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Olá, sejam muito bem-vindos a mais um episódio de "Terapia de Casal". O meu nome é Guilherme Fonseca e a minha querida esposa está a fazer caretas neste momento.
Olá, Guilherme Fonseca.
Tu achas que eu não me chibava só porque isto não tem vídeo?
Guilherme Fonseca.
Bom, como podem ver, hoje a Rita de 13 anos está no lugar da Rita. Excelente. Comigo está a minha querida mulher, a Rita da Nova, que anda a forçar que chegue o outono, e eu não sei se tu estás a conseguir, porque ainda dá para andar de camiseta à noite.
Quanto mais forço, menos acontece.
Quando tu não queres o outono, chove a meio de agosto e é uma chatice. Quando tu queres que chegue o outono e começas a fazer, como andas a fazer, sopa e a tapar-te com mantas no sofá, fica calor.
E a fazer assim as unhas outonais.
Ya.
E a comprar roupa do outono. Eu não percebo.
Não estás a conseguir.
Estamos a meio de outubro.
Se tu estás a tentar puxar o outono, se tu queres que chova, que caiam as folhas e que seja bom no sofá com chá, não estás a conseguir.
Eu não quero que chova. Eu só queria que tivesse um bocadinho mais de frio.
Tu queres frio, queres manta, queres chá.
Eu quero o que é suposto.
Eu quero o chá.
Eu quero o tchutchutchá. Não, eu quero o que é suposto termos nesta altura do ano.
Tu queres o que te é devido.
Exatamente.
A temperatura que te é devida.
Sim.
Mas isto é Portugal.
Não, isto não é Portugal, meu menino. Isto não é Portugal.
Isto é o quê?
Isto é alterações climáticas.
Está bem. Não, em Portugal sempre fez muito mau tempo, agora está bom.
Nesta altura do ano já estava fresquinho.
Não, o Portugal tem para aí nove dias de chuva.
Mas eu não estou a pedir chuva, homem, tu estás me a ouvir?
Tu estás a pedir frio.
Então?!
Pois, olha, não sei o que é que te hei de dizer. Eu reciclo, portanto, não me venhas com merdas.
É, reciclas. Olha, por acaso isso é uma boa coisa, porque a quantidade de vezes que o menino não põe as coisas para reciclar, porque é preciso passar por água e é chato, é muito chato.
Não, eu ponho para reciclar.
Não pões, não.
Eu não passo é por água. Alguém que lave o meu plástico.
A quantidade de vezes que o teu pote grande do iogurte está no lixo normal.
Não.
Guilherme, sê honesto.
Há muito tempo que isso não acontece.
Guilherme, sê verdadeiro.
Há muito tempo que isso não acontece.
Guilherme, quantas vezes eu não vou tirar do lixo normal, passo por água e ponho na reciclagem? Quantas vezes, diz-me.
Há muito tempo que isso não acontece e eu estou a tentar que haja mais dias de praia em Portugal.
És tu com o teu pote do iogurte no lixo normal.
Bom, isto não está a ter graça nenhuma. Olha, vamos primeiro de tudo dizer uma coisa às pessoas.
Olá, pessoas.
Olá. Já começámos a ter reuniões com as pessoas que vão fazer o tribunal da relação no "Terapia de Casal ao Vivo".
É verdade.
Nós explicámos o que era o tribunal da relação. Para fazer um resumo em 20 segundos, nós vamos ter um segmento no "Terapia de Casal ao Vivo", que é uma espécie de crowdwork, um jogo, uma brincadeira com as pessoas. Vamos receber um casal em palco, eu vou ser um advogado, a Rita vai ser o outro, e vamos representar essas pessoas em palco. Com o convidado a fazer de juiz. As pessoas enviaram-nos um e-mail com um caso específico.
Já acabaram os 20 segundos.
Posso? E nós recebemos voluntários.
Sim.
Recebemos e-mails de propostas.
De pares voluntários.
"Eu e a minha mulher" ou "eu e a minha amiga temos este problema, gostávamos muito de estar no segmento do tribunal da relação, no Terapia de Casal ao Vivo, na data X". Coimbra às 9:00 ou Leiria às 7:00. E nós estamos a ter agora os Zooms para marcar isso.
É verdade.
Já temos cinco tribunais da relação alinhados em 15 datas.
Sim.
Portanto, um terço, pelo menos, vai ter. E eu estou contente, porque é um segmento que eu gosto muito. Nós já estamos a preparar os nossos casos de defesa e de acusação.
Sim, é engraçado porque quando fazemos as chamadas com as pessoas, começamos logo nós a dizer: "Não, eu quero defender esta pessoa, eu quero defender esta".
Pois é, nós começamos a escolher de que lado é que queremos ficar. E as pessoas têm sido impecáveis. Eu quero agradecer às pessoas com quem já falámos e também às pessoas que enviaram e-mail, mas ainda não tivemos este Zoom preliminar. Se querem concorrer, se se querem propor a um tribunal da relação num dos espetáculos do Terapia de Casal ao Vivo, que vão arrancar agora no final de outubro e vão durar o mês de novembro, terapiadecasalpodcast@gmail.com. É para onde vocês podem enviar.
Enviam-nos o vosso e-mail com uma breve descrição de qual é o problema que querem levar a palco para discutirmos.
"O meu marido está sempre não sei o quê", "a minha mulher não sei o quê".
Exatamente, e nós vamos responder a propor marcar uma data e falar convosco.
Exatamente, para fecharmos o vosso segmento. Um de nós vai vos defender, o outro vai defender a outra pessoa da vossa relação.
