dá para quantos? Três? Nós somos quatro. Olha, traga dois. Nem que sobra." Essa para mim é a característica mais importante para viajarem comigo. Não há nada pior do que ir viajar com pessoas que estão nos restaurantes a dizer assim: "Não, nós agora vamos dividir isto, não se pede mais porque sobra. Não, isso é muito, isso vai ser muito, assim vai sobrar." É sempre preferível que sobre, pedir a mais, ninguém vai ficar com fome. Essa é a minha preocupação e os nossos amigos da Madeira, Vitória e Sofia, têm esta personalidade que para mim é o mais importante. Não são sovinas a pedir.
Para mim, por acaso, mais do que isso é estarmos todos mais ou menos de acordo no tipo de viagem que se está a fazer.
Ok.
Por exemplo, com o Vitória e com a Sofia acontece muito, que é nós percebemos que esta semana, obviamente estávamos em casa deles, mas percebemos que esta semana era só para estarmos a relaxar.
Ok. Match de energia de viagem.
Exatamente. Isso é o mais importante para mim.
Para mim é mais importante o match de quantidade nas refeições. Eu não quero viajar com pessoas sovinas que dizem: "Não, vai-se pedir muita comida, depois isto sobra. Não, não pode ser. Vamos só antes dividir. Não, não se vai pedir entradas, porque depois não se come o prato. Agora pedir entradas? Não se vai pedir entradas." Sabes esse tipo de pessoas que está sempre a boicotar comida? Não, para mim não dá. Para mim é pessoas tentarem estar exatamente no mesmo mind frame da fome.
Bem, a Bibi Eight acabou de passar aqui a correr com o rabo do tamanho de um espanador.
Pois, ela está gigante. Bibi Eight. É porque nós chegámos há pouco tempo e eles estão contentes, estão a correr lá fora.
É verdade, estão muito felizes.
Cheguei a esta conclusão: o que é mais importante para as pessoas? Porque imagina, pode não ressonar, pode ser isso que é importante para as pessoas.
Sim. Senhora. Em cima da televisão?
Bibi Eight, depois saio imediatamente.
Meu Deus, então. Está tudo bem. Ai.
Agora tu arrotas? O que está a acontecer neste episódio?
Arrotei, tive um soluço. Acho que estou com soluços.
Tu espirraste, arrotaste, soluços, o que é que queres fazer mais neste podcast?
Um soluçinho.
Outra coisa muito importante que aconteceu.
Tu vens cheio de coisas para dizer. Bora.
Então fala tu do teu tema.
Não tenho temas. Vai. Não, calma, é que estás cheio de energia. Parece que acordaste agora.
Acordei, porque eu gosto de fazer este podcast para as pessoas.
Claro, eu também gosto de fazer. Mais do que fazer para as pessoas, gosto de fazer contigo. Essa é a primeira.
Não, eu gosto de fazer contigo para as pessoas.
Tu não gostas de fazer comigo?
Eu adoro fazer contigo. Adoro. Sempre que fazemos eu sinto-me bem.
Sempre que fazes é comigo.
Sempre que faço é contigo também, nunca fiz com outras. Não, às vezes faço com o Pedro.
Às vezes com o Pedro.
Outra coisa muito importante. Esta semana nós fizemos uma coisa por causa do mau tempo, foi só por causa do mau tempo. Mas nós esta semana fizemos uma coisa que muito me apraz e que eu não sei se não estou a chegar a esse ponto da minha vida. Cestinha.
Eu amo cestinha.
A cestinha das férias é uma instituição, é de uma importância para a saúde.
Mental. Até é.
E física, todas as saúdes, higiénica e tudo. Eu acho que a cestinha que nós fazíamos todos os dias à meio da tarde, meia horinha, 40 minutos.
Não, Guilherme, eu vou contar o que aconteceu. É que tu estás meia horinha, 40 minutos. Mas houve um dia.