Sim, da vossa relação de amizade, de amor, de paixão. Olha, eu adorava defender um ex-casal.
Ah, mas defender como?
Não sei. Ou seja, adorava que um dos segmentos de tribunal da relação no Terapia de Casal ao Vivo fosse um ex-casal.
Percebo, era giro.
Por exemplo, podem se queixar da maneira como gerem qualquer coisa dos filhos, uma coisa parva.
Pois, não sei.
Ou custódia partilhada de um gato ou de um cão.
Pois.
Isso era giro.
Ou ele apagou as fotos que tinha comigo para comer outras gajas.
Olha, isso é giro.
Por exemplo, uma coisa gira.
Estamos a relembrar aqui só.
Será que há ex-casais com uma relação fixe o suficiente para fazerem o tribunal da relação conosco no Terapia de Casal ao Vivo?
Se calhar, quando compraram o bilhete ainda eram casal e agora já são ex-casal.
Pois, é possível.
Acontece, a vida dá muitas voltas. O meu computador está a levantar voo, não sei se estás a...
O teu computador está péssimo, coitadinho.
Vou dar-lhe um reforma.
É isso. A outra coisa que nós temos andado a fechar e que eu estou contente: fizemos uma lista preliminar de convidados. Já começámos a convidar algumas pessoas para virem ser nossos convidados nas datas ao vivo e eu estou contente com o alinhamento que nós temos.
Juízes. Nalguns casos, juízes do Tribunal da Relação.
Se houver Tribunal da Relação, essa pessoa que é nossa convidada, depois também será juiz nessa data. Mas estou contente, estamos a montar, estamos com segmentos. Estou a fazer uma lista preliminar de temas para nós falarmos no "Terapia de Casal ao Vivo". Eu estou entusiasmado.
Também eu.
Agora, estou triste com duas localidades. Posso abrir o meu coração?
Abre.
Eu não sei o que se passa com Palmela e Viseu.
Foram as datas que nós pusemos à venda há menos tempo.
Sem dúvida nenhuma, mas as outras ou estão a 95%, ou estão esgotadas. E Palmela e Viseu não é fraqueza, é em meias salas. Estamos assim em meias salas. Palmela e Viseu, o que se passa? Não há ninguém que nos esteja a ouvir neste momento, neste podcast, e que seja de Palmela e Viseu?
Deve haver.
O que está a acontecer? Não querem ir ver "Terapia de Casal ao Vivo". Estou só a dizer. Não sei o que se passa com Palmela e Viseu. Ou Viseu e Palmela, não sei qual é a ordem que vocês querem.
Depende se é de cima para baixo ou de baixo para cima.
Exatamente. Terapia de Casal está na Ticketline com bilhetes à venda e eu não sei o que se passa nestas duas localidades.
Não fiques triste.
Não estou triste.
Estás magoado.
O que é isto? Estamos a brincar? Em Coimbra há um bilhete na sessão das 17h.
Pois é, há um bilhete, também está a irritar.
Mas Palmela e Viseu, ainda há vários e eu não sei o que se passa.
Vocês lá porque é terapia de casal, não têm de ir em casal ou em grupo, podem ir solteiros.
Sim.
Nós aceitamos solteiros.
Mas é engraçado que nós já fomos escolher cenário.
Cenário?
Cenário.
Por que é que disseste assim: "Fomos escolher cenário".
Cenário. Estava a fazer sotaque de Palmela, como sabes, é este o sotaque.
Exato.
Já fomos escolher cenário, já temos os segmentos, mas é que assim vou encher a sala, se eu disser que este é o sotaque de Palmela, de pessoas que nos querem bater.
Pode ser.
Por mim. Estou entusiasmado com a nossa tour. Está quase a arrancar. Faltam 15 dias ou três semanas. 29 de outubro é a primeira data no Porto. Ainda há bilhetes também, mas a sala está a ir a 90%. Estou contente. Mas estou contente. Estou entusiasmado.
Também estou feliz.
Estou com vontade. Outra coisa que eu queria dizer, Rita, é que-
Estás a chamar-me Rita?
Amorzinho, tu. Esta semana eu tive uma atitude Rita da Nova, que foi: propus um filme para vermos, para chorar.
Pois foi.
E foi uma experiência que eu tenho a dizer que até foi agradável.
Olha, bem-vindo. Às vezes é preciso dar uma choradinha. Às vezes é só preciso dar uma choradinha.
Eu não sei o que isto faz de mim. Alguns dirão que eu sou um gay, alguns dirão que eu sou um grande caco, mas a verdade é que eu soube muito bem fazer um plano para chorar. Eu escolhi o filme, eu disse: "Olha, o 'We Live in Time', que é o filme da Florence Pugh e do Andrew Garfield, que é uma choradeira do primeiro minuto ao último.
Mas lindíssimo.
Mas chorar de ranho, estou só a dizer.
Sim.
Já está na HBO Max. E eu disse: "Por que nós, um dia desta semana, que estamos os dois em casa, que ainda não temos a tour e eu não estou aqui louco de stand up, por que não vemos os dois o filme e choramos assim a bom chorar durante duas horinhas?" E foi isso que aconteceu.
E não foste tomar para a cama mais leve.
Fui, quer dizer, há aqui um peso de lágrimas que me saiu por cima. Mas é engraçado como às vezes apetece tipo: "Olha, vamos ver um bocado".
Uma coisa para rir.
Um stand up. Agora, olha, vamos chorar um bocadinho.
Eu estou sempre pronta para chorar um bocadinho. Eu acho que faz falta nós, enquanto sociedade, abraçarmos o nosso lado sentimental.
Mas nós não devíamos ter janelinhas para cada uma das emoções? Tipo, olha, agora vou-me irritar.
Ah, forçares essas.
Não é forçar, eu não me forcei a chorar com o filme.
Estás predisposto a.
Exatamente. Vou dar espaço a mim próprio agora para esta emoção.
Não sei se queremos dar-me espaço a mim para mais irritações.
Não, tu já estás irritada a semana toda. É um espacinho para não estares irritada.
Para não estar irritada, para estar alegre.
Para aceitares tudo, para estares zen. Mas olha, soube-me bem fazer um planinho de um good cry.
Olha, a mim também. Gostei muito do filme. Fiquei cheia de medo que tu morresses.
Pois, isso é normal. Porque não é spoiler nenhum, a história é sobre um casal, ela descobre que tem cancro.
Sim.
Esta é a premissa do filme. Está na sinopse, não venham para aqui dizer: "Aos 14 minutos estão a falar de cancro já".
Há um momento, a protagonista é chefe de cozinha, isto não estraga a história, mas há um momento em que eles estão os dois na cozinha e ela lhe pergunta se ele sabe a melhor forma de partir um ovo. E eu no dia seguinte fui fazer uma quiche. E quando vou partir o ovo, exata a chorar.
Pois.
Pensei: "Meu Deus, o que é que se está a passar?"
E eu nem estava lá para te ensinar a partir o ovo.
Mas vejam, porque é um filme muito bonito.
É muito bonito. Tem boas piadas também, o filme é engraçado e os sacanas foram buscar os atores mais likable do planeta. Quando foram buscar o Andrew Garfield e a Florence Pugh, que eu não quero que nenhum deles morra, eu gosto muito dos dois.
Sim, e que nem que nenhum deles sofra.
Exatamente.
Seja como for.
Exatamente.
Percebi perfeitamente.
E foi muito fofo, gostei muito do filme.
Também gostei muito. Ainda bem que não fomos ver ao cinema quando ele saiu no cinema há uns tempos, porque teríamos de ter pedido para ficar na sala uns 15 minutos.
Não ia dar.
Só para ficarmos um bocadinho melhor, como aconteceu com o "Ainda Estou Aqui".
Pois é, tu aí precisaste ficar.
Precisei de ficar um bocado sentada.
Não, deixa-me só ver como é que se chama este senhor que conduziu o camião que levou o material. Eu preciso de ver aqui estes créditos.
Eu preciso de ler os créditos até ao fim.
Ya.
Muito bem. De resto, a nossa semana foi muito pouco relevante.
Sim, mas chorar de propósito eu acho que tem benefícios. Eu vou começar a ver isto.
Eu também acho que sim. Vou passar a magoar-te mais para tu chorares de propósito. Pode ser?
Não, mas quando eu quiser, não é quando te apetece.
Ok, está bem.
Está bem? Pronto.
Olha, vamos a e-mails, que a semana passada não fomos.
É verdade, nós andamos a descurar os nossos e-mails, isto é uma pouca-vergonha. E então temos aqui alguns em atraso e vamos tentar ir a vários hoje.
Vamos.
Vamos tentar?
Vamos.
Eu vou começar com o e-mail da Bridget Jones
Chama-se "Sonhei com o Risoto".
Lê tu.
Ok.
As pessoas querem mais de ti.
Não querem, mas pronto. "Olá Rita, Guilherme e gatinhos. Vou já pedir para manterem o meu anonimato, apesar de pelo meu e-mail conseguirem saber o meu nome. Afinal de contas, só os nossos psicólogos precisam de saber os nossos traumas."
Exatamente.
"Já tinha pensado muitas vezes em escrever-vos, mas desta vez recebi um sinal do meu subconsciente. Sonhei com os vossos gatinhos. No sonho, estava num jantar em casa de alguém, com amigos, e apareceu à mesa um gato, de forma totalmente random e sem percebermos de onde. Alguém perguntou de quem era, eu olhei e quase gritei: é o Risoto! O gatinho veio ter comigo e quando eu me preparava para pegar nele, percebi que afinal era a Guinness. Wait, what?"
Ok.
"Enfim, não tentem compreender, que eu também não. Acho mesmo que foi o gatilho para vos vir escrever hoje. Se calhar a minha pergunta é a mais aborrecida de sempre, mas não vos tenho ouvido falar sobre este assunto ultimamente, por isso cá vai. Os 30 são os novos 20 ou está a chegar o fim da linha para mim? Vou fazer 32 anos este ano. A maioria dos meus amigos está mais perto de casar do que outra coisa. Olho ao meu redor e toda a gente está a engravidar e eu, para grande desilusão da minha mãe, que nem sequer vos conto, não estou nem perto disso. Estou numa situação complexa, que prefiro guardar para outro e-mail, mas digamos que não estou solteira, mas nem perto de estar casada. Não vivemos juntos, não levamos a vida que eu gostava, porque ele tem que tomar uma decisão primeiro. Eu quero ter filhos um dia, mas a este ritmo não sei quando. Amo muito, mas não sei se é aqui o meu lugar. Se eu me for embora ou ele me deixar, qual é a probabilidade de encontrar alguém ainda são e solteiro e sem filhos em Lisboa nos dias que correm? Para além disso, como é que se fazem amigos novos nesta cidade, dado que os meus não são muitos e não querem fazer nada aos fins de semana, a não ser estar com os seus respetivos."
Pois claro.