A cestinha é meia hora, 40 minutos. É como a minha sesta em casa. Sesta em casa para mim não cola.
Houve um dia em que às 16h, tu te deitaste, eu deitei-me assim encostadinha a ti a ler e tu disseste: "Não, eu agora é meia hora, 45 minutos. Que horas são?" E eu: "16h00". E tu: "Ok", eu: "16h45 estou a pé". E eu: "Ok". Bem, eram 17h55 e tu acordaste e viraste para mim e disseste assim: "Bem, anda meia horinha". E nós assim: "Bem, não foi bem meia horinha". Foram três meias horas, na verdade.
Dormi mesmo bem. Mas eu acho que, não sei porquê, nas férias puxa-me sesta.
Muito mais. Eu adoro sestas.
E nós não apanhámos. Às vezes na praia ou na piscina dá vontade de dormir sesta por causa do sol.
Sim.
Mas nós não apanhamos sol, na Madeira estava com capacete.
Sim, não foi do gênero: "Apanhei tanto sol, estou com aquela moleza de estar na praia ou na piscina". Não é nada disso. Foi só vínhamos mesmo para relaxar.
Eu trabalho com uma pessoa, isto é gozar com quem trabalha, que faz sestas de lá.
Olha que sonho. Quanto tempo?
Há lá uns pufes, e a certa altura, à meio da tarde, já sabes que é um de seis, porque eu disse ele. Mas ele vai e senta-se no pufe Dorme meia horinha, 40 minutos, acorda e está fresco para continuar a trabalhar. Sexta e domingo, os dois dias que nós trabalhamos juntos.
Vou soltar em língua gestual.
Sim, é esse. E dorme sempre meia horinha, 40 minutos.
Acho ótimo.
Mas eu não consigo. Em ambiente de trabalho, eu também sinto FOMO, do gênero: "estão a continuar, eu quero ir". Mas mesmo em casa, não tenho muito o hábito de dormir sesta em casa, eu não tenho sono de sesta em casa.
Eu adoro. Às vezes estamos aqui e acabamos de almoçar e eu digo: "pai, preciso só de uma meia horinha aqui no sofá". Agora aqui até às 14h30, 15h. Eu sim pago meia horinha. Até porque ponho o despertador, que é para não me deixar dormir.
Sim, para não te deixar seguir. Mas eu acho que vou instituir agora nas férias a sestinha das férias.
Acho que faz muito bem. Acho que também já estamos a chegar àquela idade em que é preciso abraçar este nosso lado.
Mas o que é isso da idade? Tu achas que é uma coisa de velho? As crianças dormem sesta.
Então, início de vida e fim de vida. Nós estamos no fim de vida, Guilherme. Nós pelos nossos hábitos, estamos a chegar ao fim de vida.
Tu na apresentação do teu livro, tu disseste muito isso, que eras uma velha num corpo de nova.
E sou.
E será a sesta o indício maior da velhice? Porque uma pessoa de 24 anos não tem tempo para dormir uma sesta. Há mais um bar para ir descobrir, mais uma cerveja para beber, mais um jogo de futebol.
Eu acho que dormir sestinhas, alimentar pombos e refilar por tudo e por nada são os três sinais de velhice.
Ok, eu caguei para os pombos, refilar estou, a sesta é este ano. 38 anos e eu começo na sesta.
Sim.
Para mim.
Mas eu não percebo a resistência que algumas pessoas têm à sesta ou a dormir em geral. "Não vou dormir tão cedo". Se calhar estão cansados, mas que é tipo: "Não, não me vou deitar às 10 da noite. Sou o quê?" Vai só dormir. Dorme.
Tens sono, dorme.
Passa-te essa mania já também.
Pois, claro.
Tens sono, dorme.
Pois as pessoas dizem que dormem mal.
Claro que dormem. Estão ali, está contra o sono. "Ah, não, eu só me deito a partir da meia-noite". Não percebo. Ya, estás a dizer é: és um desses.
Não sou nada, eu deito-me quando tenho sono. Eu não tenho é sono à mesma hora que tu. Olha agora.
Não, tu às vezes estás com sono, mas que é tipo: "Não, é muito cedo para ir para a cama". O que é que é muito cedo para ir para a cama?
Não, mas também te digo que nesse dia em que dormi a sestinha de 1h50, li imenso à noite porque não tinha logo sono.
Essa é outra que eu também não percebo, porque eu durmo à tarde e isso não me vai tirar o sono da noite. O sono da tarde e o sono da noite são dois sonos completamente diferentes.
Ya. Esta semana só teve uma grande desilusão para mim, Rita.
Foi o tempo da Madeira.
Teve duas grandes desilusões, que foi o documentário sobre a Carolina Patrocínio.
Temos de falar sobre isso.
Eu gostava que tu me pedisses desculpa, porque foste tu que incitaste ao hate watching e aquilo não dá para hate, nem para love, nem para nada.
Nada.
É a coisa mais aborrecida, sem saborona, sem conflito, sem drama, sem nada.
Eu não percebo o propósito daquele documentário.
Aquela merda é uma reportagem da "Olá"!
Sobre um momento específico da vida da Carolina Patrocínio.
Mas em vez de ser as fotos dela na casa do campo e na motinha quatro e na festa de anos na praia do parque, é com vídeo.
O que eu mais gostei desta 01h15, que nunca mais nos vai ser devolvida, na verdade.
Uma seca.
O que eu mais gostei foi que as primeiras coisas que a Carolina Patrocínio diz é que é gente como a gente. No fundo, é esta: "Eu sou gente como a gente, eu faço tudo como as pessoas normais".
"Eu vou buscar os meus filhos à escola. Eu sou normal".
"Eu sou uma pessoa normal, sou uma pessoa como as outras". E procede a ir para a casa de férias no Redondo não sei quantas vezes, subir o Kilimanjaro, fazer um aniversário com 130 pessoas no Praia do Parque, fazer uma sessão fotográfica em que tem um gajo que anda sempre atrás dela a vesti-la e a maquilhá-la.
Um stylist. Mas isso não são coisas de gente como a gente?
Gente como a gente. Eu não sei o que eu estou a dizer, eu também faço essas coisas todas no meu dia a dia. Eu peço desculpa, eu achei que ia ser muito mais engraçado de ver.
Pois, eu achei que ia dar a volta, que ia ser o que as pessoas diziam que foi o da Georgina.
Acho que devíamos ter feito uma coisa, que eu não permiti, que ouvíssemos o "Extremamente Desagradável" antes, porque achava que ia dar spoiler.
E a Joana podia ter avisado.
Não. O "Extremamente Desagradável" foi ok. Ou seja, não foi dos mais de partir o cocarriro, porque não há nada.
Porque a própria Joana diz no fim que é como ver tinta a secar numa parede.
Não há nada.
Aquilo não há nada.
Portanto, devíamos ter ouvido o "Extremamente Desagradável" para filtrar e saber: "olha, realmente não vale a pena investirmos o nosso tempo".
Foi muito triste.
Neste documentário da Carolina Patrocínio. Além disso, alguém vá medir o pulso ao Gonçalo Ulva.
Pois é, ele está muito acabado.
Porque eu acho que ele está a dois dias de cair para o lado.
Ele está com olhos de quem está a precisar de um shot e de um Estal.
Primeiro o Estal, depois o shot.
Ou ao mesmo tempo.
Ou ao mesmo tempo.
Ele mete o shot na boca e depois leva o Estal para engolir.
Olha, temos agora um e-mail da Frei Presto.
O que vai acontecer? Vais espirrar outra vez? O que está a acontecer? Nós fomos, desculpa Gostava de fazer esta pergunta diretamente ao Luís de Matos: o que se passa que só há homens mágicos? Não há uma mulher mágica famosa.