"Ai, achei que ia ser muito mais eloquente e explícita neste e-mail e acabei a ser confusa. Tão confusa como está a minha cabeça. Peço-vos desculpa por isso. No fundo, acho que só quero saber se há esperança para mim ou se vou ficar sozinha e com poucos amigos para sempre. Quão triste é isto. Beijinhos e obrigada, caso cheguem até aqui e me possam dar uma mãozinha. PS: junto uma foto do meu patudo", que é muito fofo, de facto. "PPS: sou team Rita e grammar nazi como ela."
Ok, e quantos erros é que tinha o e-mail?
Zero.
Zero? Ok, muito bem. Também é importante. Por acaso o gato é muito fofo.
É muito fofo.
O que é que eu ia dizer? Fui só eu e isto é só uma teoria.
Chamámos Bridget Jones só porque a premissa toda do filme da Bridget Jones é, apesar de ela estar na flor da idade, meu Deus, estás a ficar para velha e não podes.
Pois é, e as amigas todas andam para a frente e não sei o quê, e está toda a casar e ter filhos. Não, o que eu ia dizer? Não depreendeste, pela maneira como ela não quis falar da relação amorosa e ele tem que tomar uma decisão, que ele tem outra relação?
Ou isso, ou tem de tomar a decisão se quer ter filhos ou não.
Por que tem que tomar essa decisão?
Porque.
No sentido de...
No sentido prático, porque ela não vai perder tempo com um homem.
Achas que ela vai despachá-lo porque quer ser mãe e ele não quer e agora está a ficar tarde.
Claro. Eu conheço N casos assim. E conheço N casos de mulheres que acabaram a ser mães, acabaram a ter filhos com homens, que sabiam não ser os homens mais certos, mas ele já estava ali.
Pois, claro. Elas querem o bebê, têm o bebê e depois olha.
E depois logo se vê.
Se achar o homem, eu já tenho o meu bebê.
Ou a coisa corre bem, ou a coisa corre mal. Ou endireita e a relação se salva, que eu acho isto erradíssimo, não estou a dar isto como solução. Ou o homem vai à vida dele e a mulher tem aquilo que queria, que era ser mãe. Eu depreendo que a situação é complexa, por ela não querer falar. Por acaso, para mim, deu mais vibes de ele tem que decidir se quer ter filhos ou não e se quer entrar nesta relação ou não.
Mas é que agora, como ela não contou, é um mistério e eu agora estou super insistindo.
Estás preso nisso.
Mas vamos focar no e-mail. Duas coisas: em relação à pressão da idade numa mulher, eu vou deixar a Rita falar disso. O que eu gostava de falar é da parte em que eu posso tocar, salvo seja.
Mamas.
Que é o teu consentimento. Mamas eu tocava todos os dias, toda hora. Mas que é a parte dos 30 serem os novos 20, no sentido em que acontecem duas coisas ao mesmo tempo, que é ao mesmo tempo que tu és mais saudável e mais jovem até mais tarde.
Mais jovem?
Uma pessoa de 50 anos há 30 não era uma pessoa de 50 agora.
Agora, claro.
As pessoas são mais jovens, têm maneiras de se manter com mais exercício, têm mais cuidado com o que comem, vão mais ao médico. Eu acho que em termos de saúde, a nossa qualidade de vida esticou bastante nos últimos 40 anos, vou dizer assim. Ao mesmo tempo que é cada vez mais difícil, nos teus 20, arrumares a tua vida no sentido de comprares uma casa, casares e ter filhos. As pessoas estão a empurrar essa decisão mais para a frente, não só porque têm mais opções, não só de emprego, como de parceiros amorosos, como é cada vez mais caro ter filhos e comprar uma casa e, portanto, assentares nesse sentido.
E mais opções de estilos de vida.
Exatamente.
E é ok experimentares diferentes estilos de vida até escolheres, afinal eu quero um estilo de vida mais tradicional, no sentido de quero casar, quero ter filhos, etc.
Sim, uma pessoa já não tem aquela pressão aos 22 ou aos 23, quando acabou o curso, de começar a trabalhar numa área, casar com a mulher, ter o filho, aos 28 está tudo arrumado. Tens a casa, tens o emprego para a vida, tens a mulher e já tens o puto com três anos.
Exatamente. Sim.
Isso já não existe por questões financeiras.
Mas isto para dizer que eu acho que há tempo. Ela vai fazer 32 anos, ela não é assim tão velha. Ela que não se sinta velha. Eu percebo a pressão biológica de eu vou querer ser mãe e, portanto, como é que isto avança ou não avança. Até porque à partida a pessoa pensa: se eu quero ser mãe com alguém, eu não quero conhecer e seis meses a seguir já estar a ser mãe. Querer aproveitar a relação e querer que essa relação cresça de uma forma natural, com tempo, etc. Mas a verdade é que eu sinto que à minha volta eu vejo acontecer muitas vezes o contrário, que é tu encontrares alguém e como essa pessoa também já está consciente da passagem do tempo como tu, não se perde tanto tempo Percebes o que eu quero dizer?
Sim, mais ou menos.
Tu quando conheces alguém aos 20, levas mais tempo a desenvolver aquela relação ou "perdes" mais tempo em coisas que não são construir a tua vida, porque tens tempo para isso, o teu corpo ainda é jovem, ainda queres experimentar várias coisas. Mas quando tu conheces alguém já nos 30, tu e a outra pessoa, se estiverem alinhadas naquilo que querem, que é ter filhos, casar, etc, parece que às vezes tudo demora menos porque as pessoas estão com o mesmo foco.
Cientes da janela de oportunidade que têm.
Também pode dar-se o caso de a nossa Bridget Jones, quando conhecer. Eu punha este gajo fora da minha vida.
Tu não sabes nada da relação.
também não sai de cima.
Não sabes. Não sabemos nada, ela não disse nada.