Porque as mulheres têm mais que fazer do que andar a brincar aos mágicos. Também há essa.
Não estavas à espera desta atitude, puseste a mão aqui.
"Olha aqui, um coelhinho dentro desta cartola."
Fazer desaparecer. Não, as mulheres andam a fazer aparecer. As meias e as responsabilidades.
Se eu vou lá e encontro, levas com ele na cara.
Fizeste desaparecer o pombo? Se eu vou lá e encontro.
Muito bem.
A Fey Preston, supostamente.
É uma mágica.
É a mágica mais famosa.
"Olá, Rita, Guilherme e gatinhos. Estava a ouvir o episódio com o Dagu," música tensa a subir em fundo, "e decidi partilhar convosco o meu mais recente drama pessoal. Aguardo com expectativa a vossa escolha criativa para o meu nome."
Fey Preston, és uma mágica.
"Há cerca de três anos, comecei a aproximar-me mais do grupo de amigos do meu namorado, na sua maioria rapazes, e criei uma relação muito especial com um deles. Tornámo-nos bastante próximos, quase como melhores amigos."
Ok.
"Nessa altura"-
Mas tu tens um namorado.
Tenho.
Mas este rapaz, que é amigo do namorado, é o melhor amigo dela agora?
Começou a tornar-se, quase como melhores amigos.
Ok, vamos ouvir.
Exatamente.
Estou só a analisar.
Exato. "Nessa altura, também fui viver fora de casa e conheci outras pessoas, entre elas uma colega de casa com quem criei boa relação. O que têm estas duas partes da história em comum? Pois bem, cerca de um ano depois, decidi apresentar a minha colega de casa a esse grupo de amigos, incluindo, claro, o meu melhor amigo, de quem já lhe tinha falado muito."
Ok. O tal amigo do namorado, que é o melhor amigo agora.
Exatamente. "Poucos meses depois, começaram a namorar."
Muito bem.
"E foi aí que tudo mudou. O meu melhor amigo afastou-se, deixou de falar comigo com regularidade, de sair com o grupo e praticamente desapareceu."
Mas isso não é normal nas relações?
Calma.
Ok.
"Quando o confrontei, admitiu que a namorada, minha amiga e ex-colega de casa, não se sentia confortável com a nossa amizade e por isso decidiu afastar-se."
Ok, grave. Temos aqui um problema.
"Com o tempo, voltei a viver com os meus pais e naturalmente afastei-me também dessa amiga. Tentei resolver a situação com ambos, mas sem sucesso. Alegam que não estou a ser compreensiva e ele até me disse que a nossa amizade não podia voltar a ser como dantes e que eu devia ser amiga dele, entre aspas, como sou dos outros do grupo."
Ou seja, normal não ter maior intimidade. Claramente, a ex-colega de casa está com ciúmes.
Calma.
Desculpa.
"Estarei a exagerar por me sentir magoada e traída? Faz sentido este afastamento, quando sempre deixei claro que não há qualquer interesse da minha parte e até mesmo o meu namorado sempre foi tranquilo com a nossa amizade? Não acho justo acabar a perder dois amigos só porque se cria uma relação pelo meio. Devo simplesmente afastar-me, sendo que é difícil porque continuam a aparecer em aniversários e saídas pontuais do grupo? Devo aceitar uma amizade mais fraca para que não haja desconforto? Desculpem o texto enorme e espero ansiosamente pela vossa ajuda. PS: no momento em que vos escrevo, estou à espera da minha edição especial da Pesadão do Sanca."
Muito bem. Espero que já tenha lido e tenha gostado.
Este amigo do namorado, que se tornou melhor amigo dela, gostava dela. É o que eu tenho a dizer.
Achas?
Acho. Acho que gostava dela.
Eu não estava à espera dessa leitura. Eu acho que a ex-colega de casa é muito ciumenta.