Então também não podemos ajudar.
Ela disse só: "Eu preciso tomar uma decisão". Nós não sabemos que decisão é. Ele, se calhar, está a escolher o que é que vai almoçar. Nós não sabemos que decisão é.
Exato, ele ainda não almoçou.
Ele não escolheu um clube. Se calhar, ela não sabe. Eu gosto muito do Benfica e do Sporting. Sou de qual? Ela não sabe que decisão é.
É sim. Eu sinto que ela está a perder tempo com uma pessoa que não sabe o que quer.
Não queiras acabar relações alheias que não sabes nada.
Mas isto não é o objetivo deste podcast, estragar a vida das pessoas.
Não, sem dúvida nenhuma. Sem dúvida absolutamente nenhuma.
Toca, acaba com ele. Agora, relativamente a fazer amigos, procura atividades que tu gostes de fazer.
Eu acho que por causa da internet e da capacidade que as pessoas têm de aprofundar as suas obsessões, nunca na vida foi tão bom encontrar as pessoas que têm os mesmos gostos que tu e que podem explorar os mesmos temas que tu. És fanática de Lego? Há um universo de Lego onde podes conhecer pessoas que gostam de Lego. Gostas muito de dançar? Há um universo de gente. Gostas de Dungeons and Dragons? Não há desculpa para não encontrares uma comunidade online com encontros e sítios onde se pode jogar. Hoje em dia, podes encontrar outras pessoas que têm exatamente os mesmos gostos que tu.
Sim, acho que é pensares sobre que temas é que conseguirias falar com alguém durante horas ou que atividades é que conseguirias fazer com alguém durante horas.
E procurar e sair de casa.
Procurar e sair de casa, comunidades que se juntam. Em torno de podcasts, por exemplo, de repente estou-me a lembrar do "No Bad Vibras", que tem uma comunidade. Lembro-me do "Livrat", que também tem uma comunidade de pessoas no Discord.
Claro, lembras-te do "Livrat"?
Estou só a dar opções.
Claro, lembraste o "Livrat" agora desse podcast que é apresentado por quem, desculpa?
Uma gaja mesmo boa.
Isto é inacreditável. O self-plug que está a acontecer aqui. O seu próprio podcast tem uma comunidade ótima.
Uma gaja boa. Era de ermesindo, não era? As gajas boas.
Gajas mesmo boas, era de ermesindo.
Seguimos para o próximo e-mail?
Vamos para o próximo e-mail. Eu espero que corra tudo bem com esta pessoa e que ela faça imensos amigos. Eu sinto que ela tem a capacidade de fazer amigos das crianças. Desculpa, estás com uma camisola vermelha. Eu estou com uma camisola vermelha, queres ser minha amiga?
Exato.
Esta é a energia.
Não devia ser mais fácil assim hoje em dia.
Nisso, a nossa amiga Márcia é, acho eu, uma inspiração, não especificamente em fazer amigos, mas em dizer assim: "Olha, apeteceu-me experimentar o roller derby, fui experimentar. Pus uns patins, fui experimentar". E essa energia de por que não? Pronto, foi, fez, gostou, não gostou, segue, não segue.
Sim, e de propor coisas.
Exatamente.
Mesmo com os amigos, de bora fazer não sei o quê. Bora!
Eu gosto disso. Vamos ao próximo e-mail, que é da BrideKong. Queres explicar de onde é que vem este nome?
Porque normalmente nós temos o bridezilla, que vem de Godzilla. A bridezilla é má.
É a noiva má.
A noiva que quer tudo como ela quer, que se passa, que tem ataques de fúria.
Controla tudo, com ataques de fúria, exatamente.
Nós pensámos, qual é o oposto do Godzilla?
King Kong.
É o King Kong.
Porque estão um contra o outro nos filmes.
Um contra o outro. Uma noiva boa é a BrideKong.
Estamos a chamar uma caca a esta senhora.
Uma caquinha.
Então vamos embora. Organizar o casório. Anon, please. Agora já dissemos que és a BrideKong. "Olá, queridos terapeutas. Vou casar para o ano, algo que só se tornou realidade recentemente, já que sempre disse que não queria ter casamento. Mas mudámos de ideias e vai mesmo acontecer. A minha questão é: como dizer a alguém para não me chatear da forma mais simpática e clara possível? Porque eu não estou minimamente preocupada com paletas de cor dos vestidos dos convidados, nem com o tipo de flores vou ter, nem se devo convidar o meu tio afastado do Benfica que partilha posts do Chega. Para mim, isto é para festejar o amor e divertir-me. Portanto, peço-vos ajuda para encontrar a melhor forma de dizer às pessoas: leave me alone!"
Leave me alone!
Estúpida.
Idiota.
Obrigada, desde já.
Desculpa.
O que é isto?
É porque é assim, esse momento.
Não, sem dúvida nenhuma.
Picou. Desculpa.
Eu tenho a certeza que isto doeu nas pessoas.
Desculpa.
Ainda por cima, o nossozinho que guinchava foi-se embora. Ele lá está todo a guinchar.
Pois é. E guinchava exatamente assim como eu guinchei.
Exatamente. Se calhar, tu fizeste um chamamento e ele vai voltar.
Ya.
Ele ouviu outra da sua espécie. Bom, obrigada, desde já, da anônima que partilha três gatos com o futuro marido. E depois mandou fotos dos gatos.
Deixa ver.
Então este é o primeiro.
Muito fofo.
Este é o segundo.
Muito querido.
E este é o terceiro. Não vou dizer cores porque pode ser identificado.
Sim. Um gato preto, um gato branco, um gato cinzento, um gato laranja. Uau, já sei exatamente quem é.
Não vou dizer, não temos nada a estar a dizer. Isto é surpreendente, porque é a primeira vez que nós temos uma noiva que está a preparar o seu casamento e que se está a cagar para os pormenores. Deixem-me só casar e divertir-me.
Sim.
O que é que tens a dizer? Tu já foste noiva.
Eu também fui assim.
Exatamente.
Eu também fui assim, porque para mim era um dia para festejar com as minhas pessoas. Aliás, nós já falámos aqui sobre isso, não vou entrar muito em pormenores outra vez.
Já fizemos o episódio inteiro sobre o nosso casamento, para quem não viu.
Mas sim, nós casámos no conservatório, na conservatória. Eu digo sempre conservatório.
No conservatório de música, nós casámos no conservatório de música.
Na conservatória, dois dias antes da festa.
Exatamente.
Portanto, a nossa festa foi muito pouco tradicional. Nós lá estávamos para receber toda a gente.
Eu estou sempre a dizer que teve 40 convidados, mas teve 58.
Teve 60.
60.
Teve 60 convidados, foram pessoas que nós escolhemos a dedo. Contam-se pelos dedos de uma mão as que já não fazem parte da nossa vida neste momento.
Sem dúvida nenhuma.
Portanto, eu acho que foi muito bem escolhido. E aquilo que nós dizíamos sempre às pessoas, nós também não tivemos muitas pessoas a chatear-nos com pormenores, mas das vezes em que sentimos um bocadinho isso, nós dissemos: "Olha, isto não vai ser um casamento tradicional".
De todo.
"Isto vai ser uma festa, portanto, não nos ponham pressão de termos de corresponder a um tipo de casamento que nós não queremos".
Exatamente. E isso às pessoas chegadas, aos convidados, aos amigos. A nossa postura sempre foi: vamos organizar uma festa que as pessoas se sintam bem e que se divirtam, e vamos pôr o menos de entraves possíveis. Vamos só deixar que as pessoas se divirtam e criar um espaço onde as pessoas estão todas à vontade. E depois tivemos um momento com discursos, tivemos um jogo com os bilhetes do "UA Live", que nós não podíamos ir porque íamos à nossa despedida de solteiro. À nossa lua de mel. Eu confundo sempre as duas. Uma tem prostitutas, a outra não tem. Qual é que tem?
A que tem prostitutas é a lua de mel.
Exatamente. Então pronto, basicamente o nosso casamento foi uma coisa bastante tranquila. Eu acho que se as pessoas te estão a chatear com pormenores que tu não queres saber, é porque são coisas que tu não queres ter no teu casamento.
Exato.
Eu não sei se isto passou a mensagem.
Desculpa, mas também as pessoas estão a chatear com que objetivo?
Se calhar estão a perguntar. "Olha lá, e a decoração?" E ela: "Eu sei lá".
Então, acho que a maneira mais educada é dizer: "Olha, não sei, ainda não pensei sobre isso, mas vai estar tudo tratado no dia".
Ok, mas agora também vou fazer de advogado do diabo das pessoas que lhe estão a fazer perguntas. E se são coisas essenciais para o casamento?
Tipo o quê?
Tipo: "Olha, que DJ é que vais ter?" E ela: "Ai, eu não sei, eu quero só música." Está bem, mas então é o quê? É uma pen, é uma playlist?
Sim, mas qual é o objetivo? Nós não tivemos DJ, tivemos uma playlist.
Exato, mas foi preciso tomar essa decisão. Se calhar ela quer é só estar lá no dia. Ela não quer é organizar. Já sei, já percebi. Arranja uma amiga/wedding planner.
Com aspas.
Que conheça o teu gosto e que tome essas decisões por ti.
Mas eu não sei se a questão aqui é ela não querer tomar essas decisões ou se calhar ela vai tomá-las eventualmente, mas as pessoas estão a chateá-la.
Eu acho que ela não quer tomar as decisões, porque ela diz para não me chatearem, porque eu não estou minimamente preocupada com paletas de cores de vestidos, nem com o tipo de flores é que vou ter. Ou seja, ela não quer é tomar uma decisão. Se calhar ela depois gosta de lá ter as flores. Ela não se quer estar a chatear com isso.
Pois, então não sei.
Ou então, reverse roles e o teu noivo que organiza o casamento e tu chegas lá.
Groomzilla.
Exatamente, groomzilla.
Groomzilla e tu és a bridekong.
Para mim é o seguinte: ou o teu noivo começa a responder a essas questões, tu dizes "isso não é comigo, é ele que está a decidir".
É ele.
Ou pedes a uma madrinha que te conheça bem e que saiba exatamente o teu gosto.
Para tomar essas decisões por ti.
Para tomar essas decisões por ti.
E para ser a porta-voz.
E depois pagas-lhe o fee de wedding planner.
Pronto. Olha, boa ideia.
Queres ir a mais um?
Vamos mais um, claro.
Vamos embora. Porque depois as pessoas dizem: "Este podcast ganha-se dinheiro em e-mails e resolve-se os problemas das pessoas." Tu queres qual, o da decoração ou...?
Não, eu quero o downgrade da namorada do irmão.
Muito bem.
Eu adoro este e-mail.
Então cá está, vamos ao downgrade do e-mail, que está aqui para tu leres.
Então este e-mail é da Cameron Diaz.
Exatamente.
Cuja cunhada, portanto, namorada do irmão, é a Nicole Richie.
Exatamente.
Pronto. Acho que é isto que é. Pronto.
Sim, sendo que eu agora reparei que foi um homem que mandou esse e-mail.