Acho que é ciumenta porque percebeu que ele gostava dela.
Tu achas?
Eu acho.
Achas que há sentimentos? Porque então há duas hipóteses: ou de fato ele tinha sentimentos por ela.
Espero que as pessoas não estejam a ouvir a nossa máquina.
Acho que estão. Espera aí, eu vou só encostar a porta.
Então há dois cenários: ou ele tem sentimentos por ela ou não tem e simplesmente a namorada é muito ciumenta. Namorada e ex-colega de casa dela.
Em ambos os casos, o que me chateia e que eu acredito que também chateia a Fey Preston, ela devia serrá-los a meio.
Exato.
Da mesma maneira que juntou, ela agora devia fazer o truque de magia de serrá-los a meio para os separar.
Sim, nós fizemos isto porque ela basicamente fez desaparecer dois amigos. Chamámos-lhe assim.
Coitada, ela fez desaparecer dois amigos ao mesmo tempo. Sendo que é ex-colega de casa, eu sinto que ela não era tão íntima como era do rapaz.
Sim, mas era uma amizade, não é?
Se era uma amizade, eu fico com pena, genuinamente, que por causa destas merdinhas e destes ciúmes, porque eu acho mesmo que é ciúmes, porque se o rapaz tinha sentimentos por ela, não teria feito mais alguma coisa? Será que estava só friendzoned, mas tinha sentimentos por ela?
Eu acredito que possa haver aqui isto, porque na verdade, estou a tentar justificar também um bocadinho os ciúmes da outra.
Pode ser só vocês terem muita intimidade e agora tu namoras comigo. Porque eu acho que é normal quando as pessoas começam a namorar, desaparecerem.
Claro.
É normal, no início de uma relação, as pessoas desaparecerem, afastarem-se do grupo de amigos. Se for para sempre, é grave. Imagina, ele desde que tem esta namorada há quatro anos que não aparece. Isso é grave. No início, em que tu não consegues tirar as mãos de cima da outra pessoa, está tudo bem. Depois, eventualmente, tu juntas. A Fey Preston já tentou foi aproximar-se, conversar com eles e não conseguiu resolver.
Ya.
Eu acho que ela tem que fazer o luto a esta amizade.
Sim, eu gosto muito da pergunta que ela faz no fim, que é se deve aceitar uma amizade mais fraca para não arranjar problemas. E acho que isso é o que nós acabamos muitas vezes a fazer em muitas relações das nossas vidas.
É bem visto.
Não é?
E tu achas que é o que ela devia fazer?
Eu acho que ela, se o fizer, não vai preservar a amizade que tinha com nenhum deles. Vai ter uma amizade nova com cada um deles. O que ela tem que pensar é se quer ter uma amizade que em tudo vai ser diferente.
Eu acho que eu não quereria ter uma amizade com a ex-colega de casa. Foi a ex-colega de casa que afastou a sua amiga do seu amigo, que por acaso é o seu namorado.
Sim, e o amigo deixou-se afastar, portanto. Tchauzinho.
Pois.
Eu acho que é ser cordiais.
Ela juntou duas pessoas que gostava e, no resultado, perdeu-as.
Ya.
Isto é muito triste.
Isto é aquela coisa do se é para ser teu deixa ir, se tiver de ser teu volta. Não sei dizer. Assim se vê que eu não poderia vender 10 mil livros por edição.
Não sabes escrever balelas de autoajuda.
Não sei. Acho que é isto. Eu o que faria, por mais que custe, era lutar a amizade.
Pois. Ou então tentar comê-la a ela.
Olha, ou isso.
Estou a brincar. Não, acho que isso não ia resultar.
Acho que podemos ir a mais um e-mail rapidinho.
É?
Sim.
Não queres acabar o episódio?
Não.
Ok.
Acho que podemos ir a mais um e-mail.
Tu é que mandas.
As pessoas vão ser nossas amigas.
Eu acho sempre que o episódio fica grande demais, eu aponto à meia hora, mas tu estás descontrolada. Vamos ao e-mail da Vitória.
Olha, se não tivesse dito uma lista de restaurantes com 70 nomes.
Aposto contigo que as pessoas ficaram contentes, porque vão à Madeira e têm restaurantes para ir comer. Desde coisas baratas até coisas muito caras.
Claro que ficaram, mas o que escusavas era de estar não sei o quê. Excelente, muito bom. Não sei o quê.
O problema não é o excelente, muito bom. Tu não disseste nada dos restaurantes.
Enfim.
A Vitória escreveu-nos um e-mail. Vitória por quê? Por causa da águia. Nós nem sabemos se é esse o clube, mas olha, eu agora vou abrir. Pedido de ajuda anônimo. Ok? Está bem, Vitória. "Olá, Rita e Guilherme. Não sei se a pessoa em questão vai ouvir, por isso é melhor não dizerem o meu nome." Não dissemos, está alcunha Vitória, está tudo bem. "Antes de mais, queria dizer que vos acho muita piada. Gosto muito da Rita, principalmente pelo amor aos gatos e ter falado de Itália num dos livros e dos livros dela."
Muito obrigada.
"O ano passado arrependi-me muito de não ter ido ter com ela na Feira do Livro do Porto para o assinar."
Pode ser que este ano eu vá, não sei ainda.
Vamos ao meu dilema. E é mesmo só um parágrafo. Gosto desta contenção. "Tenho lugar anual no estádio do meu clube e há três anos, pelo menos, que tenho uma crush por um dos meus vizinhos de lugar. Só dizemos olá e até à próxima, basicamente. Não sei nada dele, nem nome, nem idade, mas ele até sabe sobre mim. Tenho medo de tentar meter mais conversa e depois dar barraca, uma vez que tenho de o ver quase semanalmente e também estou com familiares."
Ok.
Smile a rir. "Mas também acho que ele, se tivesse interesse, já tinha falado comigo, não acham? O que faço? Beijinhos, Vitória."
Vitória, eu acho que também pode dar-se o caso dele ser um rapaz tímido.
É perfeitamente possível. Eu tenho duas questões. Primeiro, como é que ele sabe coisas sobre ela?
Também há essa.
Como é que ele sabe e ela não? Ou seja, esta desvantagem de conhecimento vem de onde?
Será que é por conversas que já tiveram?
Não conversaram muito, porque ela nem sequer sabe o nome. Tu quando conversas com uma pessoa duas vezes, sabes o nome, ou não?
Pois.
Ela disse duas coisas. Dizemos olá e até à próxima.
Eu acho que é assim, Vitória. Tu não perdes nada. Esta vergonha é uma coisa que se passa, mas passa assim e acabou.
Olha, vai. Estou contigo.
A gente também está neste mundo para passar vergonha de vez em quando.
Exatamente.
E eu acho, são três anos a babar para cima do rapaz. E para estar mais quê? Mais três anos. Não. Mete conversa.
Concordo contigo.
Mete conversa.
Devia ser logo no primeiro jogo.
Também não sei, digo-te já, como é que ela não sabe o nome dele, se ele usar camisola.
Mas se calhar a camisola diz, estamos a partir da pessoa, se calhar é do Benfica, porque ela nem disse qual era o clube, mas a camisola se calhar diz, sei lá, Di María.
Pois.
Ele não é o Di María.
Não sabes. Imagina. Não.
Não é porque ele costumava estar em campo, agora já não está, que saiu do clube.
Há mais Di Marias na Terra.
Não, mas ele não há de ser Di María. Presumo eu.
Pronto. É meter conversa.
Eu acho que se já têm uma relação de proximidade de olá, até à próxima, e se já cruzaram olhares durante três anos, tu podes fazer uma semi abordagem.
Olha, tenho uma ideia. Leva bolachinhas. Faz bolachinhas e leva.