Não, ó Guilherme, nota-se quem é que lê os e-mails antes e escolhe quem é que não lê.
Ok. Então vai, Cameron Diaz.
"Olá, Rita e Guilherme. Começo este e-mail por dizer que não suporto a namorada do meu irmão mais velho. Nem eu, nem a minha mãe, nem o meu namorado. E acho que nem a minha avó tem paciência para ela. Eu sei que a namorada não é minha, felizmente, mas como passa muito tempo lá em casa, está a tornar-se difícil gerir os sentimentos em relação a ela. Para dar um porco, um pouco".
Um porco? Para dar um porco.
Porco.
Isso parece um casamento à antiga, estamos a colar e-mails.
Exato.
Eu vou dar um porco para o casamento.
Vou dizer que eu também. "Para dar um pouco de contexto, o meu irmão namorou dois anos com uma rapariga amorosa, super bem-educada e do nada acabou com ela. Digo do nada porque um dia antes tinham estado lá em casa e parecia estar tudo superbem. Ela fazia questão, sempre que chegava, de cumprimentar os meus pais e a mim e fazia-nos sempre uma grande festa. Não era do Porto e sempre que dormia cá trazia uns doces da terra dela. No Natal até me deu um livro que adorei. Nos jantares de família era sempre muito simpática com toda a gente, ajudava a minha mãe, entrava sempre nas brincadeiras. Adorava como ela punha o meu irmão no lugar. Por exemplo, uma vez ele respondeu torto à minha mãe e ela deu-lhe na cabeça à nossa frente."
Claramente, ele não gostava disso.
"Mas de uma maneira tão correta e engraçada que começámos todos a rir, até ele."
Muito bem.
"Não me lembro bem o que ela disse, mas sei que foi muito bem metido. Eu acho que a família toda gostava muito dela. A minha avó até já lhe preparava bolinhos para ela levar."
Olha, que fofo.
"Não sei o que aconteceu entre eles, apenas sei que ela deixou de lhe falar e inclusive o deixou de seguir nas redes sociais."
Porra, então foi grave.
"Não quero tomar partido, mas cheira-me que foi a asneirada do meu irmão. Acontece que um mês depois..."
Será que traiu com a que está agora?
"Acontece que um mês depois de eles acabarem, ele apresenta-nos a Nicole Richie. E foi a diferença do dia para a noite. "Ela entra em casa sem bom dia nem boa tarde. No outro dia foi buscar umas batatas fritas à cozinha e deixou um rasto até ao quarto do meu irmão e o pacote no balcão da cozinha."
Hansel and Gretel.
Sim. "O meu irmão também é muito preguiçoso e no outro dia estávamos a levantar a mesa e ela disse: vá, vamos para o quarto, vocês têm a empregada para levantar o resto. Não disse alto, mas eu ouvi. E o idiota faz tudo o que ela diz, porque fazer nada da vida é a especialidade dele e ter alguém que aprove isso deve ser o sonho dele. À mesa está sempre ao telemóvel e não fala com ninguém. No outro dia a minha avó perguntou-lhe se queria água e ela nem olhou. Ao princípio, achei que ela fosse algo passageiro, mas eles já estão juntos há quase um ano."
Epa.
"No outro dia o meu irmão deixou a mochila no meio do corredor. Eu fiz um comentário e ela revirou-me os olhos como quem diz: cala-te, pita. E ainda teve a lata de dizer: pá, a tua maninha está sempre a... a paciência."
A foder-me.
Ó Guilherme.
Pá, tu já sabes que eu tenho a versão explícita do nosso podcast.
E não é me, é te.
A foder a tua paciência. Está a dizer ao irmão, que é o namorado.
Sim, a namorada do meu irmão diz bastantes palavrões. Olha como ao Guilherme. Acho que foi aí que começou a guerra fria entre nós. Até agora, apesar de odiar a criatura, tenho-me mantido na minha e respeitado a decisão do meu irmão de namorar com esta criatura.
E educação acima de tudo.
Mas para mim isto foi a gota d'água. Preciso da vossa criatividade para sabotar a relação. Ideias giras de como lidar com isto e ver o livro da Nicole Richie. Por favor, não sejam politicamente corretos, mas algo que não me dê cadastro criminal. Conto com a vossa criatividade. Beijinhos, Cameron Diaz. Um agradecimento especial ao meu namorado, que me ajudou a escrever este e-mail e enviou do e-mail fake dele, para caso um dia vir a ser confrontada com isto, poder negar ter sido eu a enviar."
Sim, senhora. Eu vou contar uma história que aconteceu com o meu pai e que eu acho que é uma história excelente.
Ok.
Uma pessoa da nossa família tinha uma namorada que ninguém gostava e que era ostensivamente malcriada, era desagradável, mas era namorada de uma pessoa da família e ia aos jantares e estava na mesa e nós éramos bastantes. Eu vou tentar contar esta história bem, porque eu não conto esta história há muito tempo, mas há um dia em que chega a altura de levantar a mesa. Eu não sei exatamente como é que isto foi, mas eu acho que foi assim: o meu pai mandou os filhos levantar a mesa e há uma pessoa que estava na mesa e que era convidada e que se levantou também para ajudar. Essa namorada que ninguém gostava, não. Mas houve outra pessoa que estava convidada no jantar que se levantou. E o meu pai disse assim: "Não, os convidados não ajudam". E a seguir fez um sinal para essa rapariga e disse: "Importas-te de levantar com os meus filhos?"
Ok.
Não foi assim, foi bastante mais subtil. Eu não me lembro exatamente dos pormenores, não está cá o meu irmão, que é a cloud da família.
Sim.