Para um jogo de futebol?
Sim, olha, trouxe. Queres?
Mas e se for aquela distância que ela tem que se mexer para ir perguntar se ele quer?
Passa à pessoa que está ao lado e diz: "Olha".
Pois, não sei.
Não?
Eu acho que era esperar que ele fosse à casa de banho.
E sentar-se no lado dele.
Não, e sair ao mesmo tempo.
Ir ao bar.
"Olha, cruzamos aqui tantas vezes, como é que te chamas?"
"Cruzamos aqui tantas vezes, como é que te chamas?" é um bocado estranho.
"Olha, já vimos tantos jogos juntos e eu não sei o teu nome." Como é que tu dirias, como é que tu perguntarias o nome a um rapaz que tu cruzaste no Estádio da Luz?
Acho que tentaria meter conversa sobre outra coisa e no final perguntava o nome.
Mas aí o tema tem que ser o futebol.
Claro.
Tem que ser. Mas agora vamos imaginar que é do Sporting.
Será que este ano ganhamos a taça, o campeonato.
E é tricampeões, estão no Estádio do Sporting. Estão na mesma fila.
Não, vai ter de ser. É este ano ou não. Fogo. Não, temos de ser.
Bicampeonato já não acontece há não sei quanto tempo.
Não, agora é tricampeonato. Como é que te estás motivado?
Eu estou.
Também estou motivada.
E já são três anos, já vimos dois campeonatos. Já há três anos que nos cruzamos aqui, já vimos dois campeonatos juntos.
Fogo, não, agora é mais um ano.
"Olha, prazer em conhecer-te."
Igualmente.
"Nunca tínhamos falado, vemo-nos imenso e nunca tínhamos falado."
Tu és quem? Eu não sei.
Pois, como é que te chamas?
Não, tu és. Estou a perguntar neste roleplay quem é que tu és.
Eu sou o Paulinho do Sporting. Eu acho que tem que ser uma coisa completamente natural, pedir o nome, e vai. Ainda por cima é a rapariga a conversar, vai ser super à vontade.
Exato.
Se fosse ao contrário, eu via a pressão toda de o tarado está-se a meter. Se ainda para mais és tu, a rapariga, que está a tentar meter conversa com o rapaz que vê. Uma conversa seemingly completamente normal, uma coisa de bancada, e depois no fim perguntas. Então é isto.
Levam um arranhão.
Um arranhão da bagarinha. E muito bem, que é para não dar más ideias.
Estes gajos não estão bons da cabeça hoje.
Estão malucos. E pronto, acho que é isto.
Acho que é isto. Depois reporta, por favor, se correu bem. Estamos a torcer por ti, Vitória.
Sim, depois diz coisas, Vitória.
Rumo à vitória.
Exatamente. Agora o que eu queria? Eu queria que o Observador, que são os nossos parceiros de podcast.
Fizessem uma lista com os melhores restaurantes da Madeira.
Cria-se uma rubrica de viagem e eu ia lá e eu falava dos melhores restaurantes. Por exemplo, eu nem sequer falei da marca de picantes madeirenses que eu descobri que existe e que comprei dois picantes, que é o Estipilha, que pelos vistos é uma expressão madeirense. Os Estipilha fazem picantes, têm uma página no Instagram, eu comprei picantes e são excelentes.
Muito bem. Eu acho que o Observador devia ter uma rubrica contigo chamada Gastronomia pelo País.
Gastronomia. terapiadecasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem enviar três coisas: dúvidas, problemas e questões que tenham na vossa vida, mais ideias de restaurantes da Madeira que vocês gostem muito, eu estou aberto e eu aceito, e também nudes. Já disse.
Se mandarem nudes, mandem qualquer coisa no subject a dizer include nudes só para eu não abrir, está bem?
Não, quando é sugestão de gastronomia, vocês metem vai restaurante, quando for nude, metem só vai xixa.
Até para a semana.