Mas a cena foi: "Não, os convidados não precisam de ajudar."
Exatamente, tu não és uma convidada.
E tu não és. Ou seja, o meu pai com muita subtileza, a maneira como eu contei não foi tão subtil como foi na realidade.
Eu sinto que depois deste episódio nós vamos mandar uma mensagem ao teu irmão a pedir pra ele contar a história.
Ya, pois vamos.
Até porque eu estou às cegas, eu não sei que história é esta. E eu sinto que não estás a fazer justiça à história.
Pois não, eu sei que a frase do meu pai foi: os convidados não precisam de se levantar. Ou os convidados podem ficar sentados. É uma coisa qualquer assim que tinha a ver com ela não ser convidada.
Mas isso até é uma dupla chapada, que é do gênero: fazes parte da família e com isso vem a responsabilidade de levantares.
Mas é que se eu soubesse esta história bem contada, isso se calhar era um podcast melhor, não é?
Pois.
Não, isso não duvido nenhum.
Ainda bem que chegaste lá sozinho.
Eu não me lembro exatamente da história, mas a história era ótima. O que eu acho? Isto é a minha proposta para, como é que ela se chama?
Cameron Diaz.
A minha proposta para a Cameron Diaz, que é no próximo jantar de família, convidem também a ex-namorada.
Ela não vai.
E ela está sentada na mesa e é agradável, bem tratada, toda a gente da família mostra que gosta dela e é uma pessoa que a família a carinha e que por isso tem espaço na mesa.
Já sei.
E não puseram lugar para a namorada nova.
Não, isso é assim, isso era incrível.
E dizem assim: "Espera, pois é, tu também vieste, desculpa lá, vamos pegar aqui coisa para tu te sentares", metem-te num canto.
Isso era incrível, mas se a ex-namorada deixou de o seguir, acredito que não se fosse pôr nessa posição.
Mas ela fazia o esforço por isto.
Mas eu tenho outra, que acho que era gira. É eles começarem a falar da ex-namorada.
Já sei, que é só do gênero. Olha lá, como é que ele se chama?
Zé Manel.
Zé Manel. Telma. Ó Telma, como é que está a tua ex-namorada, que era tão querida, era tão simpática?
Nós a adorávamos tanto.
Não, e se for numa altura em que ela não se levantou para ajudar a levantar a mesa e alguém diz assim: levantava-se sempre para ajudar a levantar a mesa.
Era tão querida.
Tu lembras.
E melhor ainda, eu acho que a Cameron Diaz devia imprimir uma foto da ex e pôr junto das fotos de família.
Lá pro meio?
Lá pro meio. Começar a pôr a presença da ex na casa.
Eu acho que deviam começar a deixar migalhinhas do gênero...
Como ela deixou de batatas fritas.
Exatamente. Nesse momento tu dizes assim: "Ó pá, Telma, desculpa lá, como é que está a Cameron Diaz?" Não, a Cameron Diaz, não.
Como é que está a outra? A tua ex.
Como é que está a tua ex? Pá, que ela era tão arrumadinha, que nunca deixava nada fora do sítio. Eu lembro-me perfeitamente, ela era impecável.
Era mesmo querida. Ou então estarem, lá está, a avó fala, ela não responde.
Olha lá, como é que está a tua ex-namorada? Lembra-se a avó, que ela falava tão bem consigo.
Lembra-se a avó, falava tão bem consigo, não a ignorava nunca. Eu acho que isto é a melhor maneira.
Isso é a coisa mais passiva-agressiva.
Eu acho que era a melhor maneira.
Ya. Ya.
É eles começarem a falar dela com saudosismo.
Mas mesmo saudades. "Jane, ela era tão querida".
Que querida, que amor que ela era.
"Ela era tão querida". Porque se calhar agora estaria a dizer para tu arrumares a tua mochila, não achas?
Exato, sim. Quem me dera que a não ser das contas que cá estivesse ainda.
Eu vou te dizer uma coisa, isso não se pode dizer, porque isso é diretamente desagradável. Tem que ser mais subtil. Mas eu adorava fazer parte desta família e ter espaço para eu investigar isto. Eu acho que o irmão tem perfeita noção que esta namorada não é querida pela família como a outra.
Pois.
Tu não sentes isso?
Sim, claro, mas a Cameron Diaz também diz que ele se aproveita.
Pois claro, por isso é que é preciso fazer aqui frente a isso.
Sim, era só referir-se sempre a ex, com saudosismo, com amor.
E com passivo-agressividade.
Sim.
É isso mesmo, é com saudosismo, com amor e com passivo-agressividade. Está aqui a nossa sugestão.
Por favor.
Se tiverem uma melhor, digam nos comentários.
Olha, exatamente.
Ou já sabem que para terapiadecasalpodcast@gmail.com ou para-- o que é que tu estás a fazer?
Estou a dizer para tirares os cotovelos de cima da mesa, que a mesa está a fazer barulho, homem.
Mas tu fizeste assim com a mochila.
Dois anos a aprender língua gestual e não percebes.
Não, mas tu fizeste mochila.
Não, eu disse assim para tirares os cotovelos.
Mas com as mãozinhas fechadas aqui, parece que estás a dizer onde está a mochila.
É que estava a bater nas punhetas. Olha, terapiadecasalpodcast@gmail.com é para onde vocês podem enviar os vossos e-mails, como fez a Cameron Diaz, como fez a Bridget Jones e como fez a Bride Kong. E por favor, calmem o Guilherme. Até para a semana.
Parecia que estavas a dizer: "Vais trabalhar no Uber agora". Agora vais fazer Uber.
Pochinha de Uber.